O ANAMT Express, canal de atualização científica da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), aborda nesta semana um tema que muitas vezes chega ao conhecimento da empresa quando o problema já está instalado: o assédio moral. O episódio, que já está disponível na plataforma Spotify, também apresenta orientações aos médicos do trabalho sobre como agir nessas situações.
ACESSE AQUI O EPISÓDIO ASSÉDIO MORAL: PREVENÇÃO ANTES DO CONFLITO JUDICIAL
O conteúdo do episódio, preparado por Ricardo Turenko, diretor Científico da ANAMT, traz uma revisão integrativa publicada na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT). O estudo, divulgado em 2026, reúne evidências nacionais e internacionais sobre assédio moral e violência no trabalho no setor público. Entre os achados, a violência verbal aparece como a forma mais frequente de agressão, seguida pela violência física e pelo assédio sexual.
Segundo o levantamento, os profissionais da saúde, especialmente médicos e enfermeiros, estão entre os grupos mais expostos. A revisão também identificou fatores associados à maior ocorrência de violência, como o trabalho em turnos, a atuação em serviços de emergência e a deficiência de apoio organizacional. Em sentido contrário, o suporte efetivo da liderança aparece como importante fator de proteção.
CONFLITO X ASSÉDIO – O episódio também deixa claro que nem todo conflito cotidiano é assédio moral, cujo conceito está relacionado a condutas abusivas, repetidas e persistentes, capazes de humilhar, isolar ou desestabilizar o trabalhador ao longo do tempo. A distinção é fundamental para evitar tanto a banalização do problema quanto a invisibilidade de situações que efetivamente comprometem a saúde do trabalhador.
Nesse contexto, a atuação do médico do trabalho deve permanecer centrada na saúde e na prevenção. Cabe ao profissional avaliar possíveis impactos sobre a saúde, registrar os achados clínicos de forma objetiva, preservar o sigilo profissional e orientar o trabalhador sobre os recursos institucionais disponíveis.
A prevenção também depende das condições oferecidas pela própria organização. Lideranças capacitadas, canais seguros de comunicação, cultura de respeito e políticas claras para enfrentamento da violência são medidas importantes para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.