Por muito tempo, o burnout foi tratado como um problema individual, associado à fragilidade ou à falta de resiliência do trabalhador. Essa visão, no entanto, vem sendo revista à luz de evidências científicas cada vez mais consistentes. É sobre essa mudança de perspectiva que trata o novo episódio do Podcast ANAMT Express.
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhecem que a gestão do trabalho tem papel central nesse tipo de adoecimento, o que tem orientado novas abordagens dos riscos psicossociais pela NR-01.
O episódio, que já está disponível nas plataformas online, parte da definição da OMS que descreve o burnout como uma síndrome causada pelo estresse crônico no ambiente de trabalho, não administrado de forma adequada, e mostra como esse entendimento já está incorporado à CID-11. A partir daí, a discussão avança para os fatores organizacionais que favorecem o adoecimento, como metas inalcançáveis, pouca autonomia, cobranças constantes e falta de reconhecimento profissional.
Outro ponto central é o que muda com a atualização da NR-01, que passa a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A partir dessa nova norma, como aborda o episódio, o médico do trabalho pode usar indicadores como absenteísmo, presenteísmo, afastamentos e rotatividade para entender o que está acontecendo dentro das organizações.
A mensagem é clara: é preciso rever processos, dimensionar melhor as equipes e construir ambientes psicologicamente seguros. Essa avaliação exige ainda cuidados éticos, com atenção ao Código de Ética Médica, ao sigilo profissional e à Lei Geral de Proteção de Dados.
O Podcast ANAMT faz parte das ações de educação continuada da Associação, levando aos especialistas discussões atualizadas sobre temas relevantes para a Medicina do Trabalho. O episódio se encontra gratuitamente no Spotify. Basta procurar por ANAMT Express.