Agressão física, ameaça, intimidação, assédio moral, assédio sexual e violência psicológica são considerados riscos ocupacionais, apesar de nem sempre aparecerem nos indicadores oficiais das empresas. Por outro lado, seus impactos sobre a saúde dos trabalhadores são concretos e podem provocar consequências físicas e mentais, o que exige atenção permanente do médico do Trabalho.
Esse tema é abordado no episódio desta semana no ANAMT Express, canal de atualização científica da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), disponível na plataforma Spotify. O tema “Violência relacionada ao trabalho: o que os dados brasileiros revelam e como o médico do trabalho pode atuar” faz parte da série RBMT em Destaque, que aproxima a produção científica da prática profissional.
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A discussão toma como ponto de partida o estudo “Violência relacionada ao trabalho em Mato Grosso do Sul (2012–2022): tendência temporal e análise epidemiológica”, publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT). A pesquisa analisou 699 notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) naquele estado, entre 2012 e 2022.
Os dados apontaram predominância de mulheres entre as vítimas, especialmente na faixa etária de 25 a 45 anos. A violência física foi a ocorrência mais frequentemente registrada, mas as formas psicológica e moral também apresentaram relevância. Para os pesquisadores, os números devem ser interpretados com cautela, já que a subnotificação pode fazer com que os registros oficiais representem apenas uma parcela dos casos que efetivamente ocorrem.
SAÚDE OCUPACIONAL – Para a ANAMT, a principal contribuição do estudo está em ampliar a compreensão sobre a violência como um fator relacionado à saúde ocupacional. Não se trata apenas de segurança no ambiente laboral, pois situações de violência e assédio também podem estar associadas a diferentes formas de sofrimento e adoecimento.
Ansiedade, depressão, alterações do sono, presenteísmo e absenteísmo aparecem entre as consequências, além de impactos sobre a dinâmica das equipes, a rotatividade e a ocorrência de acidentes.
Nesse cenário, o médico do trabalho exerce uma função estratégica. Cabe ao médico trabalho realizar o atendimento e acolhimento do trabalhador, assim como proceder investigação do nexo com o trabalho e participar do plano de ação para que possam ser evitados novos adoecimentos nesta coletividade.
Como propõe o podcast, o enfrentamento da violência relacionada ao trabalho exige ações que ultrapassam a resposta a casos individuais. A prevenção deve fazer parte da própria organização do trabalho, com políticas claras de enfrentamento ao assédio e à violência, canais seguros e acessíveis de denúncia, capacitação de lideranças e acompanhamento sistemático dos indicadores.