Durante congresso no Peru, a ANAMT mostra experiências brasileiras e amplia diálogo com países latino-americanos

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) reforçou sua atuação internacional durante o IX Congresso Peruano de Saúde Ocupacional e a VI Jornada Internacional de Saúde Ocupacional, realizados entre os dias 26 e 28 de agosto, em Lima, no Peru. A entidade foi representada pelo presidente Francisco Cortes Fernandes e o diretor Científico Ricardo Turenko, que participaram de debates com especialistas de diferentes países da América Latina. 

Convidado por John Mastetti, presidente da Sociedade Peruana de Saúde Ocupacional (SOPESO), Francisco Cortes Fernandes participou de duas mesas-redondas. Em uma delas, apresentou as diferenças entre listas e critérios relacionados às doenças ocupacionais adotados por Brasil, Peru e Argentina.

“A Medicina do Trabalho possui singularidades em cada país, principalmente pelas diferenças de legislação. Estar ao lado de especialistas do Chile, Argentina, Peru e Colômbia permite trocar experiências e compreender diferentes formas de enfrentar desafios que, muitas vezes, são comuns”, destacou. 

Riscos psicossociais – Por sua vez, Ricardo Turenko levou ao Congresso a experiência brasileira com fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho e sua incorporação ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Segundo ele, o modelo nacional despertou interesse por estabelecer a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar esses critérios sem determinar um único instrumento ou questionário para todas as organizações.

“A troca evidenciou uma dificuldade comum aos países latino-americanos: ainda temos poucos dados comparáveis sobre exposição a fatores psicossociais, adoecimento mental relacionado ao trabalho e seus impactos. Uma possibilidade é utilizar a rede de observatórios da América Latina para estimular a construção de indicadores e bases de dados mais comparáveis”, explicou Turenko.

Organização do trabalho – Além desses temas, os debates durante o Congresso também reforçaram a importância de observação de condições e organização do trabalho como aspectos que impactam na saúde dos trabalhadores. “É preciso identificar os fatores presentes nestas áreas e atuar sobre suas causas. A resposta não deve se limitar a intervenções individuais ou à aplicação de questionários, e muito menos transformar a NR-1 em uma formalidade documental”, ressaltou o diretor Científico da ANAMT. 

Para Cortes Fernandes, a participação da ANAMT nesse evento internacional também contribui para fortalecer iniciativas de cooperação entre os países, incluindo o Observatório Latino-Americano. “A participação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho nesses espaços ajuda a desenvolver e ampliar as relações do Brasil com as demais nações do continente, fortalecendo a construção de uma especialidade forte na região”, finalizou.

 

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