Enxaqueca atinge 34 milhões de brasileiros, destaca webinário da ANAMT

A migrânea, mais conhecida como enxaqueca, é a segunda maior causa de anos vividos com incapacidade no mundo, perdendo apenas para a dor lombar. Globalmente, atinge mais de 1 bilhão de pessoas. No Brasil, é uma média de 34 milhões de brasileiros. Estes são alguns dos dados apresentados no webinário da ANAMT, realizado no dia 16 de setembro pelo neurologista Dr. Welber Sousa Oliveira, especialista em medicina da dor, diretor técnico do Centro Especializado em Hipermobilidade e Dor de Brasília, professor da Pós-graduação em Dor Afya IPEMED e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

A palestra tratou sobre o tema ‘Diagnóstico, tratamento e dados do mundo real relacionados à jornada do paciente com enxaqueca’ e destacou pontos como dados estatísticos global, da América Latina e do Brasil, diagnóstico, tratamento e o impacto da enxaqueca no trabalho e na economia. o webinário foi conduzido pelo Dr. Ricardo Turenko, diretor de Relações Internacionais da ANAMT, e contou com o patrocínio da Teva.

A migrânea está entre as oito doenças crônicas que mais afetam a população mundial. Segundo dados da Global Burden of Disease Study, de 2019, a enxaqueca afeta principalmente mulheres entre 15 e 49 anos de idade e, nesse segmento, passa a ser a principal causa de incapacidade.

Na América Latina, a cefaleia é uma das doenças com maior impacto econômico entre as sete analisadas em oito países. No Brasil, chega a um valor equivalente a 1,6% do PIB, considerando gastos diretos e indiretos, como presenteísmo e absenteísmo. “É um valor grande para uma patologia”, ressaltou o neurologista.

“A enxaqueca não está incluída na lista oficial de doenças crônicas não transmissíveis. Se estivesse, seria a principal causa de incapacidade de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Precisamos alertar equipes de saúde, população e governos para realização de campanhas. Não tem mortalidade mas tem importância e relevância”, destacou o especialista.

Segundo os dados apresentados, globalmente, a enxaqueca impacta a produtividade no trabalho. Setenta por cento das pessoas que sofrem com o problema tiveram a vida profissional afetada pela migrânea, com redução de 13% do tempo de trabalho com o absenteísmo. Trabalhadores com enxaqueca perdem em média 4,6 dias de trabalho, considerando o presenteísmo, com redução de 48% de produtividade. A cefaleia atinge mais mulheres (22%) do que homens (9%) em idade produtiva. Entre elas, 27% estão na faixa etária de 30 a 39 anos.

O diagnóstico deve ser principalmente clínico e considerar pelo menos cinco episódios de enxaqueca prévia, recorrente, com duração de 4 a 72 horas. Deve apresentar pelo menos duas características da cefaléia, como ser unilateral, pulsátil, moderada a forte intensidade e piora com atividade física, náuseas com vômitos e fotofobia e fonofobia. Para o tratamento, é importante prescrever remédio eficaz e de baixo efeitos colaterais, para garantir maior adesão dos pacientes.

“A enxaqueca é um desafio global e local, com alta carga socioeconômica mundial e com impacto especialmente significativo na América Latina e no Brasil. A jornada do paciente é longa e tortuosa”, enfatizou o neurologista ao final da apresentação, complementada com perguntas e respostas dos médicos participantes do webinário.

A transmissão está disponível abaixo:

Por |2025-09-18T09:51:43-03:0018 de setembro de 2025|Institucional, Notícias|Comentários desativados em Enxaqueca atinge 34 milhões de brasileiros, destaca webinário da ANAMT