A nova edição da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT) – Volume 23 – Número 2 / 2025 – já pode ser acessada no site da publicação. No editorial, intitulado “Qualidade de vida no trabalho”, a autora Paula Cristina Moreira Couras da Silva chama atenção para o expressivo interesse gerado pela edição anterior, cujo tema central foi “Fatores Psicossociais no Trabalho”. A média de 1.200 acessos por artigo até o final de maio evidencia a importância do tema e a urgência de sua discussão no cenário nacional, reforçando a necessidade de um olhar atento sobre as condições psicossociais no trabalho, especialmente por parte dos médicos do trabalho e demais profissionais da área.
“Apesar do recente adiamento da fiscalização por parte do Ministério do Trabalho e Emprego quanto à inclusão dos fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, cabe-nos ressaltar que os aspectos psicossociais são parte integrante de diversas Normas Regulamentadoras (NRs), tais como 05 (CIPA), 07 (PCMSO), 17 (Ergonomia), 20 (Inflamáveis e Combustíveis), 33 (Espaços Confinados), 35 (Trabalho em Altura), 36 (Frigoríficos) e 37 (Plataformas de Petróleo), que incorporam dispositivos específicos para a avaliação de fatores psicossociais no ambiente de trabalho”, destaca o texto.
Segundo o editor-chefe da RBMT, Dr. Sérgio de Lucca, a edição atual dá continuidade à discussão dos fatores psicossociais, trazendo artigos que auxiliam os profissionais na identificação e gestão desses riscos. “Fizemos a chamada por artigos porque queríamos queria trazer isso principalmente para os médicos do trabalho – participar na elaboração desse processo de avaliação de riscos da empresa, entender quais são os fatores psicossociais que podem existir, como trabalhar esses fatores nos hospitais, nas indústrias. São aspectos muito relevantes para todas as especialidades que lidam com a saúde do trabalhador como um todo”. E ele reforça:
“O adiamento da fiscalização não significa que as empresas devem cruzar os braços. O diagnóstico dos fatores psicossociais precisa ser feito com seriedade, com uso de questionários padronizados e um bom planejamento no Programa de Gerenciamento de Riscos. A dificuldade maior não está no diagnóstico, mas nas mudanças organizacionais que ele exige”.
O médico do trabalho chama atenção inclusive para o fato de que a Organização Mundial da Saúde afirmar que, em alguns anos, os transtornos mentais serão a principal causa de afastamento do trabalho no mundo. No Brasil, em 2024, foram mais de 470 mil afastamentos segundo dados do Ministério da Previdência Social, o que representa um aumento de 68% em comparação ao ano de 2023.
“Quando se trabalha apenas nas consequências — como oferecer mais consultas com psicólogos, por exemplo — e não na origem do estresse, a empresa compromete sua própria sustentabilidade”, reforça Dr. Sérgio.
Demais assuntos abordados
Além da temática central, a nova edição também aborda temas relevantes para a saúde ocupacional, como fatores de risco para adoecimento cardiovascular; qualidade do sono; implementação da NR 36 em frigorífico de bovinos; implementação de serviços de saúde e segurança ocupacional e telessaúde no Peru; além de um estudo de caso sobre tuberculose ganglionar após exposição profissional em médico português.
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