A exposição simultânea a ruído e solventes ototóxicos pode aumentar o risco de perda auditiva ocupacional, mesmo quando os níveis de cada agente, analisados separadamente, estão abaixo dos limites de exposição adotados. O alerta é tema de artigo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT) e destaque do episódio desta semana do podcast.
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Entre as substâncias associadas a esse risco estão tolueno, xileno, estireno, etilbenzeno, n-hexano e tricloroetileno, presentes em produtos e processos como pinturas, fabricação de plásticos, impressão e desengraxe industrial. Segundo a discussão apresentada pelos autores do trabalho, a combinação desses agentes com o ruído pode potencializar os efeitos sobre o sistema auditivo, tornando insuficiente uma avaliação baseada apenas nos níveis de pressão sonora.
As evidências reunidas apontam maior frequência e gravidade de alterações auditivas entre trabalhadores expostos aos dois fatores. Embora a magnitude do risco varie conforme a substância, a intensidade e a duração da exposição e as medidas de controle adotadas, os autores alertam que a análise fragmentada pode levar à subestimação do risco ocupacional.
Na prática, o reconhecimento da coexposição deve integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e orientar a vigilância da saúde prevista no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Isso envolve identificar os agentes químicos presentes nos produtos, avaliar as vias de absorção, considerar o histórico ocupacional e interpretar os resultados audiométricos em conjunto com outras informações clínicas.
O artigo também chama a atenção para os limites dos equipamentos de proteção individual. Embora o protetor auricular reduza a exposição ao ruído quando adequadamente selecionado e utilizado, ele não impede a absorção de substâncias químicas. A prevenção deve priorizar, sempre que possível, a eliminação ou substituição dos agentes, além de controles de engenharia, como ventilação, enclausuramento e automação.
A seleção e produção do conteúdo do podcast ANAMT Express estão sob a coordenação do diretor científico da ANAMT, o médico do trabalho, Ricardo Turenko Beça. Para acessar, entre na plataforma ANAMT Virtual ou no Spotify.
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