A Gestão dos Fatores de Riscos Psicossociais no Trabalho (FRPT) e a relevância do médico do trabalho na elaboração e qualificação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) foram temas abordados em webinar realizado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). O conteúdo está disponível para os associados na plataforma ANAMT Virtual.
A palestra foi conduzida pelo médico do trabalho Sergio Roberto de Lucca, professor e pesquisador da área de Saúde do Trabalhador da Unicamp, autor do livro “Fatores psicossociais e saúde mental no trabalho”. E teve como debatedora, a médica do trabalho e psiquiatra Letícia Mameri, que contribuiu com reflexões sobre os impactos dos riscos psicossociais na saúde mental e a Síndrome de Burnout.
Para Sergio de Lucca, o evento é relevante, especialmente em razão da recente obrigatoriedade de as empresas identificarem e fazerem gestão sobre os fatores de riscos psicossociais no trabalho. “Neste contexto é de fundamental importância que os médicos do trabalho nas empresas participem ativamente deste processo”, comentou.
Conceitos fundamentais – Durante o webinar, foram discutidos conceitos fundamentais sobre os Fatores de Riscos Psicossociais no Trabalho (FRPT), formas de identificação e os principais instrumentos utilizados para essa avaliação. “O importante é o resultado coletivo da percepção subjetiva dos trabalhadores sobre os fatores primários que desencadeiam estresse e constrangimentos”, pontuou o palestrante.
Entre os fatores primários citados estão o grau de exigências, o que inclui intensidade e ritmo de trabalho e demandas para além das capacidades física e psíquicas; falta de autonomia ou de controle sobre o próprio trabalho; a falta de apoio social (de colegas e lideranças); formas de gestão assediadoras e discriminatórias; e comunicação deficiente e/ou contraditória.
Segundo Sérgio de Lucca, todos os empregados, independentemente de cargo ou posição hierárquica, estão expostos a esses fatores. Também se pontuou a importância de se considerar como gravidade ou desfecho os afastamentos por transtornos mentais relacionados ou não com o trabalho, síndrome de Burnout, distúrbios osteomusculares e cardiovasculares.
Programas de gestão – A apresentação também destacou a importância da implantação de programas de gestão da saúde mental nas empresas, alinhados às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e estruturados em três níveis de ação: primárias, voltadas à identificação e ao enfrentamento dos fatores de risco; secundárias, focadas na redução do sofrimento emocional e no suporte aos trabalhadores adoecidos; e terciárias, destinadas ao acompanhamento daqueles que retornam ao trabalho após afastamentos.
Finalmente o webinar destacou ainda a relevância da formação de equipes multidisciplinares, do engajamento das lideranças e da participação ativa dos trabalhadores, bem como da análise integrada de dados epidemiológicos, perfis sociodemográficos e profissionais, e dos contextos macroeconômicos e microssociais. Para empresas de pequeno porte, com menos de 15 empregados, foi sugerida a realização de avaliações por meio de grupos focais, envolvendo trabalhadores do mesmo nível hierárquico e lideranças.