GESTÃO 2026 – 2027: ANAMT aposta na atuação científica, institucional e na defesa profissional para fortalecer a Medicina do Trabalho

Fortalecer a especialidade, com foco na conquista do título pelo médico interessado, e ampliar a atuação científica, institucional e regulatória da entidade estão entre as prioridades da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) no ciclo que se inicia em 2026. Após um período marcado por avanços, como: a consolidação da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, ampliação da presença internacional, recorde de inscritos na prova de título, a ANAMT projeta um novo período de crescimento e qualificação no segmento.

Em meio aos desafios das relações de trabalho, a Associação intensifica sua agenda estratégica com foco na educação continuada, na produção científica e no fortalecimento do diálogo com o próprio associado, por meio de novos formatos de comunicação, e com outras instituições essenciais ao fortalecimento da especialidade.

Na entrevista a seguir, o presidente da ANAMT, Dr. Francisco Cortes Fernandes, reconduzido ao cargo em eleição realizada em agosto de 2025, faz um balanço das principais conquistas recentes e compartilha alguns dos pontos que vê como prioridades para a Associação. Dentre eles, aparece a organização do Congresso Nacional que, desta vez, será sediado em Salvador, na Bahia. Confira!

ANAMT – Quais foram os principais avanços obtidos pela ANAMT que merecem entrar no balanço de 2025?

Francisco Cortes Fernandes – Entre os principais avanços da Associação Nacional de Medicina do Trabalho é fundamental destacar a conquista da certificação pela SciELO da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho. Esse foi um marco importante para o fortalecimento científico da especialidade. Soma-se a isso a ampliação e a internacionalização do corpo editorial da revista, o que eleva sua relevância e alcance no cenário acadêmico. Outro destaque foi a realização do Congresso Nacional da ANAMT, em Goiânia (GO), que contou com expressiva participação de médicos do trabalho de todo o país, consolidando-se como um espaço de atualização científica, troca de experiências e fortalecimento institucional. Também podemos incluir nesse rol relevante o processo de digitalização e recuperação do acervo documental da entidade, que permitiu resgatar registros institucionais importantes de períodos anteriores, garantindo memória, transparência e organização administrativa.

ANAMT – Em 2025, a prova de título de especialista teve um número recorde de inscritos, com cerca de 700 candidatos. O que isso representa?

FCF – Esse dado evidencia o crescente interesse pela certificação e pela valorização da formação qualificada em medicina do trabalho. Também reflete uma série de iniciativas implementadas pela ANAMT no campo institucional, com avanços no estreitamento de relações com entidades médicas estratégicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM), com participação ativa e reforçando o protagonismo da especialidade nesses espaços.

ANAMT – Pensando no futuro, quais os desafios prioritários em 2026 para a gestão que se inicia?

FCF – Para 2026, um dos principais desafios da ANAMT será intensificar a atuação na defesa do exercício da medicina do trabalho por médicos devidamente titulados. A entidade seguirá atuando de forma firme junto ao CFM e aos Conselhos Regionais de Medicina para coibir o exercício da especialidade por profissionais sem formação específica, fortalecendo a segurança assistencial e a valorização profissional. Outro eixo estratégico é a ampliação das plataformas digitais de ensino e atualização profissional. Estão previstas a expansão das atividades de educação a distância, o fortalecimento dos podcasts da ANAMT e a adoção de novos formatos de conteúdo, alinhados às demandas contemporâneas e aos diferentes perfis de profissionais. A ANAMT também pretende ampliar sua presença em eventos estratégicos, como o Congresso Brasileiro de Medicina Geral, além de fortalecer o relacionamento com as associações federadas, promovendo maior integração nacional da especialidade. Em relação aos eventos científicos, a entidade já trabalha na organização do Congresso Nacional de 2026, que será realizado na primeira semana de novembro em Salvador, na Bahia.

ANAMT – Quais iniciativas estão previstas para ampliar a qualificação profissional, fortalecer a educação médica continuada e aumentar o engajamento dos associados ao longo de 2026?

FCF – A entidade seguirá investindo na qualificação de seus conteúdos científicos e educacionais, com o aprimoramento das plataformas virtuais, podcasts e programação de seus eventos. Também está prevista a criação de comissões temáticas voltadas à qualificação da produção técnica em Medicina do Trabalho, contemplando áreas como Saúde Ocupacional, Ambiente Hospitalar e Construção Civil. Outro ponto estratégico é o fortalecimento das diretrizes médicas, com a implementação de um novo corpo editorial, assegurando rigor técnico, atualização científica e alinhamento com as melhores práticas da especialidade. A ANAMT também pretende reforçar a importância do convênio acadêmico com a Universidade Tor Vergata, em Roma, ampliando as possibilidades de intercâmbio científico e formação internacional.

ANAMT – O Brasil enfrenta desafios regulatórios, previdenciários e assistenciais relevantes. Como a ANAMT atuará na defesa institucional da Medicina do Trabalho nesses espaços?

FCF – No campo regulatório, a ANAMT mantém atuação ativa junto ao Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, por meio do Instituto Brasileiro de Defesa da Medicina, o IBDM. Essa participação tem sido fundamental para o diálogo com parlamentares e para a defesa de pautas regulatórias, especialmente aquelas relacionadas ao reconhecimento e à proteção da especialidade médica. A atuação conjunta com o CFM, a AMB e outras entidades médicas seguirá como prioridade, fortalecendo o enfrentamento de desafios regulatórios e a defesa do exercício ético e qualificado da medicina do trabalho.

ANAMT – De que forma será a atuação internacional?

FCF – No cenário internacional, há espaços a ocupar. A ANAMT ampliou sua participação na Associação Latino-Americana de Saúde Ocupacional (ALSO), com presença em congressos e fóruns regionais, como o evento realizado em Guadalajara (México), e reforçará sua atuação em observatórios latino-americanos voltados à saúde e à segurança ocupacional.

ANAMT – O Congresso Brasileiro de Medicina do Trabalho é um dos principais ativos da entidade, inclusive o próximo está previsto para novembro, na Bahia. Quais são as expectativas em relação ao evento?

FCF – A expectativa da nova gestão é ampliar o papel do Congresso como um espaço estratégico de atualização científica, diálogo institucional e valorização da medicina do trabalho. Para a edição deste ano, em Salvador, queremos avançar de forma concreta em iniciativas voltadas à sustentabilidade, incorporando projetos e práticas que dialoguem com os desafios ambientais, sociais e técnicos contemporâneos. A proposta é que o congresso vá além da programação científica, promovendo reflexões e ações alinhadas às transformações do mundo do trabalho e às demandas atuais da prática médica.

ANAMT – Qual o recado da ANAMT para os médicos do trabalho?

FCF – A mensagem da ANAMT aos médicos do trabalho é de confiança e compromisso. Reafirmamos o compromisso com uma gestão ética, transparente e voltada à valorização da especialidade. Em nome da nova diretoria, reforço que seguiremos empenhados em fortalecer, dignificar e ampliar o reconhecimento da medicina do trabalho no Brasil, sempre em defesa da boa prática médica e da atuação qualificada do especialista.

Por |2026-01-09T15:48:19-03:006 de janeiro de 2026|Institucional, Notícias|Comentários desativados em GESTÃO 2026 – 2027: ANAMT aposta na atuação científica, institucional e na defesa profissional para fortalecer a Medicina do Trabalho