
O contato direto com profissionais experientes e acessíveis, o ambiente acadêmico dinâmico e o enfoque científico aplicado à prática clínica foram alguns dos pontos destacados por Dr. Pedro Haick, primeiro associado da ANAMT a participar do estágio na Universidade Roma Tor Vergata, em Roma (Itália), proporcionado pelo convênio firmado entre a Associação e a universidade, em 2023.
A experiência foi concluída com sucesso, neste início de novembro. Dr. Pedro Haick foi o primeiro médico do trabalho a realizar estágio, com duração de um mês, na instituição italiana. A ergoftalmologia foi a área escolhida pelo especialista.
“A experiência no intercâmbio na Universidade de Roma Tor Vergata foi extremamente positiva e enriquecedora. Desde o início, fui muito bem acolhido pelo professor Bruno Piccoli e por toda a equipe do Serviço de Medicina do Trabalho do Policlínico Tor Vergata, que mantém uma rotina técnica e aberta à integração de médicos estrangeiros,” destacou Dr. Pedro Haick.
Vivência prática e científica
Para o especialista, vale salientar alguns dos pontos altos da Universidade: “a estrutura acadêmica, a disponibilidade dos docentes e o ambiente de pesquisa proporcionaram uma vivência completa, permitindo compreender de forma prática e científica como a ergonomia da visão é aplicada dentro da saúde ocupacional. Foi uma imersão que superou minhas expectativas, tanto pelo nível de conhecimento compartilhado quanto pelo acolhimento humano e cultural”, afirma Dr. Pedro Haick.
Saúde da visão
Além de ser uma experiência ímpar quanto ao conhecimento adquirido durante o período do intercâmbio, o estágio na área escolhida representou um salto importante para o especialista. “O estágio em ergoftalmologia correspondeu plenamente às minhas expectativas. Pude participar de atividades práticas, acompanhar exames, entender protocolos de avaliação visual em diferentes condições de luminância e fadiga, e observar como os fatores visuais são considerados dentro da medicina ocupacional italiana. Além disso, tive contato direto com a equipe de pesquisa e participei de discussões clínicas e científicas que ampliaram minha visão sobre o tema. A integração entre teoria, prática e pesquisa foi um dos pontos mais valiosos dessa vivência”, ressaltou o especialista.
O médico falou sobre as atividades que mais se destacaram na atividade na universidade italiana, detalhando a “observação e discussão dos exames ergoftalmológicos, a participação nas reuniões clínicas com o professor Piccoli e equipe, e a oportunidade de apresentar uma palestra sobre a atual situação da saúde ocupacional no Brasil e participar dentro de um projeto piloto de promoção de saúde mental e bem-estar ocupacional,” elogiou.
Segundo explicou, também foi marcante o contato com protocolos padronizados de avaliação visual e radiação relacionados às condições de trabalho: “mostram uma maturidade técnica interessante e aplicável à realidade brasileira. Essas experiências proporcionam aprendizado prático e acadêmico de alto nível”, frisa o médico.

Medicina do trabalho: Brasil e Itália
A prática da Medicina do Trabalho na Itália apresenta semelhanças importantes com a do Brasil, como descreveu Dr. Haick, “especialmente no foco em prevenção, vigilância à saúde e emissão de pareceres de aptidão”, pontuou. Mas também existem diferenças estruturais significativas, como ressaltou o médico brasileiro. “Na Itália, o Médico Competente atua de forma integrada ao Documento de Avaliação de Riscos (DVR), com base no Decreto Legislativo 81/2008, o que confere uma abordagem mais técnica e individualizada de acordo com os riscos específicos do trabalho. Já no Brasil, seguimos as diretrizes das Normas Regulamentadoras, com destaque para a NR-7 (PCMSO) e a NR-1 (PGR), que estruturam o processo de forma mais documental. Enquanto o sistema italiano prioriza a integração direta entre o médico e a gestão de riscos, o brasileiro enfatiza a formalização de programas de controle. Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: proteger a saúde do trabalhador e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis”, sinalizou Dr. Haick.
A oportunidade de participar do intercâmbio na Itália trouxe novas perspectivas para o especialista. “Tenho grande interesse em dar continuidade à minha formação acadêmica na Tor Vergata. Também considero a possibilidade de participar de programas de pesquisa ou de um doutorado na área, já que a integração entre clínica, ensino e investigação científica na universidade italiana é exemplar”, completou.
Troca Cultural
Outros aspectos do intercâmbio também foram destacados pelo especialista: “A troca cultural também foi muito significativa, permitindo compreender como diferentes contextos econômicos e sociais influenciam a saúde ocupacional. Além disso, a possibilidade de apresentar um conteúdo sobre saúde mental e discutir interfaces entre ergonomia visual e bem-estar no trabalho foi particularmente gratificante, por conectar temas que também estudo e aplico no Brasil”.
Sobre ter conhecido o contexto da medicina do trabalho na Itália, Dr. Pedro Haick também esclareceu que “o que mais se destaca é a integração do Médico Competente à gestão global de riscos das empresas e à formulação do DVR, documento central da saúde ocupacional italiana. Essa estrutura faz com que as decisões clínicas e preventivas sejam mais alinhadas à realidade de cada posto de trabalho, com ênfase na ergonomia, no ambiente e na adaptação das tarefas. Esse modelo é bastante interessante e pode inspirar práticas mais integradas no contexto brasileiro”, sugeriu.
O estágio na universidade italiana foi além dos aspectos técnicos e acadêmicos, como explica o médico. “Além da vivência profissional, a estadia em Roma foi uma experiência cultural e pessoal muito rica. A rotina entre o Policlínico e a Universidade de Tor Vergata me permitiu vivenciar o cotidiano local, entender a dinâmica dos serviços públicos e observar de perto o funcionamento de um hospital universitário europeu. Fora do ambiente acadêmico, a convivência com colegas, a exploração da cidade e o contato com a cultura italiana tornaram essa jornada completa, ampliando não apenas meu repertório técnico, mas também humano”, resumiu.
Dr. Pedro Haick também destacou que “o intercâmbio entre a ANAMT e a Universidade de Roma Tor Vergata é uma oportunidade única para qualquer médico do trabalho interessado em aprofundar seus conhecimentos e ampliar sua visão sobre a prática internacional da especialidade. A estrutura acadêmica, o acolhimento da equipe, a possibilidade de pesquisa e a vivência cultural tornam a experiência extremamente válida. Além disso, o contato com centros de referência europeus em ergonomia e saúde ocupacional acrescenta uma dimensão científica e prática que contribui significativamente para a formação e a atuação profissional no Brasil,” concluiu Dr. Pedro Haick.