Autonomia médica, impactos da inovação tecnológica e proteção à saúde do trabalhador nortearam as discussões do XII Fórum da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado na sexta-feira (14), em Brasília (DF). O encontro, que teve como tema “Os Desafios Contemporâneos da Medicina do Trabalho: autonomia médica, inovação e proteção à saúde do trabalhador”, reuniu especialistas para discutir os caminhos para uma atuação cada vez mais qualificada na promoção e proteção da saúde dos trabalhadores.
Na abertura, o presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Francisco Cortes Fernandes, ressaltou a importância da proximidade da entidade com o CFM, a qual considera uma oportunidade para a construção conjunta de caminhos para a especialidade. “Para a Associação é uma honra e um privilégio acompanhar as discussões dentro da Câmara Técnica do CFM que se dedica exclusivamente à nossa especialidade e que desembocaram neste Fórum”, afirmou.
Além de Francisco Cortes Fernandes, que foi um dos palestrantes, também estiveram presentes outros diretores da entidade: Leandro Guimarães (Administrativo) e Ricardo Antônio Turenko Beça (Científico), o vice-presidente da Região Nordeste, Leonardo Pereira Cabral, e Ruddy Facci, ex-presidente da ANAMT. Além de Rosylane Rocha, 2ª vice-presidente do CFM e uma das organizadoras do evento, que também integra os quadros da gestão da Associação, onde atua como diretora Científica Adjunta.
De acordo com o presidente da ANAMT, a Medicina do Trabalho merece destaque nas discussões sobre políticas públicas e assistenciais. Para tanto, ele chama a atenção para números que revelam a dimensão da especialidade. Segundo ele, são quase 18 mil médicos especialistas na área, número que corresponde a aproximadamente 4% dos Registros de Qualificação de Especialista (RQEs) ativos e coloca a especialidade na sétima posição entre as maiores do país.
FUTURO DA ESPECIALIDADE – Por sua vez, a 2ª vice-presidente do CFM e diretora científica Adjunta da ANAMT, Rosylane Rocha, ressaltou a importância do encontro diante das transformações no mundo do trabalho. Segundo ela, pensar o futuro da especialidade exige reconhecer o médico do trabalho como um agente da atenção primária à saúde do trabalhador, com uma atuação que ultrapassa as atividades burocráticas e está voltada à prevenção, ao diagnóstico precoce e à intervenção sobre os fatores que podem provocar o adoecimento.
“Garantir a assistência integral à saúde de quem trabalha significa ser capaz de acolher, diagnosticar precocemente, intervir nos determinantes ambientais e mitigar riscos antes que o agravo se consolide”, afirmou Rosylane, que ainda é a coordenadora da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do CFM. Na sua opinião, esse Fórum tem relevância por ser um espaço para colher e reunir informações e subsídios técnicos, éticos e científicos que serão utilizados na elaboração de estratégias voltadas à promoção e à proteção da saúde de milhões de trabalhadores brasileiros.
ACIDENTES DE TRABALHO E SAÚDE MENTAL – Preocupado com a saúde ocupacional no Brasil, durante o evento, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, chamou atenção para os números relacionados aos acidentes de trabalho e à saúde mental. Em sua fala, ele usou dados de um levantamento recente da ANAMT que revelam a existência de 1,85 milhão de acidentes de trabalho registrados entre janeiro de 2023 e maio de 2026.
Para o presidente do CFM, os números demonstram a dimensão dos desafios enfrentados pela Medicina do Trabalho e a necessidade de ampliar a atuação voltada à prevenção e à assistência aos trabalhadores. “Acredito que, como especialidade médica, a Medicina do Trabalho ocupa lugar de relevância pela sua capacidade de articulação. Por isso, espero ver cada vez mais o CFM e ANAMT integradas em favor de construção de propostas que valorizem os médicos e tragam saúde para os brasileiros, em especial os trabalhadores”, disse.
PROGRAMAÇÃO – A programação do XII Fórum de Medicina do Trabalho do CFM colocou em debate temas de grande impacto para a especialidade. O evento contou em sua grade científica com a participação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). O presidente da entidade foi expositor do tema “Entre o lucro e a ética: a garantia da independência técnica do médico frente às pressões do empregador, na proteção integral do trabalhador”.
Já Leandro Guimarães, diretor Administrativo, participou do painel sobre gestão ocupacional com a palestra “A Conta da Sinistralidade: NTEP, FAP e o Impacto Financeiro para as Empresas”. Na sequência, Ricardo Turenko Beça, diretor Científico, abordou o tema “Liderança, Riscos Psicossociais e Saúde Mental: o papel dos gestores na prevenção do adoecimento relacionado ao trabalho”.
“A Epidemia Invisível: Dependência Digital, Hiperconectividade e Fadiga Cognitiva” foi o objeto de discussão apresentado por Rosylane Rocha, coordenadora da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho e diretora Científica Adjunta da ANAMT. O vice-presidente da Região Nordeste, Leonardo Pereira Cabral, versou sobre “Algoritmos pró-ativos: A IA como vetor de predição ocupacional no PCMSO”. Além deles, o assessor jurídico da entidade, Alberthy Ogliari, falou sobre “Blindagem jurídica na prática da Medicina do Trabalho: limites, riscos e mitigação da responsabilidade civil, criminal e administrativa”.
A programação contou ainda com nomes como de Renata Nayara da Silva Figueiredo, médica psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr); Carolina Pereira Mercante, procuradora do Trabalho no Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal; Leonardo Pereira Cabral, Médico do Trabalho; Hideraldo Luís Souza Cabeça, 1° Secretário do Conselho Federal de Medicina; Luiz Gustavo Muglia e Guilherme Alegretti Lazzari; Membro da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do CFM. Todas as exposições estão disponíveis no canal do CFM, no Youtube.
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