Por mês, em média, 45 mil pessoas sofrem acidentes de trabalho no Brasil. Por dia, são cerca de 124 ocorrências, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal. Esses cálculos, que comprovam o impacto desse fenômeno sobre a saúde da população e o peso dessas demandas para os serviços assistenciais (públicos e privados) e a Previdência Social, foram feitos pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) a partir da base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No total, entre janeiro de 2023 e maio de 2026 o país registrou 1.843.694 casos desse tipo. Apenas nos cinco primeiros meses desse ano, foram 222.139 ocorrências.
A série histórica desse levantamento, divulgado na semana em que comemora o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (27 de julho), começa em 2023, quando a Portaria nº 217, do Ministério da Saúde, passou a exigir a notificação de todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde. Antes disso, a obrigatoriedade abrangia apenas acidentes graves, fatais e aqueles envolvendo crianças e adolescentes.
Para o presidente da ANAMT, Francisco Cortes Fernandes, a mudança ampliou a capacidade dos serviços de saúde de identificar a dimensão e as características do problema. “Ao ampliar a notificação, passamos a enxergar melhor onde os acidentes acontecem, quem são os trabalhadores expostos e quais circunstâncias mais contribuem para esses eventos. Essas informações são fundamentais para orientar políticas públicas e estratégias de prevenção. Para nós, médicos do trabalho, nos ajudam, como especialidade, a pensar formas de aperfeiçoar a assistência à saúde integral do trabalhador”, afirmou.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA – As regiões Sudeste e Sul concentraram quase três em cada quatro notificações de acidentes de trabalho registradas no Brasil, entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Juntas, responderam por 1.338.895 casos, o equivalente a 72,6% do total nacional. Conforme o presidente da ANAMT, diferenças no tamanho da população ocupada no perfil das atividades econômicas e na capacidade dos serviços de saúde de identificar e notificar os casos influenciam os resultados.
O Sudeste lidera o levantamento, com 788.518 notificações (42,8% do total). Na sequência, vem a Região Sul, onde foram contabilizados 550.377 casos (29,8% do total nacional), e o Nordeste, que registrou 223.250 ocorrências. Nas últimas posições, estão o Centro-Oeste, com 175.366 situações, e o Norte, que somou 106.093.
Distribuição das notificações por região
| Região | Notificações | Participação (%) |
|---|---|---|
| Sudeste | 788.518 | 42,8% |
| Sul | 550.377 | 29,9% |
| Nordeste | 223.250 | 12,1% |
| Centro-Oeste | 175.366 | 9,5% |
| Norte | 106.093 | 5,8% |
| Brasil | 1.843.604 | 100,0% |
Sudeste e Sul somam 1.338.895 notificações, equivalentes a 72,6% do total nacional.
Pela ótica das unidades federativas, no intervalo analisado, cinco estados concentram 67% de todas as notificações do País: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. Os totais absolutos, porém, não representam diretamente o risco de acidente em cada localidade.
São Paulo reúne o maior volume do país, com 533.557 registros, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 245.641 casos, à frente do Paraná (197.011), Minas Gerais (152.192) e Santa Catarina (107.725). Também têm destaque em termos de quantidade de acidentes de trabalho: Bahia (61.663 notificações), Goiás (55.322), Mato Grosso (44.353) e Mato Grosso do Sul (41.306).
Em termos absolutos, estão nas últimas posições do levantamento o Piauí, com 11.820 registros de acidentes de trabalho, Amazonas, com 9.640 casos, Acre, com 8.718, Sergipe, com 5.252, e Amapá, 3.521.
Notificações por unidade da Federação
| UF | Estado | Notificações | Participação (%) |
|---|---|---|---|
| SP | São Paulo | 533.557 | 28,9% |
| RS | Rio Grande do Sul | 245.641 | 13,3% |
| PR | Paraná | 197.011 | 10,7% |
| MG | Minas Gerais | 152.192 | 8,3% |
| SC | Santa Catarina | 107.725 | 5,8% |
| RJ | Rio de Janeiro | 62.652 | 3,4% |
| BA | Bahia | 61.663 | 3,3% |
| GO | Goiás | 55.322 | 3,0% |
| MT | Mato Grosso | 44.353 | 2,4% |
| MS | Mato Grosso do Sul | 41.306 | 2,2% |
| ES | Espírito Santo | 40.117 | 2,2% |
| PE | Pernambuco | 36.667 | 2,0% |
| CE | Ceará | 35.406 | 1,9% |
| DF | Distrito Federal | 34.385 | 1,9% |
| PA | Pará | 34.054 | 1,8% |
| RO | Rondônia | 21.575 | 1,2% |
| PB | Paraíba | 20.872 | 1,1% |
| MA | Maranhão | 20.026 | 1,1% |
| RN | Rio Grande do Norte | 19.657 | 1,1% |
| TO | Tocantins | 15.908 | 0,9% |
| RR | Roraima | 12.677 | 0,7% |
| AL | Alagoas | 11.887 | 0,6% |
| PI | Piauí | 11.820 | 0,6% |
| AM | Amazonas | 9.640 | 0,5% |
| AC | Acre | 8.718 | 0,5% |
| SE | Sergipe | 5.252 | 0,3% |
| AP | Amapá | 3.521 | 0,2% |
Os valores são absolutos. O ranking não mede risco, pois não considera o número de trabalhadores ocupados, o perfil econômico nem diferenças na capacidade de notificação entre os estados
PERFIL DOS ACIDENTADOS – Do total de casos registrados no Brasil, os homens responderam por 1.376.463 notificações entre janeiro de 2023 e maio de 2026, equivalentes a 74,7% do total. As mulheres somaram 466.921 registros, ou 25,3%. Em 220 casos, o sexo foi ignorado.
A maior concentração ocorreu entre pessoas de 20 a 49 anos. O grupo de 20 a 34 anos reuniu 783.598 notificações, enquanto os trabalhadores de 35 a 49 anos responderam por 610.441. Juntas, essas duas faixas etárias concentraram 1.394.039 casos, correspondentes a 75,6% dos registros.
Na faixa de 15 a 19 anos, foram contabilizadas 107.154 notificações. Como a tabela reúne adolescentes menores de 18 anos e jovens de 18 e 19 anos, o resultado não permite identificar quantos casos envolveram trabalho infantil ou adolescentes em atividades proibidas pela legislação.
Francisco Cortes Fernandes ressalta a importância de conhecer esses números. Para ele, é fundamental que as empresas e os governos acompanhem esses indicadores para definir políticas públicas que reduzam a ocorrência de acidentes laborais no Brasil. “Para a Medicina do Trabalho, esses dados ajudam no planejamento de iniciativas amplas, ou até mesmo locais, que atuem diretamente no combate aos riscos que podem comprometer a vida, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores e suas famílias. Esse é nosso foco principal é continuaremos a fazer esse alerta em todos os espaços possíveis”, citou.