Entidade orienta atualização da caderneta vacinal e destaca o papel das empresas e dos médicos do trabalho na prevenção da doença
A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) lança nesta segunda-feira (03) um alerta aos trabalhadores, médicos do trabalho e às empresas sobre a importância da imunização contra o sarampo. A orientação acontece após um surto da doença em São Paulo, na região de São Bernardo do Campo, Guarulhos e na capital paulista, zona de grande fluxo de pessoas e com alto potencial de transmissão do vírus. Ao todo, em território paulista, são 15 casos em monitoramento.
Em nota, a ANAMT ressalta a vacinação contra o sarampo como uma estratégia fundamental para proteger a saúde dos trabalhadores e evitar a reintrodução da doença no país. No documento, a entidade também manifesta apoio à mobilização do Ministério da Saúde (MS) para ampliar a cobertura vacinal e ainda alerta que a manutenção de altos índices de imunização é indispensável para preservar ambientes de trabalho seguros e reduzir o risco de surtos.
Leia o documento na íntegra aqui.
Embora o Brasil tenha recuperado, em 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus do sarampo, a ocorrência de casos importados e de surtos localizados demonstra que o país continua vulnerável sempre que há queda na cobertura vacinal. Segundo a ANAMT, a vacinação permanece como a principal medida de prevenção contra uma doença altamente transmissível e potencialmente grave.
O Brasil, que já foi considerado território livre da doença, em 2019, registrou mais de 21 mil casos. De lá para cá, o país tem reduzido progressivamente a circulação da doença, chegando a nenhum caso em 2023. Em 2024 foram cinco notificações; 2025, 38 registros. Neste ano, até a semana passada, o MS já registou 18 casos, sendo 15 em acompanhamento em São Paulo.
ORIENTAÇÃO – A ANAMT orienta que todos os trabalhadores verifiquem sua situação vacinal e procurem uma Unidade Básica de Saúde sempre que houver dúvidas sobre o esquema de vacinação. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e está disponível gratuitamente em todo o país.
De acordo com o Ministério da Saúde, crianças recebem a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas entre 1 e 29 anos devem comprovar duas doses da vacina, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem possuir pelo menos uma dose registrada, caso não tenham comprovação vacinal anterior. Já os trabalhadores da saúde devem apresentar comprovação de duas doses, independentemente da idade, devido ao maior risco de exposição ocupacional.
EMPRESAS E MÉDICOS DO TRABALHO – Na avaliação da ANAMT, a prevenção do sarampo também depende da atuação das empresas e dos médicos do trabalho. As organizações podem contribuir promovendo campanhas educativas, divulgando informações baseadas em evidências e facilitando o acesso dos trabalhadores aos serviços de vacinação.
Já os médicos do trabalho desempenham papel fundamental ao orientar os trabalhadores durante exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho e demissionais, esclarecendo dúvidas, identificando pessoas suscetíveis e incentivando a atualização da caderneta vacinal, especialmente entre profissionais da saúde e outros grupos mais expostos ao vírus.
SINTOMAS – Manchas avermelhas pelo corpo e febre alta (acima de 38,5°) estão entre os principais sintomas do sarampo. Essas manchas costumam aparecer entre 3 a 5 dias após a infecção pelo vírus e costumam surgir primeiro no rosto e atrás das orelhas e, em seguida, se espalham por outras regiões do corpo. Além das manchas avermelhadas e da febre, a doença também pode causar tosse seca, irritação nos olhos e mal-estar intenso.
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas. O vírus é transmitido de pessoa para pessoa por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou até mesmo respirar. Em pessoas não imunizadas, um único infectado pode transmitir a doença para até 90% dos contatos próximos suscetíveis.