INSS Empresa moderniza acesso a dados previdenciários e deve melhorar a gestão da saúde ocupacional, avalia diretora da ANAMT

Começa a funcionar na sexta-feira (15) o INSS Empresa, uma nova ferramenta criada para facilitar às pessoas jurídicas a consulta sobre afastamentos e benefícios previdenciários de trabalhadores durante a vigência do vínculo empregatício. O sistema substituirá a Consulta Auxílio-Doença por Empresas (Conadem) e promete oferecer acesso mais ágil, completo e integrado às informações previdenciárias, com dados disponíveis desde 2019 e atualização em tempo real.

O acesso ao INSS Empresa será realizado exclusivamente pelo endereço INSS Empresa, mediante autenticação com conta gov.br e uso de certificado digital de pessoa jurídica do tipo A1 ou A3, emitido por autoridades credenciadas pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). O sistema também permitirá autorização de representantes para visualização das informações, desde que possuam conta gov.br com nível prata ou ouro.

INTEGRAÇÃO – Na avaliação da diretora de Legislação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Gilvana Campos, a iniciativa representa um avanço importante na integração entre Previdência Social, empresas e saúde ocupacional. “O INSS Empresa representa uma das mais relevantes iniciativas recentes de integração digital entre a Previdência Social e o setor produtivo brasileiro”, avalia.

Segundo ela, o sistema possui “potencial estratégico relevante”, especialmente por promover maior integração entre os sistemas de gestão previdenciária e os programas corporativos de saúde e segurança do trabalho.

Instituído pela Portaria DTI/DIRBEN/INSS nº 156, de 28 de abril de 2026, o INSS Empresa permitirá a consulta de dados como número e espécie do benefício, situação, datas de requerimento, início, despacho e cessação. Nos casos de benefícios por incapacidade, também estarão disponíveis informações sobre última perícia médica, conclusão da avaliação pericial e existência de nexo técnico, quando houver.

EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA – Para a ANAMT, a nova plataforma pode contribuir para reduzir um dos principais desafios enfrentados pelos serviços de saúde ocupacional: a fragmentação das informações entre empresas, assistência médica e Previdência Social. “A ferramenta deve proporcionar maior eficiência administrativa, incremento da rastreabilidade das informações previdenciárias e fortalecimento das políticas de acompanhamento da saúde do trabalhador”, pontua a diretora.

“Muitas vezes, o médico do trabalho recebia informações incompletas ou tardias sobre a espécie do benefício, o período de afastamento ou mesmo a alta previdenciária. Isso impactava diretamente a condução técnica dos casos e o planejamento do retorno ao trabalho”, comenta Gilvana.

De acordo com a diretora, entre os impactos positivos esperados para a Medicina do Trabalho estão o acompanhamento mais qualificado dos casos de incapacidade laboral, a possibilidade de intervenções precoces, maior efetividade nos programas de reabilitação profissional e melhor planejamento dos processos de retorno ao trabalho.

AFASTAMENTOS – A ferramenta também poderá auxiliar empresas na identificação de padrões epidemiológicos relacionados aos afastamentos, fortalecendo ações preventivas e estratégias de gestão de riscos ocupacionais. “O retorno ao trabalho seguro e sustentável depende de comunicação eficiente entre empresa, trabalhador, Previdência Social e equipe de saúde ocupacional. Quanto maior a previsibilidade sobre a situação previdenciária do empregado, maior a possibilidade de organização prévia de medidas de adaptação funcional e acolhimento no ambiente laboral”, afirma.

Do ponto de vista das empresas, Gilvana avalia que o INSS Empresa deverá representar avanço em governança previdenciária e compliance trabalhista, ao reduzir inconsistências administrativas e otimizar indicadores relacionados ao absenteísmo e aos afastamentos. “Já para os trabalhadores, a expectativa é de maior transparência e menos burocracia nos fluxos administrativos relacionados aos benefícios previdenciários”, comenta.

Na avaliação da especialista, a integração digital pode reduzir burocracias, evitar retrabalho documental e minimizar atrasos decorrentes de falhas de comunicação entre empresa e INSS. “Em tese, isso favorece maior segurança operacional ao trabalhador afastado, especialmente em períodos de transição entre incapacidade, reabilitação e retorno ao trabalho”.

DADOS SENSÍVEIS – Apesar da avaliação favorável, ela chama a atenção que a implementação da plataforma exige atenção rigorosa à proteção de dados pessoais sensíveis e aos princípios previstos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “A proteção da intimidade, da privacidade e do sigilo das informações de saúde do trabalhador deve permanecer como princípio estruturante da atuação médica e institucional”, pontua.

Gilvana também destaca que o sistema não substitui a autonomia técnica do médico do trabalho nem elimina a necessidade de avaliação clínica individualizada. “As informações previdenciárias devem ser compreendidas como instrumento complementar de gestão e integração informacional, e não como mecanismo de simplificação indevida da análise médico-ocupacional”, acrescenta.

Contudo, o sucesso da iniciativa, na avaliação da especialista, dependerá não apenas da eficiência tecnológica da plataforma, mas também da construção de uma cultura institucional pautada pela ética, pela proteção de dados sensíveis, pela valorização da autonomia médica e pela centralidade da saúde e da dignidade do trabalhador.

Por |2026-05-15T17:18:28-03:0015 de maio de 2026|Institucional, Notícias|Comentários desativados em INSS Empresa moderniza acesso a dados previdenciários e deve melhorar a gestão da saúde ocupacional, avalia diretora da ANAMT