No II Fórum da Mulher Médica, promovido pelo CFM, a ANAMT chama atenção para a saúde mental das profissionais

O avanço da presença feminina na medicina brasileira e os desafios enfrentados por essas profissionais foram debatidos nesta sexta-feira (6), durante o II Fórum da Mulher Médica, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília (DF). A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) participou das discussões por meio de sua diretora científica adjunta da entidade, Rosylane Rocha, que também atua como 2ª vice-presidente e coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CFM.

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O encontro reuniu especialistas e lideranças médicas para discutir os impactos da crescente participação feminina na profissão e os desafios estruturais que ainda marcam a carreira médica. Atualmente, as mulheres representam 51,1% dos médicos em atividade no Brasil, somando cerca de 338 mil profissionais registrados nos conselhos regionais. Entre os estudantes de medicina, a presença feminina já chega a 61,8%, indicando que essa predominância deve se intensificar nos próximos anos.

FUTURAS GERAÇÕES – Com as novas gerações avançando na carreira, cresce a expectativa de que mais mulheres ocupem posições estratégicas em sociedades médicas e entidades representativas. Nesse cenário, a geração que hoje está nas faculdades de medicina é vista como a sucessora das atuais lideranças, capaz de ampliar a influência feminina nas decisões que moldam o sistema de saúde brasileiro.

Ao final do encontro, a avaliação das participantes foi de que a mudança demográfica em curso representa não apenas números, mas também uma oportunidade de repensar estruturas da medicina brasileira. A expectativa é que esse novo cenário contribua para formar ambientes de trabalho mais inclusivos e capazes de valorizar plenamente a contribuição das mulheres na profissão.

 

A médica do trabalho, Rosylane Rocha apresentou a palestra “Adoecimento Mental: Panorama Brasil”

BURNOUT – Durante o evento, Rosylane Rocha apresentou a palestra “Adoecimento Mental: Panorama Brasil”, na qual alertou para o crescimento dos transtornos mentais entre médicos e médicas. Segundo ela, a profissão reúne fatores de risco importantes para o adoecimento psíquico, uma vez que demanda alta carga emocional, exigências cognitivas intensas e pressão constante desde a formação. “Os médicos apresentam maior prevalência de sofrimento mental em comparação com a população em geral”, afirmou.

Rosylane destacou que o burnout é reconhecido como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente gerenciado. A síndrome envolve três dimensões principais: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional, o que pode comprometer tanto o desempenho do profissional quanto a qualidade da assistência aos pacientes.

Dados apresentados durante a palestra indicam que o burnout pode afetar até 50% dos médicos ao longo da carreira, com índices superiores a 60% entre médicos residentes. Especialidades como terapia intensiva, emergência, clínica médica, medicina de família e ortopedia aparecem entre as mais expostas ao risco.

SOBRECARGA – A diretora da ANAMT também ressaltou que, no caso das mulheres, o problema tende a ser agravado por fatores estruturais e desigualdades de gênero. A chamada “dupla carga”, que envolve a conciliação entre trabalho médico intenso e responsabilidades familiares, aparece como um dos elementos que aumentam a vulnerabilidade ao adoecimento mental.

Entre os fatores apontados estão a sobrecarga emocional, a expectativa social de maior disponibilidade para o cuidado e a necessidade frequente de provar competência em ambientes ainda marcados por desigualdades. “As médicas muitas vezes precisam trabalhar mais e provar mais que podem mais do que os homens”, observou.

Outro destaque foi a dificuldade que médicos têm em buscar ajuda quando enfrentam problemas de saúde mental, frequentemente devido ao estigma associado ao tema. Para Rosylane, romper esse silêncio é fundamental para proteger os profissionais e também os pacientes. “A saúde mental dos médicos é uma questão de saúde pública. Quando o médico adoece, a qualidade do cuidado diminui e os pacientes também são impactados”, afirmou.

 

 

 

Por |2026-03-09T14:31:58-03:009 de março de 2026|Institucional, Notícias|Comentários desativados em No II Fórum da Mulher Médica, promovido pelo CFM, a ANAMT chama atenção para a saúde mental das profissionais