Médico capixaba prepara as malas para intercâmbio na Itália em processo articulado pela ANAMT

A partir de maio de 2026, a rotina do médico do trabalho Sergio Narciso Lage, 30 anos, morador de Vitória (ES), será em italiano. Com candidatura aprovada pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e pela Universidade Tor Vergata, em Roma, ele embarca para um intercâmbio acadêmico naquela escola da Europa. Ele será o segundo beneficiado com uma parceria firmada entre as duas instituições, acessível apenas aos associados adimplentes em 2026.

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Durante três semanas, ele passará por um treinamento intensivo na área de ergoftalmologia. Natural de Aimorés (MG) e capixaba de coração, Lage é graduado em Medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM) e possui título de especialista em Medicina do Trabalho concedido pela ANAMT/AMB. Atualmente, atua como médico do trabalho e coordena o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) em uma das unidades brasileiras de um grupo espanhol líder no setor de produtos para banheiros.

Nesse bate-papo, o jovem médico fala sobre o processo seletivo promovido pela ANAMT, que oportuniza a especialistas brasileiros o aprofundamento acadêmico e científico na universidade italiana, que figura entre as mais respeitadas da Europa. “Unir o prestígio da ANAMT à excelência da Universidade Tor Vergata é a oportunidade ideal para aplicar essa visão à Medicina do Trabalho e à Ergoftalmologia”, avalia.

´Dr. Sergio Lage foi selecionado e embarca para Roma em maio

Confira a íntegra dessa conversa.

ANAMT – Para conhecê-lo melhor, conte um pouco sobre sua trajetória na Medicina do Trabalho?

Sergio Lage – Minha trajetória na Medicina do Trabalho começou logo após minha graduação, no início de 2020. Iniciei minha atuação como médico examinador em uma clínica de referência em Vitória e, sob a mentoria do seu médico responsável, desenvolvi uma profunda identificação com a área. O que começou como uma prática clínica evoluiu para uma paixão pela preservação da saúde do trabalhador e pela complexidade da gestão ocupacional. Fui aprofundando meus conhecimentos técnico-científicos até que, em 2024, conquistei o título de especialista pela ANAMT/AMB. Logo após essa certificação, assumi o desafio de atuar como Médico do Trabalho Coordenador do PCMSO em uma das unidades nacionais de um grupo multinacional. Hoje, concilio a gestão de saúde de centenas de colaboradores em atividades de alto risco com a atuação em perícias médicas, buscando sempre o equilíbrio entre as exigências normativas e o bem-estar no ambiente laboral.

ANAMT – O que o motivou a se inscrever nesse intercâmbio promovido pela ANAMT e a Universidade Tor Vergata?

SL – O que me motivou foi a possibilidade de unir o rigor científico à riqueza do intercâmbio cultural, algo que considero fundamental para uma formação médica humanista. Sempre tive um profundo interesse em atividades acadêmicas internacionais por entender que elas vão além da troca de conhecimentos técnicos, abrangendo questões comportamentais e filosóficas que moldam nossa prática. Tive uma experiência muito rica durante a graduação, quando realizei um intercâmbio na China focado em Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa, além de ter atuado na recepção de intercambistas estrangeiros na minha instituição de origem. Acredito que conciliar a prática clínica com a produção científica internacional nos permite colaborar com a comunidade global e gerar impactos que vão além da nossa atuação local. Unir o prestígio da ANAMT à excelência da Universidade Tor Vergata é a oportunidade ideal para aplicar essa visão à Medicina do Trabalho e à ergoftalmologia.

ANAMT – Como recebeu a notícia de aprovação do seu projeto? Qual tema da sua pesquisa?

SL – Receber a notícia da aprovação foi extremamente animador e gratificante. O tema central da minha pesquisa é a ergoftalmologia, uma subárea dedicada à interface entre o trabalho e a visão. O objetivo é estudar como adaptar o ambiente e as ferramentas laborais para proteger e otimizar a saúde visual dos trabalhadores. Em um mundo cada vez mais conectado a telas e dispositivos digitais, entender essa dinâmica é crucial para prevenir a fadiga visual e outras patologias oculares relacionadas ao trabalho. Minha meta neste intercâmbio é focar tanto no aprendizado de novas metodologias quanto na produção científica de alto impacto nessa área.

ANAMT – Pode nos contar um pouco mais sobre seu projeto de pesquisa?

SL – Atualmente estou no Brasil. O intercâmbio ocorrerá em maio e terá a duração de três semanas. Será um período de treinamento intensivo e imersão total na Universidade Tor Vergata, com foco específico em ergoftalmologia. Quanto ao projeto, ele é parte integrante de um ciclo de pesquisa mais amplo. Esse período na Itália será crucial para consolidar o aprendizado de metodologias avançadas junto a especialistas internacionais. A previsão é que os resultados colhidos durante essa experiência na Tor Vergata sejam sintetizados e concluídos ao longo dos próximos meses, contribuindo diretamente a produção científica e para a aplicação prática na saúde ocupacional aqui no Brasil.

ANAMT – Quais suas expectativas em relação à experiência acadêmica e profissional na Itália?

SL – As expectativas são muito boas, tanto pelo prestígio da Universidade Tor Vergata quanto pela vanguarda europeia nos estudos de ergonomia. Espero absorver metodologias avançadas de avaliação da fadiga visual e do impacto das novas tecnologias no ambiente de trabalho. Acredito que essa imersão poderá permitir refinar o olhar crítico para a gestão de riscos, além de fortalecer uma rede de colaboração científica internacional, algo que considero essencial para o avanço da medicina baseada em evidências.

ANAMT – Que aprendizados acredita que essa vivência pode trazer para sua atuação?

SL – O principal aprendizado será a capacidade de transpor o conhecimento teórico para soluções práticas no dia a dia das empresas. Conhecer protocolos de prevenção e diagnóstico mais precisos podem ajudar a reduzir o absenteísmo e a melhorar o conforto e a produtividade dos trabalhadores.

ANAMT – Na sua avaliação, qual é a importância desse intercâmbio para a ANAMT e para a Medicina do Trabalho?

SL – Este intercâmbio materializa o compromisso da ANAMT com a internacionalização do conhecimento e com a excelência científica de seus membros. Para a Medicina do Trabalho brasileira, essa parceria com a Universidade Tor Vergata sinaliza que estamos alinhados com os centros de pesquisa mais importantes do mundo. Fortalecer esses laços permite que a nossa especialidade não apenas consuma ciência estrangeira, mas também participe ativamente da sua construção. É uma oportunidade de mostrar a qualidade da nossa medicina ocupacional e de retornar ao país com subsídios que elevam o padrão da prática profissional

Por |2026-02-13T15:48:30-03:0013 de fevereiro de 2026|Institucional, Notícias|Comentários desativados em Médico capixaba prepara as malas para intercâmbio na Itália em processo articulado pela ANAMT