{"id":53765,"date":"2026-05-18T16:55:20","date_gmt":"2026-05-18T19:55:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=53765"},"modified":"2026-05-18T16:55:20","modified_gmt":"2026-05-18T19:55:20","slug":"diretrizes-da-oms-acendem-alerta-para-prevencao-seguranca-e-cuidado-no-ambiente-laboral-relacionados-ao-uso-de-opioides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2026\/05\/18\/diretrizes-da-oms-acendem-alerta-para-prevencao-seguranca-e-cuidado-no-ambiente-laboral-relacionados-ao-uso-de-opioides\/","title":{"rendered":"Diretrizes da OMS acendem alerta para preven\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e cuidado no ambiente laboral relacionados ao uso de opioides"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O debate sobre o uso de opioides e seus impactos na sa\u00fade p\u00fablica ganhou novo cap\u00edtulo ap\u00f3s a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) comunicar, em abril, a necessidade de ampliar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o a overdoses e orienta\u00e7\u00f5es para o tratamento da depend\u00eancia. O tema, que j\u00e1 mobiliza sistemas de sa\u00fade em diferentes pa\u00edses, tamb\u00e9m passou a integrar a agenda da medicina ocupacional, diante da sua repercuss\u00e3o na seguran\u00e7a, produtividade e continuidade operacional nas empresas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), esse assunto tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o. Na entrevista a seguir, o diretor cient\u00edfico da entidade, Ricardo Turenko, analisa os reflexos das diretrizes da OMS para a Medicina do Trabalho, comenta os riscos associados ao uso de opioides no ambiente laboral e explica como profissionais da \u00e1rea podem atuar diante de casos de uso problem\u00e1tico ou depend\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ricardo Turenko \u00e9 m\u00e9dico do trabalho e ergonomista, especialista pela ANAMT, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Per\u00edcia M\u00e9dica. Ele tamb\u00e9m integra a C\u00e2mara T\u00e9cnica de Medicina do Trabalho do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e coordena a Comiss\u00e3o de Estudo Especial de Ergonomia \u2013 Antropometria e Biomec\u00e2nica (ABNT\/CEE-136) da ABNT. Al\u00e9m disso, \u00e9 membro da Ergonomics International School (EPMIES), em Mil\u00e3o, e foi secret\u00e1rio nacional do Brasil na International Commission on Occupational Health (ICOH) entre 2022 e 2024. Confira!\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>ANAMT &#8211; Sob o ponto de vista da Medicina do Trabalho, qual a avalia\u00e7\u00e3o sobre as diretrizes da OMS que est\u00e3o em curso?<\/b><\/p>\n<p><b>Ricardo Turenko<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; Para a Medicina do Trabalho, as diretrizes da OMS consolidam tr\u00eas mensagens pr\u00e1ticas: (1) prevenir a transi\u00e7\u00e3o do uso terap\u00eautico para uso problem\u00e1tico, por meio de vigil\u00e2ncia cl\u00ednica e racionalidade terap\u00eautica; (2) tratar depend\u00eancia como condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, com terapias efetivas, como tratamento com agonistas opioides (metadona e buprenorfina), quando indicado; e (3) reduzir mortes por overdose com medidas de prontid\u00e3o, como disponibilidade de naloxona e treinamento em resposta a emerg\u00eancias. A OMS j\u00e1 havia publicado diretriz espec\u00edfica para manejo comunit\u00e1rio de overdose por opioides, em 2014, com foco em ampliar acesso \u00e0 naloxona e primeiros socorros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ANAMT &#8211; O uso de opioides deve ser uma preocupa\u00e7\u00e3o para o Brasil?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b><br \/>\n<\/b><b>RT &#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, como preocupa\u00e7\u00e3o preventiva e de vigil\u00e2ncia, ainda que o Brasil n\u00e3o tenha o mesmo padr\u00e3o epid\u00eamico observado em alguns pa\u00edses. H\u00e1 evid\u00eancias de crescimento nas vendas e prescri\u00e7\u00f5es de opioides no pa\u00eds em per\u00edodos analisados por institui\u00e7\u00f5es nacionais, sugerindo maior exposi\u00e7\u00e3o populacional. Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de sistemas de vigil\u00e2ncia consolidados e dados padronizados refor\u00e7a a necessidade de monitoramento cont\u00ednuo. O controle sanit\u00e1rio de subst\u00e2ncias no Brasil \u00e9 um fator de prote\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o elimina o risco de uso inadequado, depend\u00eancia e eventos adversos.<\/span><\/p>\n<p><b><br \/>\n<\/b><b>ANAMT &#8211; Essa preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou ao setor produtivo, em especial aos trabalhadores?<\/b><b><br \/>\n<\/b><b>RT &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Ela chega ao setor produtivo de forma heterog\u00eanea. \u00c9 mais vis\u00edvel em segmentos com maior preval\u00eancia de dor cr\u00f4nica e agravos osteomusculares, como LER\/DORT, em p\u00f3s-operat\u00f3rios e em contextos com maior risco psicossocial. A tend\u00eancia global de expans\u00e3o de mercados e uso de drogas refor\u00e7a que o tema deve entrar na pauta de preven\u00e7\u00e3o e sa\u00fade ocupacional, mesmo sem uma \u201ccrise declarada\u201d no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ANAMT &#8211; De que forma o uso de opioides impacta a sa\u00fade do trabalhador e a produtividade?<\/b><\/p>\n<p><b>RT<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; Mesmo quando prescritos, opioides podem provocar efeitos com impacto direto na seguran\u00e7a e desempenho, como seda\u00e7\u00e3o, lentifica\u00e7\u00e3o psicomotora, preju\u00edzo cognitivo e risco de acidentes, al\u00e9m do risco de depend\u00eancia e overdose em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como combina\u00e7\u00f5es com \u00e1lcool e benzodiazep\u00ednicos, altas doses ou redu\u00e7\u00e3o de toler\u00e2ncia ap\u00f3s per\u00edodos sem uso. Em atividades cr\u00edticas, que incluem contato com m\u00e1quinas, altura, dire\u00e7\u00e3o e eletricidade, isso pode se traduzir em maior risco ocupacional e aumento de absente\u00edsmo, presente\u00edsmo e falhas operacionais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ANAMT &#8211; De que forma a Medicina do Trabalho atua diante do uso de opioides no ambiente laboral?<\/b><b><br \/>\n<\/b><b>RT &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A atua\u00e7\u00e3o costuma se organizar em tr\u00eas frentes. Primeiro, na preven\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, com orienta\u00e7\u00e3o sobre riscos, intera\u00e7\u00f5es e cuidados em atividades cr\u00edticas. Segundo, na gest\u00e3o de aptid\u00e3o e seguran\u00e7a, com avalia\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o e atividade e, quando necess\u00e1rio, restri\u00e7\u00f5es funcionais tempor\u00e1rias, sem exposi\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico ao empregador. Terceiro, no envolvimento com o cuidado e encaminhamento, com identifica\u00e7\u00e3o de uso problem\u00e1tico e acionamento da rede assistencial, al\u00e9m de plano de retorno ao trabalho e acompanhamento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ANAMT &#8211; Se o m\u00e9dico do trabalho se deparar com um colaborador com problemas com opioides, qual orienta\u00e7\u00e3o ele deve seguir?<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>RT &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Uma orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e \u00e9tica \u00e9 acolher e preservar o sigilo, comunicando ao Departamento de Recursos Humanos apenas informa\u00e7\u00f5es funcionais, como aptid\u00e3o, restri\u00e7\u00f5es e prazos. Al\u00e9m disso, deve estratificar o risco ocupacional, avaliar sinais de uso problem\u00e1tico, como sonol\u00eancia excessiva, acidentes, faltas e queda de desempenho e encaminhar para avalia\u00e7\u00e3o e tratamento quando houver suspeita de depend\u00eancia. Outro ponto \u00e9 preparar o ambiente para emerg\u00eancias, especialmente onde houver risco plaus\u00edvel de overdose. Tamb\u00e9m deve organizar plano de retorno ao trabalho com metas cl\u00ednicas e funcionais e reavalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica. Em resumo, o tema deve ser tratado como risco \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a, com abordagem n\u00e3o punitiva, centrada em cuidado, preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do ambiente laboral.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre o uso de opioides e seus impactos na sa\u00fade p\u00fablica ganhou novo cap\u00edtulo ap\u00f3s a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) comunicar, em abril, a necessidade de ampliar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o a overdoses e orienta\u00e7\u00f5es para o tratamento da depend\u00eancia. 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