{"id":49951,"date":"2024-05-13T12:47:14","date_gmt":"2024-05-13T15:47:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=49951"},"modified":"2024-05-13T13:03:06","modified_gmt":"2024-05-13T16:03:06","slug":"desastres-naturais-enchentes-x-doencas-envolvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2024\/05\/13\/desastres-naturais-enchentes-x-doencas-envolvidas\/","title":{"rendered":"Desastres naturais (Enchentes) x Doen\u00e7as envolvidas"},"content":{"rendered":"<p><em>Dr. Jo\u00e3o Marcelo Ramalho, diretor cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Cearense de Medicina do Trabalho (ACEMT)<\/em><\/p>\n<p>As enchentes, resultado de eventos naturais como fortes chuvas, transbordamento de rios ou rupturas de barragens, representam uma das mais devastadoras cat\u00e1strofes que a humanidade enfrenta. Al\u00e9m das perdas materiais, sociais e emocionais, as enchentes carregam consigo uma s\u00e9rie de riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, desencadeando uma variedade de doen\u00e7as emergentes que podem agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-desastre. Neste texto, exploraremos as principais doen\u00e7as esperadas em casos de enchentes, seus impactos e as medidas preventivas necess\u00e1rias para mitigar esses efeitos.<\/p>\n<p>Vale lembrar ainda que tais doen\u00e7as poder\u00e3o acontecer tanto com a popula\u00e7\u00e3o v\u00edtima das enchentes quanto com os trabalhadores envolvidos em servi\u00e7os e em atividades voltadas para o desastre natural.<\/p>\n<p>1. Doen\u00e7as Transmitidas pela \u00c1gua<\/p>\n<p>Um dos principais riscos de sa\u00fade associados \u00e0s enchentes \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua, causadas por microrganismos patog\u00eanicos presentes em \u00e1guas contaminadas. Entre essas doen\u00e7as, destacam-se as doen\u00e7as diarreicas, que s\u00e3o causadas por bact\u00e9rias, v\u00edrus e parasitas encontrados nos microrganismos presentes nos esgotos e nas fezes de animais. A circula\u00e7\u00e3o frequente \u00e9 dos norov\u00edrus que atinge todas as faixas et\u00e1rias, somado aos enterov\u00edrus, Rotav\u00edrus, bact\u00e9rias como Escherichia coli, Salmonella, Shigella,e outras. Durante as enchentes e inunda\u00e7\u00f5es os microrganismos presentes em esgotos podem se misturar \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 lama das enxurradas, al\u00e9m de contaminar alimentos, utens\u00edlios e lou\u00e7as. \u00c9 necess\u00e1rio observar que n\u00e3o se fa\u00e7a o consumo de \u00e1gua contaminada. Al\u00e9m disso, deve-se evitar o contato direto com a \u00e1gua contaminada e com lama\u00e7ais produzidos nessas enchentes. Ouras doen\u00e7as que podemos encontrar s\u00e3o: a leptospirose, a febre tifoide, a hepatite A e o T\u00e9tano. A \u00e1gua contaminada pelas enchentes se torna um meio prop\u00edcio para a prolifera\u00e7\u00e3o desses agentes infecciosos, aumentando significativamente o risco de surtos e epidemias.<\/p>\n<p>No caso das doen\u00e7as diarreicas, \u00e9 fundamental manuten\u00e7\u00e3o da hidrata\u00e7\u00e3o do paciente, observar os sinais e sintomas apresentados (Presen\u00e7a de diarreia aquosa, com muco ou sangue? Mal-estar geral? Dor abdominal? N\u00e1usea e v\u00f4mito? Febre?) para poder direcionar a conduta terap\u00eautica adequada.<\/p>\n<p>Em casos de leptospirose, temos de lembrar que em sua fase precoce haver\u00e1 apresenta\u00e7\u00e3o de uma s\u00edndrome febril aguda com febre alta; calafrios; mialgias intensas; vasodilata\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea e de mucosa com eritemas; sufus\u00e3o conjuntival; hepato e\/ou esplenomegalia e linfadenopatia, dentre outros sintomas. Geralmente, \u00e9 autolimitada e dura entre 3 e 7 dias, sem sequelas \u00e0 s\u00edndrome febril aguda com febre alta.<\/p>\n<p>Cerca de 15% dos pacientes poder\u00e3o evoluir com a fase tardia caracterizada por manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas graves que iniciam ap\u00f3s a primeira semana da doen\u00e7a ou podem ocorrer precocemente em evolu\u00e7\u00f5es fulminantes. A manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da leptospirose grave \u00e9 a s\u00edndrome de Weil, composta pela tr\u00edade de icter\u00edcia, insufici\u00eancia renal e hemorragia, mais comumente pulmonar. A icter\u00edcia (icter\u00edcia rub\u00ednica) aparece entre o 3o e o 7o dia da doen\u00e7a e \u00e9 um preditor de pior progn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Como a maioria das ocorr\u00eancias \u00e9 autolimitada e os pacientes melhoram espontaneamente, embora ainda controverso, o tratamento n\u00e3o \u00e9 indicado para todos os casos suspeitos. Pacientes h\u00edgidos com forma anict\u00e9rica e sem manifesta\u00e7\u00f5es hemorr\u00e1gicas podem ser tratados apenas com sintom\u00e1ticos. Para pacientes com a forma ict\u00e9rica e aqueles com comorbidades e\/ou manifesta\u00e7\u00f5es hemorr\u00e1gicas, a administra\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3tico \u00e9 o tratamento de escolha.<\/p>\n<p>Em casos de Febre Tifoide, a transmiss\u00e3o se d\u00e1 por via fecal-oral, por contato direto com as m\u00e3os do doente ou do portador, ingest\u00e3o de \u00e1gua ou alimentos contaminados por fezes ou urina de carreadores assintom\u00e1ticos ou contato com f\u00f4mites contaminados. Infec\u00e7\u00f5es subcl\u00ednicas podem ocorrer com a ingest\u00e3o de n\u00famero menor de bact\u00e9rias. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dia, \u00e9 de duas semanas (1-3 semanas), dependendo da dose infectante. A apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica inclui febre alta prolongada, fadiga, mal-estar, cefaleia, dor abdominal difusa, constipa\u00e7\u00e3o, hiporexia, dissocia\u00e7\u00e3o pulso\/temperatura, tosse seca, manchas rosadas no tronco e hepatoesplenomegalia. O diagn\u00f3stico \u00e9 primariamente cl\u00ednico e complementado por cultura. O tratamento com antimicrobiano geralmente melhora o quadro em dois dias e, mais marcadamente, em 4-5 dias.<\/p>\n<p>Em casos de Hepatite A, a infec\u00e7\u00e3o causada pelo v\u00edrus da hepatite A (HAV), transmitido frequentemente pela via fecal-oral e que n\u00e3o se cronifica. No caso das enchentes, a transmiss\u00e3o esperada seria pela ingest\u00e3o de alimentos ou \u00e1gua contaminados.<\/p>\n<p>Inicialmente, a sintomatologia costuma ser inespec\u00edfica: n\u00e1useas, v\u00f4mitos, anorexia, febre, mal-estar e dor abdominal. De dias a semanas, podem surgir col\u00faria e acolia fecal seguidas por icter\u00edcia e prurido. Os sintomas iniciais tendem a se reduzir quando aparece a icter\u00edcia, cujo pico acontece tipicamente em 2 semanas. Em geral, ap\u00f3s 3 meses, o paciente est\u00e1 recuperado. Cerca de 70% dos adultos apresentam a forma sintom\u00e1tica. Crian\u00e7as &lt; 6 anos habitualmente s\u00e3o assintom\u00e1ticas. A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma importante medida de preven\u00e7\u00e3o dessa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00e9tano, temos uma doen\u00e7a aguda associada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de exotoxinas de Clostridium tetani, que atuam em est\u00edmulos hiperexcitat\u00f3rios no sistema nervoso central. Ap\u00f3s a inocula\u00e7\u00e3o de esporos da bact\u00e9ria em mucosas e em pele por ferimentos ou cortes, sejam esses superficiais ou profundos, e em condi\u00e7\u00f5es de anaerobiose, os esporos podem germinar e ativar a produ\u00e7\u00e3o das exotoxinas: tetanopasmina e tetanolisina. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o ocorre a partir do ferimento, e o in\u00edcio dos sintomas \u00e9 de 5-15 dias com varia\u00e7\u00e3o de 3 a 21 dias, sendo a evolu\u00e7\u00e3o em curtos per\u00edodos de pior progn\u00f3stico. Em seu quadro cl\u00ednico, os sinais e os sintomas inespec\u00edficos incluem febre baixa (pode estar ausente), dificuldade de abertura da cavidade oral e de deambular, com evolu\u00e7\u00e3o para os sintomas cl\u00e1ssicos (trismo e\/ou riso sard\u00f4nico; hipertonias musculares localizadas ou generalizadas, rigidez cervical e rigidez paravertebral com evolu\u00e7\u00e3o para poss\u00edvel opist\u00f3tono); que indicam acometimento neurol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A abordagem terap\u00eautica envolve: Seda\u00e7\u00e3o\/relaxamento do paciente; neutraliza\u00e7\u00e3o da toxina com soro antitet\u00e2nico, ou imunoglobulina humana antitet\u00e2nica; desbridamento do foco infeccioso para a elimina\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria; antibioticoterapia e medidas de suporte.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e profilaxia do t\u00e9tano, a vacina\u00e7\u00e3o em dia e o manejo adequado de ferimentos (desinfec\u00e7\u00e3o; lavar com soro fisiol\u00f3gico e subst\u00e2ncias oxidantes ou antiss\u00e9pticas; remover corpos estranhos e tecidos desvitalizados; desbridamento do ferimento e lavagem com \u00e1gua oxigenada) ser\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>2.Infec\u00e7\u00f5es Respirat\u00f3rias e Dermatol\u00f3gicas<\/p>\n<p>Al\u00e9m das doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua, as enchentes tamb\u00e9m podem levar ao aumento das infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 umidade e ao ac\u00famulo de mofo e fungos em ambientes inundados. As pessoas afetadas podem desenvolver quadros de bronquite, pneumonia e outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Al\u00e9m disso, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua contaminada pode causar dermatites, infec\u00e7\u00f5es de pele e feridas, especialmente em \u00e1reas onde h\u00e1 contato direto com as \u00e1guas contaminadas.<\/p>\n<p>3. Doen\u00e7as Transmitidas por Vetores<\/p>\n<p>Outro grande desafio enfrentado em situa\u00e7\u00f5es de enchentes \u00e9 o aumento da prolifera\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as, como mosquitos, moscas e roedores. Isso pode levar a um aumento dos casos de doen\u00e7as como dengue, zika, chikungunya e mal\u00e1ria. As \u00e1guas paradas deixadas pelas enchentes oferecem locais ideais para a reprodu\u00e7\u00e3o desses vetores, aumentando o risco de transmiss\u00e3o dessas doen\u00e7as para a popula\u00e7\u00e3o afetada.<\/p>\n<p>4. Traumas e Dist\u00farbios Psicossociais<\/p>\n<p>Al\u00e9m das doen\u00e7as f\u00edsicas, as enchentes tamb\u00e9m t\u00eam impactos significativos na sa\u00fade mental e emocional das pessoas afetadas. O trauma causado pela perda de entes queridos, de bens materiais e pela necessidade de reconstruir suas vidas pode levar a dist\u00farbios psicol\u00f3gicos, como ansiedade, depress\u00e3o e estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. \u00c9 essencial que as autoridades e organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental estejam preparadas para oferecer apoio psicossocial \u00e0s comunidades atingidas.<\/p>\n<p>5. Medidas Preventivas e Mitigadoras<\/p>\n<p>Diante desses desafios, \u00e9 crucial adotar medidas preventivas e mitigadoras para reduzir os impactos das enchentes na sa\u00fade p\u00fablica. Entre as principais a\u00e7\u00f5es a serem tomadas, destacam-se:<\/p>\n<p>\u2022 Monitoramento e alerta precoce: sistemas eficazes de monitoramento e alerta precoce podem ajudar a prevenir surtos de doen\u00e7as, permitindo que as comunidades ajam rapidamente para se protegerem.<br \/>\n\u2022 Melhoria da infraestrutura de saneamento: investimentos na melhoria da infraestrutura de saneamento b\u00e1sico s\u00e3o fundamentais para reduzir a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e prevenir a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua.<br \/>\n\u2022 Educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o: programas de educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica s\u00e3o essenciais para informar as comunidades sobre os riscos \u00e0 sa\u00fade associados \u00e0s enchentes e as medidas que podem ser tomadas para se protegerem.<br \/>\n\u2022 Acesso a cuidados de sa\u00fade: garantir o acesso a cuidados de sa\u00fade de qualidade \u00e9 fundamental para o tratamento eficaz das doen\u00e7as emergentes e para o apoio \u00e0s comunidades afetadas.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, as enchentes representam uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, desencadeando uma s\u00e9rie de doen\u00e7as emergentes que podem agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-desastre. No entanto, com medidas preventivas adequadas e uma resposta coordenada das autoridades e da sociedade civil, \u00e9 poss\u00edvel reduzir significativamente os impactos das enchentes na sa\u00fade das comunidades afetadas.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>1. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (BR), Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Servi\u00e7os. Guia de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. 3a ed. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2019.<br \/>\n2. GUIA B\u00c1SICO PARA RISCOS E CUIDADOS COM A SA\u00daDE AP\u00d3S ENCHENTES, informe t\u00e9cnico\/ CEVS 2023, RS.<br \/>\n3. Ensuring safety and health at work in a changing climate. ILO- International Labour Organization. Extreme Weather Events.<br \/>\n4. Whitebook, PEBMED.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dr. Jo\u00e3o Marcelo Ramalho, diretor cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Cearense de Medicina do Trabalho (ACEMT) As enchentes, resultado de eventos naturais como fortes chuvas, transbordamento de rios ou rupturas de barragens, representam uma das mais devastadoras cat\u00e1strofes que a humanidade enfrenta. 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