{"id":45105,"date":"2022-08-08T09:02:48","date_gmt":"2022-08-08T12:02:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=45105"},"modified":"2022-08-08T09:02:48","modified_gmt":"2022-08-08T12:02:48","slug":"condicao-de-trabalho-interfere-na-duracao-de-aleitamento-materno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2022\/08\/08\/condicao-de-trabalho-interfere-na-duracao-de-aleitamento-materno\/","title":{"rendered":"Condi\u00e7\u00e3o de trabalho interfere na dura\u00e7\u00e3o de aleitamento materno"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa publicada hoje (5) revela que m\u00e3es em ocupa\u00e7\u00f5es manuais semiespecializadas (manicures, sapateiras, padeiras, auxiliares de laborat\u00f3rios, feirantes, entre outros) e com jornadas de trabalho de 8 ou mais horas di\u00e1rias deixam com mais frequ\u00eancia de alimentar seus filhos exclusivamente com o leite materno durante os quatro ou seis meses ap\u00f3s o parto. A pesquisa, publicada na Revista Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, recolheu dados de 5.166 m\u00e3es de nascidos vivos em 2010 na capital do estado do Maranh\u00e3o, S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da pesquisa, entre as mulheres que n\u00e3o t\u00eam nenhum tipo de trabalho remunerado (que, em tese, t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es para manter o aleitamento materno exclusivo), 46% mantiveram o leite materno como \u00fanico alimento de seus beb\u00eas at\u00e9 o quarto m\u00eas de vida.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre as m\u00e3es que est\u00e3o em ocupa\u00e7\u00f5es manuais semiespecializadas o percentual caiu para 34%, mesmo \u00edndice das m\u00e3es com jornadas de trabalho de 8 ou mais horas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostrou que as m\u00e3es com ocupa\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rio, que trabalhavam 4-5 dias ou 6-7 dias\/semana e por 5-7 horas tamb\u00e9m praticaram menos o aleitamento materno exclusivo at\u00e9 o sexto m\u00eas.<\/p>\n<p>Diversos estudos sobre o tema j\u00e1 indicam que o trabalho materno remunerado como um dos fatores para a interrup\u00e7\u00e3o do aleitamento materno exclusivo (s\u00f3 leite do peito, sem ch\u00e1, \u00e1gua, outros leites, outras bebidas ou alimentos) antes de a crian\u00e7a completar seis meses.<\/p>\n<p>A pediatra, pesquisadora e professora do departamento de Medicina da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) Mariz\u00e9lia Ribeiro observa que um dos principais efeitos negativos do retorno das mulheres para o trabalho antes de a crian\u00e7a completar seis meses \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do leite materno, o que acaba contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o do aleitamento materno exclusivo, em especial, quando a jornada \u00e9 integral.<\/p>\n<p>Uma das autoras da pesquisa e de outros trabalhos com foco em sa\u00fade materno-infantil, Mariz\u00e9lia disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que, geralmente, os estudos sobre o tema acabam se restringindo a apenas registrar se a m\u00e3e tem ou n\u00e3o algum tipo de trabalho remunerado e que sentiu a necessidade de aprofundar a hip\u00f3tese sobre como as atividade de trabalho interferem na interrup\u00e7\u00e3o do aleitamento materno exclusivo.<\/p>\n<p>Segundo ela, a ideia foi motivada pelo acompanhamento e observa\u00e7\u00e3o de m\u00e3es em uma unidade de sa\u00fade da capital maranhense que j\u00e1 come\u00e7avam a demonstrar uma forte apreens\u00e3o sobre como fazer para n\u00e3o interromper o aleitamento materno exclusivo.<\/p>\n<p>\u201cEssas m\u00e3es s\u00e3o m\u00e3es pobres que, quando chegava ali perto do terceiro m\u00eas de vida dos beb\u00eas, come\u00e7avam a ter uma inquieta\u00e7\u00e3o muito grande sobre como fazer para n\u00e3o interromper o aleitamento materno dessas crian\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece como obrigat\u00f3ria a licen\u00e7a maternidade por 120 dias, podendo ser iniciada at\u00e9 28 dias antes do parto. J\u00e1 o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda o aleitamento materno exclusivo (AME) at\u00e9 o sexto m\u00eas de vida da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisadora observa, entretanto, que a realidade aponta para um cen\u00e1rio diferente, uma vez que muitas dessas m\u00e3es est\u00e3o no mercado informal, portanto, sem a possibilidade de usufruir da licen\u00e7a. Al\u00e9m disso, ela observa que o mercado acaba pressionando as mulheres para um retorno precoce ao trabalho.<\/p>\n<p>\u201cNa maioria das vezes \u00e9 uma jornada de trabalho integral. Elas devem ter uma licen\u00e7as maternidade de apenas at\u00e9 o quarto m\u00eas e n\u00e3o de seis meses, como \u00e9 recomendado. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho inseguras, pois est\u00e3o em profiss\u00f5es onde n\u00e3o \u00e9 exigido ter capacita\u00e7\u00e3o e por n\u00e3o ter a capacita\u00e7\u00e3o, ela aceita e se submete a condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais insalubres\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Aleitamento em p\u00fablico<\/p>\n<p>Mariz\u00e9lia destaca ainda a exist\u00eancia de um preconceito social praticado contra as mulheres que amamentam em p\u00fablico e que, apesar de alguns avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, isso tamb\u00e9m \u00e9 muito presente no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o percebem que quando a crian\u00e7a est\u00e1 sendo amamentada est\u00e1 se fazendo um investimento na m\u00e3e e naquela crian\u00e7a que vai ser uma crian\u00e7a mais saud\u00e1vel, com mais possibilidade de atingir a sua potencialidade, porque j\u00e1 se sabe que morre menos, tem menos doen\u00e7as cr\u00f4nicas, tem maior possibilidade de ser uma pessoa com um melhor desempenho cognitivo\u201d, argumentou. \u201cO aleitamento materno \u00e9 mais adequado para esse c\u00e9rebro que est\u00e1 se desenvolvendo e as pessoas n\u00e3o conseguem perceber que isso \u00e9 um investimento a longo prazo de uma sa\u00fade global\u201d, reiterou.<\/p>\n<p>Tripla jornada<br \/>\nAl\u00e9m do retorno mais cedo para o trabalho, outro ponto observado na pesquisa para justificar a interrup\u00e7\u00e3o do aleitamento materno exclusivo \u00e9 a dupla ou tripla jornada de trabalho a que essas m\u00e3es s\u00e3o submetidas. Isso, inclusive, dificulta a possibilidade de retirada e armazenamento do leite materno. Os dados do estudo mostraram que 54% das entrevistadas realizavam sozinhas os trabalhos de casa.<\/p>\n<p>\u201cDificilmente, com a jornada de trabalho integral, ela consegue manter o aleitamento exclusivo. Porque ela tem a jornada fora de casa de 8 horas, ela demora duas horas ou mais no tr\u00e2nsito e, quando chega em casa, ainda tem o trabalho de casa\u201d, disse. \u201cComo \u00e9 que ela vai tirar leite? Tirar leite n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque ela chega cansada em casa, tem que fazer comida, tem que ver as outras crian\u00e7as, tem as coisas para lavar, arrumar a casa, tem que fazer tudo isso para, no outro dia, estar trabalhando\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mariz\u00e9lia defende a ado\u00e7\u00e3o de uma licen\u00e7a maternidade integral de seis meses para todas as mulheres, como uma das medidas para reverter esse quadro.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma licen\u00e7a, mas uma licen\u00e7a com todas as outras condi\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o, de oportunidade de trabalho, de mudan\u00e7a cultural do que significa o aleitamento materno e do que significa uma crian\u00e7a amamentar na vida\u201d, defendeu.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa publicada hoje (5) revela que m\u00e3es em ocupa\u00e7\u00f5es manuais semiespecializadas (manicures, sapateiras, padeiras, auxiliares de laborat\u00f3rios, feirantes, entre outros) e com jornadas de trabalho de 8 ou mais horas di\u00e1rias deixam com mais frequ\u00eancia de alimentar seus filhos exclusivamente com o leite materno durante os quatro ou seis meses ap\u00f3s o parto. 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