{"id":43752,"date":"2022-01-12T08:36:00","date_gmt":"2022-01-12T11:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=43752"},"modified":"2022-01-12T08:37:41","modified_gmt":"2022-01-12T11:37:41","slug":"variante-omicron-desfalca-equipes-de-hospitais-e-afastamentos-ja-afetam-servicos-de-saude-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2022\/01\/12\/variante-omicron-desfalca-equipes-de-hospitais-e-afastamentos-ja-afetam-servicos-de-saude-no-pais\/","title":{"rendered":"\u00d4micron desfalca equipes de hospitais, e afastamentos j\u00e1 afetam servi\u00e7os de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A recente explos\u00e3o no n\u00famero de casos de Covid-19 come\u00e7a a preocupar um grupo fundamental no combate \u00e0 pandemia \u2014 os profissionais de sa\u00fade. Embora faltem dados oficiais, levantamento feito pelo GLOBO com institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do setor p\u00fablico e privado mostra o in\u00edcio do crescimento de afastamentos do trabalho por s\u00edndrome gripal, em especial Covid-19, a partir do fim de dezembro.<\/p>\n<p>A cidade de S\u00e3o Paulo tem uma das altas mais expressivas. O n\u00famero de profissionais de sa\u00fade da rede p\u00fablica afastados ap\u00f3s terem contra\u00eddo Covid-19 quase triplicou em menos de um m\u00eas. Segundo dados da prefeitura, em 9 de dezembro do ano passado, o munic\u00edpio estava desfalcado em 90 profissionais por conta da doen\u00e7a. Quatro semanas depois, no dia 6 de janeiro de 2022, j\u00e1 eram 269 registros, um crescimento de 198,8%. Na rede estadual s\u00e3o mais 1.754 longe do trabalho pelo mesmo motivo.<\/p>\n<p>\u2014 O problema que vem \u00e0 tona hoje \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do quadro de funcion\u00e1rios porque eles precisam ficar afastados. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o ter profissionais e os m\u00e9dicos remanescentes caminharem para uma exaust\u00e3o. Isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Colegas relatam dificuldade para compor suas equipes\u2014 diz o m\u00e9dico C\u00e9sar Eduardo Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB).<\/p>\n<p>Ainda na capital paulista, o Hospital Santa Catarina tem 54 colaboradores afastados por s\u00edndrome gripal e Covid-19. Esse montante representa 2,35% do quadro de funcion\u00e1rios. O Hcor est\u00e1 com 4% de sua for\u00e7a de trabalho em casa. No Hospital Israelita Albert Einstein, 2,8% do total de funcion\u00e1rios da organiza\u00e7\u00e3o foram diagnosticados com Covid-19 nos primeiros oito dias do ano.<\/p>\n<p>Equipes reduzidas<\/p>\n<p>Para os especialistas, embora grande parte dos cont\u00e1gios pela variante \u00d4micron serem de pouca gravidade, o resultado pr\u00e1tico \u00e9 um cen\u00e1rio de equipes desfalcadas e um potencial agravamento da crise de atendimento nas redes de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u2014 Os \u00faltimos dias t\u00eam sido de grande preocupa\u00e7\u00e3o porque o relato de todos os hospitais \u00e9 de um aumento na procura pelos pronto atendimentos por pessoas com casos leves, que n\u00e3o precisariam estar no hospital. Essa demanda \u00e9 contraproducente porque ajuda a aumentar o cont\u00e1gio e tamb\u00e9m diminui o n\u00famero de profissionais dispon\u00edveis. N\u00f3s temos hospitais com 10% do quadro de profissionais afastados por Covid \u2014 diz Ant\u00f4nio Britto, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados (ANAHP).<\/p>\n<p>No munic\u00edpio do Rio, cerca de 5,5 mil profissionais de sa\u00fade precisaram ser afastados por conta de Covid-19 ou influenza, desde dezembro. A baixa corresponde a cerca de 20% da for\u00e7a de trabalho da secretaria.<\/p>\n<p>Em Belo Horizonte, onde h\u00e1 longas horas de espera em Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade e aumento da ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos de enfermaria e UTI, 487 trabalhadores pediram dispensa por doen\u00e7as respirat\u00f3rias no m\u00eas de dezembro. O n\u00famero representa 4% do total dos quadros, segundo dados da secretaria municipal de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Assim como na popula\u00e7\u00e3o em geral, o cont\u00e1gio provocado pela variante \u00d4micron, de alta transmissibilidade, caminha a passos largos nos servi\u00e7os de sa\u00fade. Em Fortaleza, 506 profissionais est\u00e3o com suspeita de Covid. Entre novembro e dezembro, foram 21 ocorr\u00eancias. Entre dezembro e janeiro, o n\u00famero saltou para 109 \u2014 ou seja, 419%.<\/p>\n<p>Quarentena menor<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ganhou outros contornos com as novas regras para quarentena divulgadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na segunda-feira. A recomenda\u00e7\u00e3o prev\u00ea a isolamento reduzido a cinco dias para pessoas assintom\u00e1ticas, desde que haja teste negativo para a Covid. Na aus\u00eancia de testagem, o prazo sobe para uma semana. Quem tiver sintomas deve cumprir o prazo anterior, de dez dias.<\/p>\n<p>Recentemente, a Fran\u00e7a tomou uma decis\u00e3o mais radical: permitir que profissionais de sa\u00fade infectados com o coronav\u00edrus com poucos ou nenhum sintoma continuem tratando os pacientes em vez de se isolarem. A medida tem car\u00e1ter extraordin\u00e1rio, justamente destinada a diminuir o encolhimento de pessoal em hospitais durante explos\u00e3o de casos da nova cepa.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico C\u00e9sar Eduardo Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), a possibilidade de permitir que m\u00e9dicos infectados atendam ou reduzir o tempo de afastamento por cinco dias sem a necessidade de apresentar teste negativo para o retorno vai depender do cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2014 Em situa\u00e7\u00f5es extremas, isso seria uma possibilidade a ser discutida, mas n\u00e3o \u00e9 o caso no momento. Embora eu j\u00e1 tenha relatos de que algumas equipes est\u00e3o bastante desfalcadas, tomando o cen\u00e1rio geral, ainda n\u00e3o h\u00e1 colapso \u2014 afirma Fernandes.<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (CNSa\u00fade) seguiu o exemplo franc\u00eas e solicitou aos minist\u00e9rios do Trabalho e Emprego e da Sa\u00fade, na \u00faltima sexta-feira, que profissionais contaminados com Covid-19 n\u00e3o sejam afastados do trabalho caso estejam assintom\u00e1ticos e tenham tomado a dose de refor\u00e7o da vacina contra a Covid-19. Para os que apresentarem sintomas, a regra muda: o atestado dever\u00e1 ser de cinco dias.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos tamb\u00e9m houve redu\u00e7\u00e3o do tempo de afastamento de profissionais de sa\u00fade, mas de forma menos dr\u00e1stica. Os Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) permitiram que os assintom\u00e1ticos retornem ao trabalho ap\u00f3s sete dias, desde que apresentem teste negativo. O per\u00edodo pode ser reduzido ainda mais se houver escassez de pessoal. Al\u00e9m disso, aqueles que receberam as doses recomendadas da vacina n\u00e3o precisam ficar em quarentena ap\u00f3s exposi\u00e7\u00f5es de alto risco.<\/p>\n<p>Sobrecarga<\/p>\n<p>Para o diretor da ANAHP, o Brasil n\u00e3o enfrentar\u00e1 problemas como os da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 O esfor\u00e7o que estamos fazendo no sentido de tentar mobilizar a popula\u00e7\u00e3o a evitar a demanda desnecess\u00e1ria nos hospitais \u00e9 exatamente para impedir que tenhamos problemas assim. Mas para que isso definitivamente n\u00e3o ocorra, \u00e9 muito importante que a popula\u00e7\u00e3o tente etapas preliminares antes de ir aos hospitais \u2014 defende Britto.<\/p>\n<p><em>Fonte: O Globo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recente explos\u00e3o no n\u00famero de casos de Covid-19 come\u00e7a a preocupar um grupo fundamental no combate \u00e0 pandemia \u2014 os profissionais de sa\u00fade. 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