{"id":42768,"date":"2021-08-23T14:47:11","date_gmt":"2021-08-23T17:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=42768"},"modified":"2021-08-23T14:48:36","modified_gmt":"2021-08-23T17:48:36","slug":"como-ficar-em-paz-com-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2021\/08\/23\/como-ficar-em-paz-com-o-trabalho\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade Mental e home office: como ficar em paz com o trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Em julho passado, o cl\u00ednico geral Valmir Crestani Filho, do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, postou um desabafo em suas redes sociais: \u201cEste ano, ouvi de tr\u00eas pacientes: \u2018Doutor, me prescreve uma vitamina?\u2019\u201d. O primeiro era um carcereiro. Depois de uma rebeli\u00e3o, passou a sofrer de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Queixa: falta de libido. A segunda era uma diarista. Sa\u00eda de casa \u00e0s 4 da manh\u00e3 e voltava \u00e0s 8 da noite. Queixa: cansa\u00e7o. O terceiro era engenheiro. Dirigia Uber 14 horas por dia. Queixa: des\u00e2nimo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 vitamina que trate uma sociedade doente\u201d, diagnosticou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Falta de libido, cansa\u00e7o e des\u00e2nimo s\u00e3o tr\u00eas dos muitos sintomas de problemas emocionais ou transtornos mentais propriamente ditos descritos por trabalhadores brasileiros que procuraram consult\u00f3rios ou hospitais nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Segundo o estudo Trabalho e Sofrimento Ps\u00edquico: Hist\u00f3rias Que Contam Essa Hist\u00f3ria (2019), que deu origem ao livro hom\u00f4nimo escrito por Thatiana Cappellano e Bruno Carramenha, as queixas mais comuns nesse contexto s\u00e3o estresse (76%), ansiedade (75%) e des\u00e2nimo (65%).<\/p>\n<p>\u201cE n\u00e3o adianta tratar os sintomas se n\u00e3o resolvermos a origem do problema\u201d, analisa Crestani. \u201cVivemos em uma sociedade em que um n\u00famero grande de trabalhadores se submete a jornadas estressantes para concentrar renda nas m\u00e3os de um n\u00famero reduzido de pessoas. Se eu pudesse prescrever um rem\u00e9dio para tratar essa situa\u00e7\u00e3o, prescreveria o combate \u00e0 desigualdade social\u201d, completa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Ainda assim, d\u00e1 para dizer que o sofrimento ps\u00edquico ligado ao trabalho \u00e9 bem democr\u00e1tico: afeta do assistente ao CEO da empresa. Na pesquisa citada anteriormente, de 754 entrevistados, quase oito em cada dez relataram que o emprego pesava em seu bem-estar emocional.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje, portanto, que os ambientes laborais (f\u00edsicos ou virtuais) podem se tornar patog\u00eanicos. E por in\u00fameras raz\u00f5es. A principal, segundo um levantamento da Kenoby, startup de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o, \u00e9 a falta de di\u00e1logo entre funcion\u00e1rios e gestores. Tamb\u00e9m dificultam as coisas a aus\u00eancia de feedbacks e de espa\u00e7o para troca de opini\u00f5es, o ass\u00e9dio moral e a cria\u00e7\u00e3o de metas inating\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cNo modelo convencional, uma das pr\u00e1ticas mais comuns envolve exig\u00eancias abusivas de produtividade aliadas a metas demasiadamente elevadas\u201d, afirma Maria Elizabeth Antunes Lima, doutora em sociologia do trabalho pela Universidade de Paris.<\/p>\n<p>\u201cNo remoto, os profissionais se sentem obrigados a dar respostas imediatas porque os meios de controle passaram a ser onipresentes e as empresas ficam mais \u00e0 vontade para administrar seus empregados\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Se at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, quando o trabalho ainda era predominantemente presencial, o tema da sa\u00fade mental j\u00e1 era motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, hoje em dia, com a consolida\u00e7\u00e3o do modelo a dist\u00e2ncia ap\u00f3s a pandemia da Covid-19, tornou-se um grito de alerta.<\/p>\n<h3>Os rivais do bem-estar<\/h3>\n<p>Os problemas ps\u00edquicos que podem come\u00e7ar ou se agravar no trabalho<\/p>\n<p>Estresse cr\u00f4nico: o estresse \u00e9 um mecanismo natural de defesa do organismo. Mas, em doses altas ou persistentes, pode trazer graves danos \u2014 emocionais e f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Ansiedade: \u00e9 aquela sensa\u00e7\u00e3o constante de que \u00e9 preciso fazer algo ou alguma coisa est\u00e1 errada. Se persistir por mais de seis meses, procure um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Depress\u00e3o: estado de ang\u00fastia permanente que chega a fazer algumas pessoas n\u00e3o sa\u00edrem da cama. \u00c9 diferente, portanto, de tristeza, um sentimento passageiro.<\/p>\n<p>P\u00e2nico: o transtorno \u00e9 marcado por crises com falta de ar ou taquicardia, que precisam ser socorridas. Situa\u00e7\u00f5es estressantes no emprego podem contribuir para o quadro.<\/p>\n<p>Burnout: \u00e9 a exaust\u00e3o f\u00edsica, mental e emocional diretamente ligada ao trabalho. Exige apoio m\u00e9dico e psicol\u00f3gico \u2014 e compreens\u00e3o e respaldo da empresa.<\/p>\n<h3>O tamanho do problema<\/h3>\n<p>Um estudo recente da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) com 464 participantes mostra que 56% tiveram dificuldades para equilibrar a vida pessoal e a profissional durante a pandemia. E 48% relataram aumento da carga de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cUm dos problemas do modelo remoto \u00e9 a dificuldade de separar o tempo dedicado ao emprego daquele dedicado ao descanso, ao lazer e \u00e0 conviv\u00eancia familiar\u201d, nota a psic\u00f3loga Renata Paparelli, doutora em psicologia social e do trabalho pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>\u201cNo atual cen\u00e1rio, em que os direitos trabalhistas tamb\u00e9m est\u00e3o amea\u00e7ados, as pessoas se submetem a qualquer coisa para n\u00e3o perder o emprego, e trabalham em espa\u00e7os improvisados ou sob condi\u00e7\u00f5es adversas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Mas digamos que mesmo quem labuta em ritmo ou local mais apropriados sentiu o baque com a pandemia. Uma pesquisa da Ipsos realizada para o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, a One Year of Covid-19, revela que 53% dos brasileiros relataram piora em seu estado psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Os maiores inimigos do bem-estar foram o estresse \u2014 desencadeado por mudan\u00e7as na rotina de trabalho para 56% das pessoas \u2014 e a ansiedade (seis em cada dez estavam tensas por medo de perder o emprego). Na m\u00e9dia global, 45% dos 21 mil entrevistados afirmaram que sua sa\u00fade mental entrou em pane no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhar pode ser uma experi\u00eancia enriquecedora. Mas tamb\u00e9m pode causar muito sofrimento\u201d, afirma a psic\u00f3loga Carla Faiman, doutora pela USP e autora do livro Sa\u00fade do Trabalhador: Possibilidades e Desafios da Psicoterapia Ambulatorial.<\/p>\n<p>\u201cVemos uma quebra dos la\u00e7os de solidariedade no trabalho. O medo de perder o emprego intensifica a competitividade e a rela\u00e7\u00e3o entre colegas passa a ser mais pautada por rivalidade do que por apoio m\u00fatuo\u201d, observa. O ambiente t\u00f3xico, por sua vez, alimenta essa outra pandemia que anda ao lado da Covid-19: a dos transtornos mentais.<\/p>\n<p>O n\u00famero de licenciados por depress\u00e3o e ansiedade no pa\u00eds aumentou 33,7% e passou de 213 mil, em 2019, para 285 mil, em 2020. Hoje \u00e9 a terceira causa de afastamento do trabalho, atr\u00e1s somente de les\u00f5es ocupacionais e de comprometimentos musculares, \u00f3sseos ou articulares. Se nenhuma provid\u00eancia for tomada, o estrago ser\u00e1 incalcul\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, o adoecimento mental j\u00e1 vinha em um crescente. Mas, com a chegada da pandemia, tudo piorou\u201d, sentencia a m\u00e9dica Rosylane Rocha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho. \u201cPor um lado, os trabalhadores n\u00e3o conseguem recuperar sua capacidade laboral por causa da cronifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Por outro, o aumento no n\u00famero de casos de afastamento traz impactos negativos para a produtividade da empresa\u201d, resume.<\/p>\n<p>A pesquisa Os Impactos da Sa\u00fade Mental no Trabalho do Colaborador Brasileiro, realizada com 488 profissionais do setor, corrobora a tese de que a epidemia de transtornos ps\u00edquicos n\u00e3o compromete apenas a sa\u00fade do trabalhador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da queda de produtividade (36,6%), outros danos s\u00e3o a falta de engajamento (23,3%) e o crescimento da rotatividade (19,6%). \u201cS\u00f3 que a sa\u00fade mental ainda \u00e9 tabu na maioria das empresas\u201d, aponta Alexandre Pellaes, mestre em psicologia do trabalho pela USP. \u201cMuitas preferem fazer vista grossa a enfrentar o problema. Enxergam a pessoa como doente, e n\u00e3o o sistema como t\u00f3xico\u201d, critica o psic\u00f3logo.<\/p>\n<h3>Luzes no t\u00fanel<\/h3>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 come\u00e7ando a mudar. O n\u00famero de empresas que t\u00eam alguma iniciativa voltada ao bem-estar mental de seus funcion\u00e1rios s\u00f3 cresce. Segundo levantamento da consultoria Mercer Marsh, saltou de 34%, em 2015, para 46%, em 2019.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro passo \u00e9 criar um ambiente em que as pessoas se sintam confort\u00e1veis para se expor diante das outras sem medo de serem julgadas ou punidas. A isso damos o nome de seguran\u00e7a psicol\u00f3gica\u201d, explica a psic\u00f3loga organizacional Edwiges Parra, da consultoria Emind Mente Emocional. \u201cAlgumas empresas j\u00e1 entenderam que, se n\u00e3o estiverem engajadas na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental, est\u00e3o fadadas a sumir do mercado. \u00c9 um caminho sem volta\u201d, diz.<\/p>\n<p>Algumas das a\u00e7\u00f5es mais disponibilizadas pelas 611 empresas ouvidas na pesquisa da Mercer Marsh foram massagens (53%), programas de assist\u00eancia (49%), salas de descompress\u00e3o (28%), medita\u00e7\u00e3o (17%) e atendimento psicol\u00f3gico (16%).<\/p>\n<p>Renata Rivetti, diretora da consultoria de felicidade corporativa Reconnect, aponta outras iniciativas, como a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de trocas positivas, como um clube de leitura, para conectar mais as pessoas, e de break times, um tempo livre demarcado na agenda.<\/p>\n<p>\u201cSim, d\u00e1 para ser feliz no trabalho. Mas, para termos um ambiente mais produtivo e prazeroso, precisamos de um trabalho que nos desafie e tenha um prop\u00f3sito. Se for algo muito f\u00e1cil de ser feito ou que n\u00e3o tenha a ver com nossos valores, ficaremos ap\u00e1ticos e desmotivados\u201d, argumenta Renata.<\/p>\n<h3>Boas pr\u00e1ticas<\/h3>\n<p>D\u00e1 pra transformar um ambiente pesado num lugar acolhedor. Veja o que cabe a l\u00edderes e liderados<\/p>\n<p>Empresa<\/p>\n<p>+ Realismo saud\u00e1vel: n\u00e3o d\u00e1 para sobrecarregar a equipe com prazos e metas inalcan\u00e7\u00e1veis. Colaboradores infelizes adoecem mais e derrubam a produtividade de qualquer companhia.<\/p>\n<p>+ Di\u00e1logo \u00e9 tudo: b\u00e3o basta oferecer sess\u00f5es de massagem e medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial ouvir o que os funcion\u00e1rios t\u00eam a dizer. Estimule conversas e feedbacks. E pergunte como tornar o ambiente mais emp\u00e1tico.<\/p>\n<p>+ Respeito ao hor\u00e1rio: n\u00e3o marque reuni\u00f5es na hora do almo\u00e7o nem mande mensagens ou e-mails antes das 9 ou depois das 18h. Lembre-se: s\u00e1bados, domingos e feriados foram feitos para o descanso.<\/p>\n<p>+ Orienta\u00e7\u00e3o mental: promova e distribua conte\u00fados sobre sa\u00fade emocional. E instrua as equipes a identificarem os primeiros sinais de ansiedade, depress\u00e3o ou burnout. Fornecer assist\u00eancia psicol\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 bem-vindo.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio<\/p>\n<p>+ Organize-se: estabele\u00e7a prioridades. Se poss\u00edvel, s\u00f3 comece a executar uma tarefa depois que tiver conclu\u00eddo a anterior. Isso aumenta as chances de fazer as coisas bem feito \u2014 e a n\u00e3o se desesperar.<\/p>\n<p>+ Cuide de voc\u00ea: estabele\u00e7a os limites entre a vida profissional e a pessoal. Fora do expediente, alimente-se bem, durma direito, fa\u00e7a exerc\u00edcios e procure relaxar. A chefia tem que entender essa fronteira.<\/p>\n<p>+ Fa\u00e7a pausas: a cada 90 minutos trabalhados, descanse entre dez e 15. Mas, durante o trabalho, evite distra\u00e7\u00f5es. Desligue as notifica\u00e7\u00f5es do celular ou feche as redes sociais. Mantenha o foco!<\/p>\n<p>+ Converse sempre: se algo (ou algu\u00e9m) o incomoda, procure verbalizar sua insatisfa\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, o outro n\u00e3o sabe que est\u00e1 sendo t\u00f3xico. Se n\u00e3o der certo, procure o RH e conte o que aconteceu.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7a de p\u00e1gina<\/h3>\n<p>As iniciativas tamb\u00e9m v\u00e3o al\u00e9m de rodas de conversa ou sess\u00f5es de ioga. A Ambev investiu, entre outras a\u00e7\u00f5es, em aplicativos de sa\u00fade mental, como ZenKlub e Caliandra. O primeiro oferece sess\u00f5es de terapia online e o segundo, suporte em emerg\u00eancias psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 garantir um ambiente onde as pessoas possam desenvolver um sentimento de pertencimento e se tornar mais felizes por enxergar que est\u00e3o fazendo a diferen\u00e7a\u201d, afirma Mariana Holanda, head de Sa\u00fade Mental, Diversidade e Inclus\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p>O n\u00famero de empresas que, a exemplo da Ambev, contrataram servi\u00e7os de psicoterapia virtual aumentou 580% no \u00faltimo ano. \u201cO aplicativo da Vitalk conta com conte\u00fados e exerc\u00edcios que podem ser acessados a qualquer hora e em qualquer lugar. Um deles ensina o usu\u00e1rio a fazer uma t\u00e9cnica de respira\u00e7\u00e3o de tr\u00eas minutos\u201d, exemplifica Michael Kapps, CEO e cofundador da empresa especializada em sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>A Vitalk \u00e9 um dos parceiros do movimento Falar Inspira Vida, idealizado pela Janssen e que acaba de lan\u00e7ar o guia Depress\u00e3o \u2014 Como Acolher no Ambiente de Trabalho, com conselhos para criar um ambiente emp\u00e1tico e agir no dia a dia.<\/p>\n<p>\u201cQueremos promover uma mudan\u00e7a no tom da conversa sobre depress\u00e3o. Por meio do correto entendimento da doen\u00e7a, que n\u00e3o \u00e9 frescura nem falta de vontade, a sociedade estar\u00e1 mais bem preparada para acolher as pessoas que sofrem\u201d, sintetiza Patr\u00edcia Queijo, diretora de RH da Janssen.<\/p>\n<p>Para outra farmac\u00eautica, a GSK, uma das principais apostas foi a realiza\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios virtuais focados na sa\u00fade em geral e sobretudo no bem-estar mental. Entre outros resultados, a companhia registrou queda de 50% no risco de burnout nos colaboradores.<\/p>\n<p>\u201cNosso prop\u00f3sito \u00e9 ajudar as pessoas a se sentir melhor e a viver mais. Ent\u00e3o precisamos come\u00e7ar por n\u00f3s mesmos\u201d, justifica Marina Tavares, gerente do Programa de Sa\u00fade e Bem-Estar da empresa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Unilever instituiu, em tempos de home office, as \u201cregras de ouro\u201d. Os gestores s\u00e3o orientados a n\u00e3o agendar reuni\u00f5es no hor\u00e1rio de almo\u00e7o ou depois das 18h. E, \u00e0s sextas, as reuni\u00f5es s\u00f3 devem ocorrer pela manh\u00e3, e, entre uma e outra, \u00e9 recomendado um intervalo m\u00ednimo de dez minutos.<\/p>\n<p>\u201cA sa\u00fade do colaborador \u00e9 fundamental para a sa\u00fade da empresa\u201d, crava Ana Paula Franzoti, diretora de Desenvolvimento Organizacional e Cultura da gigante de bens de consumo. \u201cFazendo o que gostam, as pessoas prosperam, tanto pessoal quanto profissionalmente.\u201d<\/p>\n<p>A executiva Dyene Galantini sabe melhor que ningu\u00e9m como uma rotina estressante de trabalho mexe com a sa\u00fade mental. H\u00e1 20 anos, ela recebeu o diagn\u00f3stico de transtorno bipolar. Durante as crises depressivas, sentia-se no fundo do po\u00e7o. N\u00e3o tinha \u00e2nimo para levantar-se da cama, escovar os dentes ou tomar banho.<\/p>\n<p>Durante os picos de euforia, sentia-se no topo do mundo. Quase n\u00e3o conseguia dormir \u2014 virava as noites trabalhando. \u201cComparo a euforia \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de ganhar na loteria. E a depress\u00e3o ao desinteresse de buscar o pr\u00eamio\u201d, diz a autora do livro Vencendo a Mente. Em uma de suas piores crises, ela chegou a pensar em suic\u00eddio e a ser internada por 12 dias em uma institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Dyene n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m o acompanhamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico como redobrou os cuidados para n\u00e3o sofrer no trabalho. Evita expedientes de longas horas, recusa prazos imposs\u00edveis e aprendeu a impor limites, com frases do tipo \u201cAgora estou jantando\u201d ou \u201cHoje \u00e9 s\u00e1bado!\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLevo meu transtorno muito a s\u00e9rio. No meu caso, gerenciar o estresse n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o, \u00e9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia\u201d, afirma. Convenhamos que talvez n\u00e3o seja s\u00f3 o caso dela.<\/p>\n<p><em>Fonte: Veja Sa\u00fade<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julho passado, o cl\u00ednico geral Valmir Crestani Filho, do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, postou um desabafo em suas redes sociais: \u201cEste ano, ouvi de tr\u00eas pacientes: \u2018Doutor, me prescreve uma vitamina?\u2019\u201d. O primeiro era um carcereiro. Depois de uma rebeli\u00e3o, passou a sofrer de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Queixa: falta de libido. 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