{"id":42583,"date":"2021-07-13T10:51:37","date_gmt":"2021-07-13T13:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=42583"},"modified":"2021-07-13T10:52:15","modified_gmt":"2021-07-13T13:52:15","slug":"pesquisa-identifica-altos-niveis-de-sindrome-de-burnout-e-depressao-em-profissionais-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2021\/07\/13\/pesquisa-identifica-altos-niveis-de-sindrome-de-burnout-e-depressao-em-profissionais-da-saude\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica s\u00edndrome de burnout e depress\u00e3o em profissionais da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou altos n\u00edveis de s\u00edndrome de burnout e depress\u00e3o em profissionais da sa\u00fade de todo o Brasil. Entre os 201 t\u00e9cnicos de enfermagem entrevistados, 70% deles apresentaram sintomas de esgotamento. A categoria \u00e9 a que teve os piores resultados<\/p>\n<p>Na primeira etapa da pesquisa, realizada entre maio e junho de 2020, foram entrevistados 1.054 profissionais de sa\u00fade. Destes, 35% s\u00e3o m\u00e9dicos, 19% t\u00e9cnicos de enfermagem, 14% enfermeiros, 12% de psic\u00f3logos, entre outras categorias.<\/p>\n<p>De acordo com a psiquiatra do Departamento de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade da UFRGS e respons\u00e1vel pela pesquisa, Carolina Moser, os resultados s\u00e3o preocupantes.<\/p>\n<p>\u201cChamou a aten\u00e7\u00e3o como resultado muito importante e preocupante, que mais da metade dessa mostra apresentou elevados n\u00edveis de burnout e sintomas de depress\u00e3o sugestivos de quadro depressivo clinicamente significativo\u201d.<\/p>\n<p>Veja abaixo o resultado em cada uma das categorias<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e9cnicos de enfermagem (201 profissionais entrevistados): 68,2% com alto n\u00edvel de burnout e 68,7% com depress\u00e3o clinicamente significativa<br \/>\n&#8211; M\u00e9dicos (346 profissionais entrevistados): 45,6% com alto n\u00edvel de burnout e 42,9% com depress\u00e3o<br \/>\n&#8211; Enfermeiros (150 profissionais entrevistados): 60% com alto n\u00edvel de burnout e 55,9% com depress\u00e3o<br \/>\n&#8211; Psic\u00f3logos (126 profissionais entrevistados): 39,7% com alto n\u00edvel de burnout e 33,6% com depress\u00e3o<br \/>\n&#8211; Demais categorias profissionais inclu\u00eddas no estudo (como um grupo misto de 213 profissionais de diversas outras categorias): 56,3% com alto n\u00edvel de burnout e 60,6% com depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o resultado pode estar relacionado a diversos fatores, principalmente \u00e0 pandemia de Covid-19.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem v\u00e1rias hip\u00f3teses, uma pelo pr\u00f3prio tipo de trabalho, que essa categoria profissional exerce junto com os pacientes. Um outro fator foi um menor acesso dessa categoria a tratamento de sa\u00fade mental, sendo que essa categoria foi a que apresentou uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos que referiram n\u00e3o estar em tratamento para a sa\u00fade mental apesar de sentir que precisariam estar\u201d, diz.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podem ter influenciado, segundo Carolina, os diagn\u00f3sticos positivos de Covid em muitos profissionais da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cA categoria dos t\u00e9cnicos de enfermagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais categorias apresentou tamb\u00e9m uma maior propor\u00e7\u00e3o de profissionais que j\u00e1 haviam tido diagn\u00f3stico confirmado de Covid, e tamb\u00e9m essa categoria foi a que apresentou maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos pertencentes a grupo de risco. Fatores que a gente imagina que elevem o n\u00edvel de estresse desses profissionais\u201d, completa.<\/p>\n<h3>A pesquisa<\/h3>\n<p>O estudo faz parte da tese de doutorado intitulada \u201cAvalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental dos profissionais de sa\u00fade na pandemia do coronav\u00edrus (Covid-19)\u201d, e \u00e9 realizada junto ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psiquiatria e Ci\u00eancias do Comportamento da universidade.<\/p>\n<p>\u201cA demanda surgiu pelo fato de a gente estar na pandemia e ter uma ideia do quanto esses profissionais iam ter uma sobrecarga de trabalho, iam estar expostos a in\u00fameros desafios\u201d, destaca Carolina.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 voltado a todos os profissionais de sa\u00fade do Brasil, e contemplou as 17 categorias profissionais voltadas ao tratamento de pacientes humanos, entre eles m\u00e9dicos, enfermeiros, t\u00e9cnicos de enfermagem, psic\u00f3logos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores f\u00edsicos, t\u00e9cnicos em radiologia, biom\u00e9dicos, farmac\u00eauticos, fonoaudi\u00f3logos, entre outros.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise, foram distribu\u00eddos question\u00e1rios com cerca de 90 quest\u00f5es para profissionais de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Das respostas recebidas, 61,9% s\u00e3o de profissionais da Regi\u00e3o Sul do Brasil, 21,3% do Sudeste, 10,3% do Nordeste, 4,2% do Centro Oeste, e 2,4% do Norte.<\/p>\n<p>Carolina esclarece que a pesquisa identificou profissionais de sa\u00fade como um todo, e n\u00e3o apenas os que est\u00e3o em contato direto com pacientes de Covid.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 burnout<\/h3>\n<p>\u201cO burnout \u00e9 tamb\u00e9m conhecido como s\u00edndrome do esgotamento profissional e ele \u00e9 basicamente uma combina\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o f\u00edsico, esgotamento emocional e uma exaust\u00e3o cognitiva atribu\u00edda a atividade laboral. Ent\u00e3o a causa disso \u00e9 relacionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho&#8221;, explica Carolina.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a defini\u00e7\u00e3o de burnout engloba tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA da exaust\u00e3o, que \u00e9 a falta de energia, fadiga cr\u00f4nica, esgotamento resultante dessa demanda excessiva de trabalho; a despersonaliza\u00e7\u00e3o, que seria basicamente um distanciamento, como uma maneira de lidar com esse estresse e uma terceira que \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o profissional, uma desmotiva\u00e7\u00e3o\u201d, explica a psiquiatra.<\/p>\n<h3>Pr\u00f3ximos passos<\/h3>\n<p>Na segunda fase do estudo, os pesquisadores submeteram os mesmos profissionais de sa\u00fade a outros questionamentos.<\/p>\n<p>\u201cEntre novembro e dezembro [de 2020], uma parte respondeu, ent\u00e3o a gente acompanhou e essas an\u00e1lises est\u00e3o em processo de detalhamento para poder fornecer os pr\u00f3ximos dados. Como se comportou, como esses profissionais ficaram ao longo de pandemia, o que mais pesou e ocasionou para esse n\u00edvel de burnout e depress\u00e3o\u201d. Essa segunda etapa ainda n\u00e3o tem data prevista para publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os resultados, o grupo come\u00e7a a pensar no desenvolvimento de interven\u00e7\u00f5es que possam ser realizadas com os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cO burnout \u00e9 uma s\u00edndrome que pode ser prevenida, ent\u00e3o estamos desenvolvendo interven\u00e7\u00f5es. Trabalho junto a equipes, no sentido de promover uma cultura mais de colabora\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de competi\u00e7\u00e3o, de os profissionais poderem ser ouvidos, com todos se sentindo parte do processo\u201d, destaca Carolina.<\/p>\n<p><em>Fonte: Revista Prote\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou altos n\u00edveis de s\u00edndrome de burnout e depress\u00e3o em profissionais da sa\u00fade de todo o Brasil. Entre os 201 t\u00e9cnicos de enfermagem entrevistados, 70% deles apresentaram sintomas de esgotamento. A categoria \u00e9 a que teve os piores resultados Na primeira etapa da pesquisa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36256,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42583"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}