{"id":42441,"date":"2021-06-08T14:06:31","date_gmt":"2021-06-08T17:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=42441"},"modified":"2021-06-08T14:06:31","modified_gmt":"2021-06-08T17:06:31","slug":"pandemia-414-dos-profissionais-de-saude-tem-insonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2021\/06\/08\/pandemia-414-dos-profissionais-de-saude-tem-insonia\/","title":{"rendered":"Pandemia: 41,4% dos profissionais de sa\u00fade t\u00eam ins\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Com a pandemia de covid-19, a carga de trabalho enfrentada pelos profissionais da sa\u00fade gera preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental desses profissionais. Estudo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP analisou 4.384 profissionais da sa\u00fade e revelou que 41,4% deles apresentaram novas queixas de ins\u00f4nia ou piora desse quadro durante a pandemia. O estudo tamb\u00e9m observou um aumento de 13% no n\u00famero de tratamentos medicamentosos para ins\u00f4nia entre os profissionais.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, cujo autor principal \u00e9 o professor Luciano Drager, da FMUSP, foram publicados em setembro de 2020, em vers\u00e3o preprint (sem a revis\u00e3o de pares), na plataforma medRxiv.<\/p>\n<p>A pesquisa foi de car\u00e1ter transversal, isto \u00e9, os dados foram obtidos por meio de uma informa\u00e7\u00e3o \u00fanica, nesse caso, pela aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio on-line em junho de 2020, com abrang\u00eancia em todas as regi\u00f5es, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). Os participantes tinham em m\u00e9dia 44 anos de idade, 76% eram mulheres e 53,8% m\u00e9dicos ou m\u00e9dicas, entre enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudi\u00f3logos, psic\u00f3logos etc. Entre eles, 55,7% estavam atuando nos cuidados de pacientes com covid-19 e 9,2% informaram j\u00e1 ter caso de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>Os participantes foram questionados sobre seus estados de sa\u00fade, com destaque para dist\u00farbios de sono, ansiedade e estresse por exaust\u00e3o f\u00edsica e mental no trabalho, estado cr\u00f4nico mais conhecido pela s\u00edndrome de Burnout. \u201cNosso interesse foi verificar se havia preval\u00eancia de ins\u00f4nia, ansiedade e Burnout nos profissionais de sa\u00fade com a decorr\u00eancia do cen\u00e1rio pand\u00eamico\u201d, conta Claudia Moreno, coautora do estudo, professora da FSP e vice-presidente da ABMS.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados demonstram que os profissionais de sa\u00fade j\u00e1 estavam sofrendo os efeitos da pandemia ap\u00f3s poucos meses de trabalho, o que significa que hoje, um ano depois, a situa\u00e7\u00e3o deve estar agravada\u201d, diz Claudia Moreno.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 1.817 (41,4%) relataram novas queixas de ins\u00f4nia ou piora do quadro que j\u00e1 possu\u00edam, em paralelo; 572 (13%) relataram iniciar novos tratamentos com uso de medicamentos para ins\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00e3o atendimento da necessidade de sono tem efeitos a curto, m\u00e9dio e longo prazo para a sa\u00fade\u201d, afirma a pesquisadora. De acordo com ela, o sono adequado, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua dura\u00e7\u00e3o quanto ao momento em que \u00e9 realizado, \u00e9 uma necessidade fisiol\u00f3gica do organismo. Um dia que um m\u00e9dico fica em priva\u00e7\u00e3o de sono j\u00e1 \u00e9 suficiente para gerar altera\u00e7\u00f5es do humor e dores de cabe\u00e7a. Os sintomas se agravam em casos de priva\u00e7\u00e3o de sono cr\u00f4nica. \u201cNesses casos podem ocorrer problemas mais graves de sa\u00fade, como gastrintestinais, cardiovasculares, dist\u00farbios de sa\u00fade mental, dentre outros\u201d, completa.<\/p>\n<p>Os dados mostraram que, durante a pandemia, a ansiedade prevalecia em 44,2% dos entrevistados e Burnout em 21% deles. Alguns fatores se mostraram \u201cprotetores\u201d para novas queixas e piora da ins\u00f4nia, como aumento da renda; ser psic\u00f3logo(a) ou fisioterapeuta (em rela\u00e7\u00e3o trabalhos administrativos); atender em consult\u00f3rio ou cl\u00ednica e ter tido aumento na jornada de trabalho. A explica\u00e7\u00e3o para esse \u00faltimo pode estar no adormecimento r\u00e1pido em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o do sono e de sua qualidade, gerada pelo aumento na jornada. \u201cComo as pessoas passaram a dormir menos e pior, quando deitam para dormir, apresentam curto per\u00edodo de sono \u2014 o que poderia ser identificado por elas como aus\u00eancia de ins\u00f4nia, algo do tipo \u2018caio na cama e durmo na hora\u2019\u201d, explica Claudia, que ressalta a necessidade de mais estudos para essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outros fatores foram identificados como de risco. Entre eles, est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o da renda, altera\u00e7\u00f5es de peso, desenvolvimento da s\u00edndrome de Burnout, atender ou j\u00e1 ter atendido pacientes com covid-19, ansiedade e ser mulher. A cientista explica que \u00e9 prov\u00e1vel que as mulheres tenham apresentado maiores chances de sofrer problemas de ins\u00f4nia e Burnout por serem as respons\u00e1veis, na maior parte dos casos, pelos cuidados com afazeres dom\u00e9sticos, o que implica uma jornada dupla de trabalho.<\/p>\n<p>A pesquisa considera que a ins\u00f4nia pode gerar um impacto negativo no desempenho do trabalho dos profissionais da sa\u00fade, al\u00e9m da depend\u00eancia de tratamentos farmacol\u00f3gicos, a longo prazo. Segundo a pesquisadora, sem mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es \u00e0s quais esses trabalhadores s\u00e3o expostos, erros de ordem m\u00e9dica e de aten\u00e7\u00e3o no cuidado aos pacientes, al\u00e9m da possibilidade do desenvolvimento e agravo de problemas de sa\u00fade, podem ser esperados. \u201cOs resultados demonstram que os profissionais de sa\u00fade j\u00e1 estavam sofrendo os efeitos da pandemia ap\u00f3s poucos meses de trabalho, o que significa que hoje, um ano depois, a situa\u00e7\u00e3o deve estar agravada\u201d, completa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 apontada a urg\u00eancia de programas dedicados ao sono e \u00e0 sa\u00fade mental para profissionais que atuem na \u00e1rea da sa\u00fade. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio avaliar a carga hor\u00e1ria de trabalho desses profissionais, de modo a lhes dar tempo para descanso e recupera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Claudia.<\/p>\n<p><em>Fonte: Jornal da USP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a pandemia de covid-19, a carga de trabalho enfrentada pelos profissionais da sa\u00fade gera preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental desses profissionais. 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