{"id":41881,"date":"2021-04-07T15:25:36","date_gmt":"2021-04-07T18:25:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=41881"},"modified":"2021-04-08T10:05:07","modified_gmt":"2021-04-08T13:05:07","slug":"ao-menos-37-dos-profissionais-de-saude-relatam-estresse-ou-sensacao-de-panico-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2021\/04\/07\/ao-menos-37-dos-profissionais-de-saude-relatam-estresse-ou-sensacao-de-panico-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Ao menos 37% dos profissionais de sa\u00fade relatam estresse na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>O desafio de trabalhar em meio a uma pandemia de uma doen\u00e7a pouco conhecida e letal tem impacto nefasto na sa\u00fade mental dos m\u00e9dicos da linha de frente do atendimento \u00e0 covid-19. Levantamento divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que ao menos 37% dos profissionais de sa\u00fade do Pa\u00eds relataram aumento do estresse e da sensa\u00e7\u00e3o de medo ou p\u00e2nico no enfrentamento \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de estresse foi apontada como principal impacto da pandemia por 22,9% dos 1,6 mil m\u00e9dicos que responderam \u00e0 pesquisa conduzida pelo CFM em todo o Brasil. Lidar com o v\u00edrus novo e ver colegas adoecendo e morrendo tamb\u00e9m motivaram sensa\u00e7\u00e3o de medo ou p\u00e2nico para 14,6% dos profissionais ouvidos.<\/p>\n<p>\u201cTenho 40 anos de formado e nunca vi uma situa\u00e7\u00e3o dessas em toda a minha vida\u201d, contou o intensivista Hermann Tiesenhauser, de 72 anos, que coordena uma equipe de onze profissionais na Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Belo Horizonte, refer\u00eancia no atendimento \u00e0 covid-19. \u201cEstamos trabalhando de oito a doze horas por dia, todos os dias por semana, lidando com uma doen\u00e7a desconhecida que chegou de forma avassaladora, sob o risco de falta de medicamentos. Estamos todos estressados e no limite.\u201d<\/p>\n<p>Mas o problema n\u00e3o \u00e9 restrito ao local de trabalho. Os m\u00e9dicos temem levar o v\u00edrus para casa e infectar algu\u00e9m da fam\u00edlia. E sofrem, como toda a popula\u00e7\u00e3o, com as regras do distanciamento social. O levantamento mostra que 14,5% dos profissionais relatam redu\u00e7\u00e3o do tempo dedicado \u00e0s refei\u00e7\u00f5es, \u00e0 fam\u00edlia e ao lazer. H\u00e1 ainda problemas com a qualidade do sono (7,6%).<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo trabalhamos sem estarmos vacinados; o medo de levar a doen\u00e7a para dentro de casa era muito grande\u201d, contou Tiesenhauser. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o permanente de ang\u00fastia, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil desligar; demoramos a pegar no sono, temos ins\u00f4nia, pesadelos.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa do CFM, a pandemia fortaleceu (16%) o elo de confian\u00e7a estabelecido com os pacientes e familiares. Tamb\u00e9m tornou os pacientes mais receptivos \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas (12,6%). Al\u00e9m disso, foi relatado por 13,7% dos respondentes que o estresse criado pela pandemia no paciente tornou tenso seu comportamento nas consultas. De forma geral, a grande maioria dos m\u00e9dicos (96%) afirmou que a pandemia causou algum impacto na vida pessoal ou profissional.<\/p>\n<p>A pesquisa, aplicada entre setembro e dezembro de 2020, ouviu cerca de 1,6 mil m\u00e9dicos cadastrados nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Os profissionais atuam nos setores p\u00fablico (22%), privado (24%) ou em ambos (54%). Foram selecionados indiv\u00edduos de forma aleat\u00f3ria com representantes em todos os estados do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A amostra, composta por homens e mulheres com idade m\u00e9dia de 49 anos, respondeu a um question\u00e1rio estruturado que obedeceu proporcionalmente \u00e0 oferta de profissionais pelo Brasil. A maior parte atua no Sudeste (53%), Nordeste (21%) e Sul (16%). Outras 6% trabalham em unidades de sa\u00fade do Centro-Oeste e 5% no Norte do Brasil.<\/p>\n<p>Pelo menos 88% dos m\u00e9dicos ouvidos pelo CFM acreditam no surgimento de novas epidemias nos pr\u00f3ximos anos. E para enfrentar poss\u00edveis desafios no futuro, quase 15% deles defendem que os m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade sejam valorizados com a cria\u00e7\u00e3o de carreiras espec\u00edficas. Outros 15% apostam na prioriza\u00e7\u00e3o de pesquisas cient\u00edficas e desenvolvimento de tecnologias e produ\u00e7\u00e3o de insumos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia deixar\u00e1 para o Brasil uma li\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel: precisamos estar preparados. Investir mais no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), ampliar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o nacional de medicamentos e equipamentos, fortalecer o conhecimento cient\u00edfico e, sobretudo, valorizar a for\u00e7a de trabalho que tanto se dedica a oferecer atendimento de qualidade aos brasileiros\u201d, ressaltou Mauro Ribeiro, presidente do CFM.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estad\u00e3o)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio de trabalhar em meio a uma pandemia de uma doen\u00e7a pouco conhecida e letal tem impacto nefasto na sa\u00fade mental dos m\u00e9dicos da linha de frente do atendimento \u00e0 covid-19. 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