{"id":40785,"date":"2020-07-13T12:10:23","date_gmt":"2020-07-13T15:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=40785"},"modified":"2020-07-13T12:10:23","modified_gmt":"2020-07-13T15:10:23","slug":"professores-revelam-bastidores-de-educacao-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2020\/07\/13\/professores-revelam-bastidores-de-educacao-a-distancia\/","title":{"rendered":"Professores revelam bastidores de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>\u201cTenho tido ansiedade, picos de press\u00e3o. J\u00e1 dei aula parando para vomitar por conta da hipertens\u00e3o, dores de cabe\u00e7a e das n\u00e1useas que tenho tido regularmente. Muita press\u00e3o de todos os lados. J\u00e1 cheguei a gravar oito v\u00eddeos por dia. Me sinto usada\u201d, desabafa uma professora da rede particular que prefere ser identificada como T\u00e2nia*. A docente tem receio de perder o emprego.<\/p>\n<p>Esgotados, preocupados e sem op\u00e7\u00f5es de m\u00faltipla escolha. Cinco em cada dez professores baianos est\u00e3o sofrendo impactos na sa\u00fade emocional durante a crise causada pelo coronav\u00edrus, segundo a pesquisa que analisa a Situa\u00e7\u00e3o dos Professores no Brasil na Pandemia, promovida pela Nova Escola. A organiza\u00e7\u00e3o produz h\u00e1 30 anos, conte\u00fados sobre educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O levantamento ouviu\u00a0mais de 9,5 mil profissionais, entre os dias 16 e 28 de maio, por meio de question\u00e1rio online. Destes, 414 s\u00e3o baianos. Mais de 70% \u00a0atua na rede p\u00fablica e 23,67%, na rede privada.<\/p>\n<p>Quando questionados sobre sua sa\u00fade emocional agora, em compara\u00e7\u00e3o ao pr\u00e9-pandemia, os que classificaram como p\u00e9ssimo, ruim ou razo\u00e1vel, somam 56,29%, contra os que disseram que est\u00e3o com a sa\u00fade boa ou excelente (39,56%).<\/p>\n<p>O estado reflete o cen\u00e1rio nacional, em que problemas como a ansiedade afetaram 68% dos educadores. Al\u00e9m disso, 28% deles afirmaram sofrer ou j\u00e1 ter sofrido de depress\u00e3o at\u00e9 o per\u00edodo do estudo. Os quadros \u00a0mais relatados foram estresse e dor de cabe\u00e7a (63%), ins\u00f4nia (39%), dores nos membros (38%) e alergias (38%).<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cMais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio um olhar atento ao professor. Eles devem sair da pandemia com uma carga de perdas, al\u00e9m de cansados e \u00a0sem saber o qu\u00ea, de fato, os alunos aprenderam\u201d,<\/strong> analisa a gerente pedag\u00f3gica da Nova Escola, Ana Ligia Scachetti.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro dado que se destaca \u00e9 referente a prepara\u00e7\u00e3o para o ensino remoto, visto que 51,1% dos professores dizem n\u00e3o ter recebido forma\u00e7\u00e3o \u00a0para trabalhar em casa. \u201cTenho trabalhado com o que j\u00e1 conhecia ou buscando o que n\u00e3o conhecia. Conto muito com a ajuda de colegas que dominam melhor as novas tecnologias\u201d, afirma o professor de matem\u00e1tica na rede municipal, Nadison Silva. \u201cTem vezes, que \u00e9 um sufoco\u201d, completa.<\/p>\n<h3>Medos<\/h3>\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Rosylane Rocha, reconhece a dimens\u00e3o do desgaste f\u00edsico e mental dos educadores.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cIsto aumenta as dores musculares, o desequil\u00edbrio da press\u00e3o arterial, e o descontrole do diabetes. \u00c9 fundamental propiciar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao profissional de educa\u00e7\u00e3o na retomada do novo normal\u201d.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Juliana Farias \u00e9 professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica na rede estadual, onde ensina em 13 turmas. Apesar de estar em licen\u00e7a maternidade, admite que tem receio do retorno presencial. \u201cN\u00e3o consigo perceber como a realidade na es cola p\u00fablica ser\u00e1 contemplada com higiene e seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>No caso da professora Ana*, que pediu para n\u00e3o ter o nome revelado, o temor se chama desemprego. \u201cMeu sal\u00e1rio diminuiu para R$ 221. A escola tem feito da gente o que quer, porque precisamos do nosso trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Diante de tantas quest\u00f5es, a professora de ci\u00eancias naturais, Giselia Teles, s\u00f3 tem uma certeza: a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 igual ao que era. Ela ensina na rede municipal em turmas do 8\u00ba e 9\u00ba ano. \u201cMinha carga hor\u00e1ria de 60 horas dobrou\u201d.<\/p>\n<p>As escolas particulares aderiram ao ensino remoto para cumprimento de carga hor\u00e1ria e \u00a0os professores ministram aulas online. Na rede p\u00fablica, os docentes d\u00e3o suporte aos alunos, tiram d\u00favidas que possam surgir na realiza\u00e7\u00e3o de atividades impressas, as que est\u00e3o dispon\u00edveis nas plataformas online e no caso, da rede municipal, nas aulas exibidas pela TV Aratu.<\/p>\n<h3>O que dizem as escolas?<\/h3>\n<p>Sobre os relatos dos profissionais, a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Salvador (Smed) disse que ser\u00e3o implementadas a\u00e7\u00f5es de apoio socioemocional e de orienta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia (SEC) pontuou que disponibiliza psic\u00f3logos para atendimento online. O agendamento \u00e9 feito pelo e-mail saudedoprofessor@enova.educacao.ba.gov.br.<\/p>\n<p>O Grupo de Valoriza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o (GVE), coletivo que re\u00fane 60 escolas particulares de Salvador e Regi\u00e3o Metropolitana, ponderou que os professores e demais profissionais precisam se reinventar continuamente. Outras entidades como a Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA) tamb\u00e9m foram procurados pela reportagem, mas n\u00e3o se posicionaram.<\/p>\n<p>Sem seguran\u00e7a, os professores n\u00e3o voltam. \u00c9 o que defende o coordenador geral da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores Licenciados do Brasil Sec\u00e7\u00e3o da Bahia (APLB Sindicato), Rui Oliveira. \u201cA maioria das escolas p\u00fablicas n\u00e3o tem instrumentos apropriados para evitar a contamina\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 professores que n\u00e3o ir\u00e3o retornar, pois faleceram, v\u00edtimas da covid-19, conforme complementa a diretora da entidade, Elza Mel. \u201cA nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de preserva\u00e7\u00e3o da vida\u201d.<\/p>\n<h3>Li\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>S\u00f3 de sexta-feira (10), a pedagoga e coordenadora de uma das escolas da rede municipal, Celeste Dias, fez 80 atendimentos online de pais e alunos. \u201cS\u00e3o muitas compet\u00eancias socioemocionais e de comunica\u00e7\u00e3o que precisamos desenvolver para atender bem, quem est\u00e1 do outro lado. Hoje a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 o ensino remoto\u201d.<\/p>\n<p>Para a professora do curso de Psicologia da Universidade Cat\u00f3lica do Salvador (UCSal), Denise Gersen, \u00e9 preciso enfrentar o momento. A especialista desenvolve um projeto de escuta coletiva de professores em escolas do Sub\u00farbio de Salvador e \u00a0Lauro de Freitas. Antes da pandemia, 60 educadores participaram dos encontros.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cNas reuni\u00f5es online, percebo que a maioria n\u00e3o quer voltar para sala de aula nos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses, devido \u00e0 inseguran\u00e7a e o risco do cont\u00e1gio. O caminho para enfrentar os medos est\u00e1 na intera\u00e7\u00e3o, \u00a0na troca de informa\u00e7\u00f5es e apostar na capacita\u00e7\u00e3o como supera\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, aconselha.<\/p><\/blockquote>\n<p>O coordenador de projetos da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, Ivan Gontijo, ressalta a import\u00e2ncia de reconhecer o esfor\u00e7o dos professores. \u201cMuitos destes profissionais acabam carregando um sentimento de fracasso, mas eles n\u00e3o devem se sentir assim. Ningu\u00e9m estava preparado para isso. A tecnologia \u00e9 um meio. A pandemia mostrou que os professores s\u00e3o insubstitu\u00edveis\u201d.<\/p>\n<h3>Confira relatos dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o ouvidos pelo CORREIO<\/h3>\n<p><strong>Qual a sua maior preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a volta \u00e0s aulas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8216;Tenho me sentido escravizada&#8217;<\/strong>\u00a0&#8211; <strong>Depoimento de\u00a0T\u00e2nia*, professora da rede particular<\/strong><\/p>\n<p>Sou m\u00e3e de uma crian\u00e7a de 2 anos. Eu e meu marido estamos trabalhando home office. Tentamos dividir as responsabilidades, mas a maior parte sempre fica para mim. E por trabalhar mais que a minha carga hor\u00e1ria normal, tivemos \u00a0conflitos graves, pensamos at\u00e9 em separa\u00e7\u00e3o, por eu ter que dar uma maior aten\u00e7\u00e3o ao trabalho.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Tenho me sentido, na verdade, escravizada, visto que a real preocupa\u00e7\u00e3o da escola onde trabalho \u00e9 somente com o financeiro, cobrando e exigindo da gente um trabalho sem nenhum suporte. Ensino em cinco turmas do Ensino Fundamental I e a escola s\u00f3 fala em voltar para n\u00e3o perder alunos. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Sempre querem algo muito bom, sem analisar nossa condi\u00e7\u00e3o, nem o que temos ou n\u00e3o que fazer. Tenho obriga\u00e7\u00e3o de dar resultados, n\u00e3o tenho valor como pessoa. Meu diploma e as especializa\u00e7\u00f5es que fiz tamb\u00e9m n\u00e3o. \u00a0N\u00e3o me vejo preparada para o retorno \u00e0s aulas. Continuaremos tendo a fun\u00e7\u00e3o de \u2018bab\u00e1\u2019 e, agora, no p\u00f3s-pandemia, de \u2018enfermeira\u2019 s\u00f3 agradando os pais e cumprindo as ordens.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p><strong>Nem todos os alunos t\u00eam acesso<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Nadison Silva, professor na rede municipal<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tive forma\u00e7\u00e3o para aulas online, pois n\u00e3o se esperava esta situa\u00e7\u00e3o. Fui trabalhando com o que j\u00e1 conhecia ou buscando o que n\u00e3o conhecia, por\u00e9m, a nossa escola vem se mostrando participativa e combina todas as atividades com os professores.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Adquiri um novo celular com mem\u00f3ria maior, webcam, headphone, ampliei mem\u00f3ria do meu notebook. Tenho contado muito com a ajuda de alguns colegas que dominam melhor estas novas tecnologias. Acompanho tamb\u00e9m lives e palestras online.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ensino matem\u00e1tica em seis turmas na escola p\u00fablica. O maior desafio nesse momento \u00e9 fazer com que a maioria dos alunos, que j\u00e1 tem dificuldades em aulas presenciais, participem das aulas remotas tanto no ambiente digital quanto na tv. \u00a0Nem todos \u00a0t\u00eam acesso a esses meios. Uma m\u00e3e, quando me encontrou, falou sobre a excelente qualidade da cesta b\u00e1sica, pois est\u00e1 desempregada, assim como o marido. Por\u00e9m, poucos alunos t\u00eam me procurado para tirar d\u00favidas sobre os conte\u00fados. A educa\u00e7\u00e3o precisa se adequar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p><strong>A incerteza do retorno<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Juliana Farias, professora da rede estadual<\/strong><\/p>\n<p>Trabalho 40 horas em 13 turmas na rede estadual como professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, por\u00e9m, n\u00e3o estou dando aulas remotamente j\u00e1 que a pandemia prolongou minha licen\u00e7a maternidade com a suspens\u00e3o das aulas.<\/p>\n<p>Ainda assim, me vejo ansiosa sobre como esse processo de retomada das aulas vai acontecer. Temos v\u00e1rios desafios e um deles \u00e9 a incerteza do retorno e de como ele se dar\u00e1. Meu beb\u00ea tem s\u00f3 nove meses e tenho muito receio de trazer o v\u00edrus para casa, diante de uma realidade onde as salas n\u00e3o possuem ventila\u00e7\u00e3o natural e nossas turmas chegam a receber at\u00e9 45 alunos.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Dif\u00edcil falar em isolamento social, quando muitos dos nossos alunos moram em casas bem pequenas e em ambientes violentos. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s ler sobre alguns modelos de protocolos, considero plaus\u00edvel a jun\u00e7\u00e3o do ciclo 2020\/2021 para garantir a perman\u00eancia do aluno. Se isso n\u00e3o for feito, haver\u00e1 fechamento de turmas e professores podem ser devolvidos a rede, ficando \u00a0a disposi\u00e7\u00e3o para realoca\u00e7\u00e3o em outras escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s n\u00e3o dominamos tudo &#8211;\u00a0Celeste Dias, coordenadora na rede municipal<\/strong><\/p>\n<p>Admitir que n\u00e3o dominamos tudo e que temos sempre o que aprender \u00e9 a maior li\u00e7\u00e3o desta pandemia. Mesmo diante das situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que estamos enfrentando serve como motiva\u00e7\u00e3o, as trocas entre professores, equipe gestora e alunos da escola p\u00fablica que possuem conhecimento em tecnologia. Sim, eles existem.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A quantidade de v\u00eddeos, tutoriais e podcasts produzida e que circulam nos grupos \u00a0e nas redes sociais faz toda a diferen\u00e7a. Muitos talentos t\u00eam sido revelados &#8211; de alunos, professores e pais que quando veem algu\u00e9m com dificuldade chama no privado, apoia e inclui digitalmente esses estudantes. \u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Sabemos dos problemas. Alguns educadores sair\u00e3o exaustos por conta desta transi\u00e7\u00e3o, outros satisfeitos diante das aprendizagens da nova concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, outros adoecidos pelo luto, confinamento e perdas financeiras. Mas as solu\u00e7\u00f5es s\u00f3 ser\u00e3o constru\u00eddas com a participa\u00e7\u00e3o de todos: poder p\u00fablico, pesquisadores, pais, alunos, escola e professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p><strong>Sobrecarregada, incapaz e sem valor<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>L\u00facia*, professora da rede particular<\/strong><\/p>\n<p>Estudei por conta pr\u00f3pria para atuar no ensino remoto dando aulas em quatro turmas. A sociedade em geral, n\u00e3o respeita o nosso trabalho. As escolas atrasam sal\u00e1rio al\u00e9m de j\u00e1 o terem reduzido, por conta da pandemia.<\/p>\n<blockquote><p><strong>O professor precisa continuar com as aulas e ouvindo que n\u00e3o recebeu por falta de pagamento das mensalidades e ainda precisa pagar a internet, para viabilizar tudo isso, do seu pr\u00f3prio sal\u00e1rio. Me sinto cada dia mais sobrecarregada, incapaz e sem valor. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Eu acho que a maioria dos professores tamb\u00e9m est\u00e1 se sentindo humilhada. Tive uma redu\u00e7\u00e3o de 70% do meu sal\u00e1rio e, sinceramente, eu n\u00e3o sei o que \u00e9 que vou fazer para diminuir esse impacto. Com o valor que a escola me paga \u00e9 imposs\u00edvel sobreviver &#8211; s\u00f3 com R$ 221. Tenho outros colegas que diminuiu para R$ 195 e a dire\u00e7\u00e3o da escola vem e diz que \u00e9 melhor mesmo que a gente receba o benef\u00edcio do governo. Nos submetemos a esta situa\u00e7\u00e3o e, infelizmente, acabamos aceitando por conta de quest\u00f5es financeiras. Falta respeito e empatia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p><strong>O mundo n\u00e3o ser\u00e1 mais o mesmo &#8211;\u00a0Giselia Teles, professora na rede municipal<\/strong><\/p>\n<p>Meu pai tem leucemia e, muitas vezes, tenho trabalhado no hospital enquanto ele faz o tratamento. Fico ali na capela com o celular, orientado os alunos. N\u00e3o estamos lidando apenas com o estresse do distanciamento social, mas, tamb\u00e9m com o uso das novas tecnologias de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia e a precariedade das condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, principalmente, dos nossos estudantes.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Sou professora de ci\u00eancias naturais na rede municipal de turmas de Ensino Fundamental do 8\u00ba e 9\u00ba ano. Minha carga hor\u00e1ria de 60 horas, dobrou. As incertezas s\u00e3o grandes. O isolamento social trouxe a necessidade de se reinventar e solidificar a tecnologia aliada \u00e0 criatividade. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O mundo n\u00e3o ser\u00e1 mais o mesmo depois que essa tempestade passar. \u00c9 tudo muito novo e inesperado. Me sinto muito preocupada e confusa diante de uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica como a que estamos passando. S\u00e3o novos valores, modelos de ensinar e novos h\u00e1bitos. Certeza? S\u00f3 a de que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 igual ao que era ap\u00f3s a pandemia.<br \/>\n<em>*Nomes trocados a pedido das professoras ouvidas pela reportagem.<\/em><\/p>\n<p><em>(Fonte: Correio 24 Horas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTenho tido ansiedade, picos de press\u00e3o. J\u00e1 dei aula parando para vomitar por conta da hipertens\u00e3o, dores de cabe\u00e7a e das n\u00e1useas que tenho tido regularmente. Muita press\u00e3o de todos os lados. J\u00e1 cheguei a gravar oito v\u00eddeos por dia. 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