{"id":40339,"date":"2020-05-12T13:30:45","date_gmt":"2020-05-12T16:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=40339"},"modified":"2020-05-13T17:08:55","modified_gmt":"2020-05-13T20:08:55","slug":"profissionais-de-saude-enfrentam-o-medo-de-contaminacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2020\/05\/12\/profissionais-de-saude-enfrentam-o-medo-de-contaminacao\/","title":{"rendered":"Profissionais de sa\u00fade enfrentam o medo de contamina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A paramenta\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a contra o coronav\u00edrus, a exemplo da m\u00e1scara e da touca, n\u00e3o esconde o olhar preocupado de Edson Gomes, t\u00e9cnico de enfermagem e emergencista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de S\u00e3o Marcos. A express\u00e3o vem \u00e0 tona sempre que fala do medo de adoecer pela Covid-19 e contaminar a fam\u00edlia, que est\u00e1 em casa: a filha Isabella, de 7 aninhos, e a esposa, a cabeleireira Bianca Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>A exemplo de Edson, na linha de frente do combate ao coronav\u00edrus, m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos de enfermagem relatam as dificuldades e desafios que t\u00eam enfrentado na pandemia. A Bahia contabiliza 649 profissionais de sa\u00fade com a Covid-19, segundo o \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico da Secretaria da Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab), divulgado ontem. Do total, s\u00e3o 167 t\u00e9cnicos ou auxiliares de enfermagem, 141 enfermeiros e 117 m\u00e9dicos. Ainda segundo o boletim, no geral, o estado registra 5.816 casos da doen\u00e7a, com 214 mortes e 1.418 pessoas curadas.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos profissionais de enfermagem, no Brasil existem mais de 13 mil casos suspeitos de coronav\u00edrus e 98 \u00f3bitos registrados. Na Bahia, s\u00e3o 776 casos de Covid-19 reportados e uma morte registrada entre os trabalhadores dessa categoria. Os dados s\u00e3o do Observat\u00f3rio da Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), coletados ontem.<\/p>\n<h3>Afli\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o tem medo de cuidar das pessoas, pelo contr\u00e1rio, estamos aqui para isso. Por\u00e9m existe o medo de adoecer e levar a doen\u00e7a para as pessoas que amamos. Isso causa mais estresse e preocupa\u00e7\u00e3o para a rotina dos profissionais de sa\u00fade. Afinal, voc\u00ea nunca sabe quem tem ou n\u00e3o o coronav\u00edrus\u201d, relata Edson.<\/p>\n<p>Na UPA de S\u00e3o Marcos, Edson encara plant\u00f5es exaustivos de 24 horas, com jornada que come\u00e7a \u00e0s sete da manh\u00e3. Ao chegar em casa, na Ribeira, ele separa a roupa em uma sacola e vai direto para o chuveiro, medidas que visam evitar o poss\u00edvel cont\u00e1gio da filha e da esposa. Na mesma unidade de sa\u00fade, Juliana Cerqueira, colega de trabalho e enfermeira, mant\u00e9m h\u00e1bitos parecidos. Ela \u00e9 uma das primeiras profissionais que recebem os pacientes suspeitos de Covid-19.<\/p>\n<p>\u201cA gente fica com muito medo e saudade da fam\u00edlia. H\u00e1 cerca de dois meses estou sem visitar os meus pais, pois \u00e9 necess\u00e1rio proteger eles. Quando chego em casa, a primeira coisa que fa\u00e7o \u00e9 ir correndo tomar banho. Nem posso encostar no meu marido, o Alexandre, \u00fanica pessoa que mora comigo. Do ponto de vista emocional, \u00e9 tudo muito dif\u00edcil\u201d, explica Juliana.<\/p>\n<h3>Luta psicol\u00f3gica<\/h3>\n<p>De acordo com Maria Inez de Farias, presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), a assist\u00eancia psicol\u00f3gica para os profissionais de sa\u00fade, a exemplo de Edson e Juliana, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Segundo a presidente, neste momento de pandemia, eles enfrentam ainda mais riscos emocionais, f\u00edsicos, qu\u00edmicos, biol\u00f3gicos, pois a amea\u00e7a de cont\u00e1gio est\u00e1 sempre presente.<\/p>\n<p>Por causa da pandemia, o Conselho Federal de Enfermagem disponibiliza um canal de atendimento 24 horas, todos os dias da semana, para que profissionais de enfermagem possam procurar ajuda emocional e psicol\u00f3gica. O chat online est\u00e1 dispon\u00edvel no site do Cofen (cofen.gov.br). A iniciativa \u00e9 de enfermeiros volunt\u00e1rios especialistas em sa\u00fade mental e cuidado sentimental.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos contatos ocorrem na madrugada, num momento em que o profissional est\u00e1 s\u00f3, com seus medos e incertezas\u201d, afirma Farias.<\/p>\n<h3>Desafios f\u00edsicos<\/h3>\n<p>No \u00e2mbito dos desafios enfrentados no dia a dia de trabalho, Juliana chega a usar duas m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de \u00f3culos, luvas, touca, macac\u00e3o. Em muitos momentos, o calor e as marcas deixadas pelos equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) no corpo, principalmente no rosto, s\u00e3o inevit\u00e1veis. Somadas a isso, a\u00e7\u00f5es consideradas simples, a exemplo de beber \u00e1gua e comer, podem trazer riscos de contamina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m serem desafiadoras.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 bem conhecida por Sandro Barral, m\u00e9dico cirurgi\u00e3o e coordenador m\u00e9dico da emerg\u00eancia do Hospital Alian\u00e7a, no Rio Vermelho. \u201cPara quem atua na \u00e1rea de sa\u00fade, o maior risco de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 no momento de retirada do EPI. A gente precisa fazer isso quando precisa comer e beber \u00e1gua. Tudo tem que ser feito com muito cuidado e treinamento\u201d, conta Sandro.<\/p>\n<p>Apesar das medidas de seguran\u00e7a, ele n\u00e3o esconde o risco que os profissionais precisam encarar para cuidar das outras pessoas. Ele mora com a esposa, Tatiana, e os filhos pequenos, J\u00falia, de 6 anos, e Enrico, de 4 aninhos. \u201cA gente deixa a fam\u00edlia em casa para cuidar de outros familiares. Estamos aqui para enfrentar a Covid-19 e pe\u00e7o que as pessoas fa\u00e7am o mesmo, ficando em casa. Assim elas protegem tamb\u00e9m os profissionais da sa\u00fade\u201d, diz o m\u00e9dico, num apelo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Cuidados<\/h3>\n<p>Al\u00e9m da conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao isolamento social, Ana Rita de Luna, presidente do Sindicato dos M\u00e9dicos no Estado da Bahia (Sindimed-Ba), refor\u00e7a que os gestores da sa\u00fade precisam afastar do trabalho os profissionais que fazem parte dos grupos mais vulner\u00e1veis os efeitos da Covid-19. \u201c\u00c9 preciso dar condi\u00e7\u00f5es dignas e salvaguardar o direito \u00e0 vida de profissionais m\u00e9dicos acima de 60 anos e com comorbidades. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencial garantir a testagem do coronav\u00edrus em profissionais de sa\u00fade\u201d, acrescenta a presidente.<\/p>\n<p>Com uma colega de profiss\u00e3o adoecida e em isolamento domiciliar, Aline Soares, t\u00e9cnica de enfermagem e enfermeira, espera por dia melhores para a popula\u00e7\u00e3o e os profissionais de sa\u00fade do estado. A m\u00e3e da menina Inai\u00e1 Omin, de 5 anos, e do Lucayan, 6, trabalha na UPA de Monte Gordo, em Cama\u00e7ari.<\/p>\n<p>\u201cTer uma amiga e colega de profiss\u00e3o adoecida \u00e9 duro. A gente cai na real sobre os riscos da nossa rotina. Aumentei a aten\u00e7\u00e3o com os cuidados de preven\u00e7\u00e3o, a exemplo do correto uso dos EPIs, para tentar n\u00e3o fazer parte dessa triste estat\u00edstica e n\u00e3o levar risco para os meus pequenos. Eles s\u00e3o a minha vida. Diante do momento, resta torcer por dias melhores&#8221;, desabafa Aline.<\/p>\n<p><em>(Fonte: A Tarde)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paramenta\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a contra o coronav\u00edrus, a exemplo da m\u00e1scara e da touca, n\u00e3o esconde o olhar preocupado de Edson Gomes, t\u00e9cnico de enfermagem e emergencista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de S\u00e3o Marcos. 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