{"id":39475,"date":"2019-12-21T10:53:51","date_gmt":"2019-12-21T13:53:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=39475"},"modified":"2019-12-30T10:58:36","modified_gmt":"2019-12-30T13:58:36","slug":"palestrantes-falam-da-influencia-das-novas-tecnologias-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/12\/21\/palestrantes-falam-da-influencia-das-novas-tecnologias-no-trabalho\/","title":{"rendered":"Palestrantes falam da influ\u00eancia das novas tecnologias no trabalho"},"content":{"rendered":"<p>As Novas Tecnologias, A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a Nanotecnologia s\u00e3o apenas algumas das novas tecnologias capazes de revolucionar a sociedade, mudando a forma como as pessoas veem e interagem com o mundo.<\/p>\n<p>No trabalho, as novas tecnologias j\u00e1 alteraram as formas de contrata\u00e7\u00e3o, substituindo muitas atividades que antes eram manuais ou repetitivas, por automatiza\u00e7\u00e3o, e surgem como uma amea\u00e7a para o desaparecimento de v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, alterando tamb\u00e9m toda a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e de aspectos da seguran\u00e7a e sa\u00fade do trabalhador.<\/p>\n<p>Para explicar como o trabalhador est\u00e1 vulner\u00e1vel a essas novas tecnologias, o tecnologista da Fundacentro, Luiz Renato Balbao Andrade destacou a necessidade de se expandir os regulamentos de SST, incluir novas estruturas organizacionais e pr\u00e1ticas de emprego, que sejam capazes de lidar com todo esse novo modelo de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>De acordo com o tecnologista, as mudan\u00e7as sociais e no mundo do trabalho s\u00e3o inevit\u00e1veis, mas o foco deve estar na sa\u00fade do trabalhador, nas formas de preven\u00e7\u00e3o, e no direito de saber dos consumidores e trabalhadores.<\/p>\n<p>Um aspecto colocado por Andrade refere-se \u00e0 rotulagem de produtos nanotecnol\u00f3gicos e que ainda n\u00e3o trazem informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre composi\u00e7\u00e3o e riscos, excluindo a sociedade e os trabalhadores do direito de saber. \u201cA Fundacentro, Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a ag\u00eancia americana (NIOSH), o instituto franc\u00eas (INRST) e outras institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas com a nanotecnologia e novas tecnologias e ressaltam a preocupa\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o das nanopart\u00edculas com o corpo humano\u201d.<\/p>\n<p>Algumas medidas de preven\u00e7\u00e3o de riscos foram apontadas pelo engenheiro, tais como, a ado\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Precau\u00e7\u00e3o, o uso de ferramentas de Control Banding (proposta de sistema de gest\u00e3o e de estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o que auxilia gestores de pequenas e m\u00e9dias empresas na realiza\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o dos riscos de forma qualitativa) e a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Em outra palestra apresentada pelo tecnologista, Jos\u00e9 Renato Schmidt, fica clara a import\u00e2ncia de envolver o trabalhador nas discuss\u00f5es sobre nanotecnologia e outras tecnologias. Estima-se que 6 milh\u00f5es de trabalhadores estar\u00e3o expostos aos nanomateriais em 2020. De acordo com estudos levantados pelo doutorando, no per\u00edodo de 2000 a 2015 houve um aumento expressivo de 154% no n\u00famero de trabalhos cient\u00edficos divulgados.<\/p>\n<p>Para falar sobre o futuro do trabalho, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) que celebra em 2019, cem anos de exist\u00eancia, lan\u00e7ou o documento \u201cIniciativas do Centen\u00e1rio sobre o Futuro do Trabalho\u201d, que ter\u00e1 como finalidade a elabora\u00e7\u00e3o de respostas eficazes que levem \u00e0 justi\u00e7a social. Ao todo, s\u00e3o 7 Iniciativas e o Brasil j\u00e1 participou do primeiro di\u00e1logo nacional em 2016, cujo tema foi sobre a \u201cOrganiza\u00e7\u00e3o do trabalho e da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Leia mais.<\/p>\n<p>Nanotecnologia no corpo humano<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as decorrentes das tecnologias n\u00e3o ocorrem somente na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e na sociedade, mas atingem partes do corpo humano, podendo causar danos ao DNA, altera\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, lip\u00eddios e biomol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Maria de F\u00e1tima Viegas, tecnologista da Fundacentro e especialista em Nanotoxicologia (sub-especialidade da Toxicologia) destaca que o trabalhador pode ser contaminado pelas vias respirat\u00f3rias ao inalar subst\u00e2ncias que contenham nanopart\u00edculas.<\/p>\n<p>Em uma pesquisa realizada pela tecnologista foram encontrados cerca de 900 artigos sobre potenciais vias de contamina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m das vias respirat\u00f3rias, os estudos mostraram que a placenta e o leite materno tamb\u00e9m podem ser fontes de contamina\u00e7\u00e3o. Contudo, Viegas lembra que embora haja a confirma\u00e7\u00e3o para essas vias de contamina\u00e7\u00e3o, os estudos est\u00e3o em fase experimental e foram conduzidos em animais.<\/p>\n<p>Um caso que vem chamando a aten\u00e7\u00e3o de especialistas para os perigos das nanopart\u00edculas ocorreu em abril de 2008, quando sete funcion\u00e1rias de uma empresa chinesa, morreram por contamina\u00e7\u00e3o aos produtos nanotecnol\u00f3gicos, sendo considerado o primeiro caso ocupacional de morte por nanopart\u00edculas encontradas em tintas.<\/p>\n<p>Mas Viegas destaca que ainda n\u00e3o h\u00e1 teste cl\u00ednico para mensurar a exposi\u00e7\u00e3o aos nanotubos de carbono ou nanopart\u00edculas. \u201cPrecisamos do respaldo dos empregadores para auxiliar na identifica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o dos riscos\u201d, observa.<\/p>\n<p>Como sugest\u00e3o, a tecnologista recomenda a leitura do guia da OMS &#8211; WHO Guidelines from potential risks on protecting workers of manufactured nanomaterials, lan\u00e7ado em 2017, no idioma ingl\u00eas, que cont\u00e9m recomenda\u00e7\u00f5es para melhor proteger os trabalhadores dos riscos nanotecnol\u00f3gicos e auxiliar os empregadores em assuntos que envolvem a Higiene Ocupacional.<\/p>\n<p>O doutorando da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP (FSP-USP), Jorge Marques Pontes, apresentou o tema \u201cDesafios \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalho (SST) durante a implanta\u00e7\u00e3o das novas tecnologias no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Pontes fez uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social para mostrar como o trabalho feminino, o surgimento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, o movimento sindical foram fatores determinantes para as mudan\u00e7as sociais, at\u00e9 a transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Mas quais os reais desafios para a sa\u00fade do trabalhador frente \u00e0s novas tecnologias? O aluno da FSP elenca alguns desafios que incluem melhoria na forma de comunicar os riscos aos trabalhadores e \u00e0 sociedade; a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental dos trabalhadores; a\u00e7\u00e3o preventiva conjunta, onde haja a participa\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade e melhor compreens\u00e3o sobre as nanopart\u00edculas engenheiradas, usadas para fins comerciais e encontradas no meio ambiente.<\/p>\n<p>Em pesquisa conduzida por Pontes, um dos maiores desafios da sa\u00fade ocupacional \u00e9 como enfrentar os riscos psicossociais que acometem diversos segmentos do trabalho. Em um estudo sobre Depress\u00e3o nas Am\u00e9ricas, conduzido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (2017), coloca o Brasil na posi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 2, com quase 12 milh\u00f5es de casos por depress\u00e3o. Os Estados Unidos aparecem em 1\u00ba lugar; M\u00e9xico em 3\u00ba; Col\u00f4mbia em 4\u00ba e Argentina em 5\u00ba.<\/p>\n<p>As palestras do per\u00edodo da tarde da quarta (27) foram coordenadas pela pesquisadora, Arline Sydneia Abel Arcuri versou sobre \u201cRiscos das tecnologias emergentes e suas converg\u00eancias para a sa\u00fade dos trabalhadores e trabalhadoras\u201d.<\/p>\n<p>Na quinta (28), a pesquisadora da Fundacentro, Elisa Kayo Shibuya coordenou a mesa sobre \u201cConverg\u00eancia tecnol\u00f3gica e controle social\u201d.<\/p>\n<p>O \u00faltimo dia (29) do XVI Semin\u00e1rio Internacional Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (XVI Seminanosoma) e o I Semin\u00e1rio Internacional de Nanotecnologia, Desenvolvimento e Trabalho 4.0 (I Senano), teve as palestras dos tecnologistas da Fundacentro, Cl\u00f3vis Eduardo Meirelles, cujo tema foi sobre \u201cUsos de novas tecnologias no meio rural\u201d, e Val\u00e9ria Ramos Soares Pinto sobre o tema \u201cNanoencapsulamento \u2013 caracter\u00edsticas e poss\u00edveis impactos na sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Os temas foram abordados durante a XVI edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional Nanotecnologia, Sociedade e Meio ambiente (Seminanosoma) e do I Semin\u00e1rio Internacional de Nanotecnologia, Desenvolvimento e Trabalho 4.0 (I Senano), realizado de 26 a 29 de novembro de 2019, na sede da Procuradoria Regional do Trabalho, em S\u00e3o Paulo-SP.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Fundacentro)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Novas Tecnologias, A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a Nanotecnologia s\u00e3o apenas algumas das novas tecnologias capazes de revolucionar a sociedade, mudando a forma como as pessoas veem e interagem com o mundo. 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