{"id":39062,"date":"2019-10-09T09:23:06","date_gmt":"2019-10-09T12:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=39062"},"modified":"2019-10-09T09:26:15","modified_gmt":"2019-10-09T12:26:15","slug":"brumadinho-apresentado-relatorio-final-do-acidente-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/10\/09\/brumadinho-apresentado-relatorio-final-do-acidente-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Brumadinho: apresentado relat\u00f3rio final do acidente de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintend\u00eancia Regional do Trabalho em Minas Gerais &#8211; SRT\/MG apresentaram na manh\u00e3 desta quarta-feira, 25 de setembro, o relat\u00f3rio de investiga\u00e7\u00e3o do maior acidente de trabalho do Brasil, o rompimento da barragem da Vale na Mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG). O acidente completa hoje 8 meses. Morreram 249 pessoas, a maioria de empregados e terceirizados da Vale, al\u00e9m de moradores da regi\u00e3o afetada pelos rejeitos da barragem. At\u00e9 hoje, 21 pessoas est\u00e3o desaparecidas. Foram tamb\u00e9m lesionados 64 trabalhadores.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o ficou sob a responsabilidade dos Auditores-Fiscais do Trabalho Marcos Botelho e M\u00e1rio Parreiras. Tamb\u00e9m estavam presentes representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e da Advocacia Geral da Uni\u00e3o. A coletiva de imprensa atraiu jornalistas dos principais ve\u00edculos de Belo Horizonte. As reportagens est\u00e3o sendo publicadas em jornais de TV, r\u00e1dios e em sites de not\u00edcias.<\/p>\n<p>A equipe que fez a investiga\u00e7\u00e3o foi composta por oito Auditores-Fiscais do Trabalho. Eles foram ao local do acidente seis vezes, entrevistaram representantes de empresas respons\u00e1veis por projetos, execu\u00e7\u00e3o de obras, auditorias e estudos t\u00e9cnicos relativos \u00e0 barragem. Tamb\u00e9m examinaram centenas de documentos, al\u00e9m de se reunirem com integrantes dos Minist\u00e9rios P\u00fablico Federal e do Trabalho, Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o, Corpo de Bombeiros e Assembleia Legislativa de Minas Gerais. V\u00e1rios documentos foram obtidos por meio de autoriza\u00e7\u00f5es judiciais e cedidos pelos Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e do Trabalho.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio de cerca de 400 p\u00e1ginas, foram apontadas nove causas para o acidente de trabalho. Os problemas remontam \u00e0 \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o da estrutura, em 1976. A principal causa apurada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho foi a linha fre\u00e1tica muito alta. Em outras palavras, havia muita \u00e1gua na barragem e a drenagem era insuficiente para esco\u00e1-la. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram adotadas as medidas efetivas para baixar o n\u00edvel da \u00e1gua. As atividades da mina deveriam ter sido paralisadas desde 2016 e a popula\u00e7\u00e3o que estava no caminho da lama deveria ter sido avisada do risco que corria.<\/p>\n<p>As nove causas apontadas foram distor\u00e7\u00f5es no c\u00e1lculo dos fatores de seguran\u00e7a, geologia local desconhecida, opera\u00e7\u00e3o irregular &#8211; lan\u00e7amento de rejeitos e largura de praia, sistema de drenagem &#8211; interno e superficial &#8211; insuficiente e mal conservado, demora no rebaixamento efetivo da linha fre\u00e1tica, exist\u00eancia de anomalias recorrentes, falhas em planos de emerg\u00eancia, ausculta\u00e7\u00e3o deficiente &#8211; piez\u00f4metros, inclin\u00f4metros, e gest\u00e3o de seguran\u00e7a e sa\u00fade no trabalho prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Desde a constru\u00e7\u00e3o, em 1976,o dique inicial da barragem n\u00e3o contava com sistema de drenagem. Outro problema \u00e9 que a praia de rejeitos de 150 metros, no m\u00ednimo, somente come\u00e7ou a ser formada em 2012. Em meados de 2015, a praia contava com 100 metros, ainda bem menor que o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o constatou o lan\u00e7amento inadequado de rejeitos na barragem, provocando o ac\u00famulo de \u00e1gua na frente do barramento. &#8220;Isso foi formando camadas sobrepostas, acumulando \u00e1gua sobre as camadas de materiais mais finos, a argila. Em vez de a \u00e1gua infiltrar nas camadas de rejeito j\u00e1 lan\u00e7adas, come\u00e7a a ser jogada para frente, para perto do barramento, criando os chamados len\u00e7\u00f3is empoleirados pr\u00f3ximos aos diques&#8221;, explicou Botelho.<\/p>\n<p>Esse processo dificultava a drenagem. Como exemplo, Marcos Botelho disse que se, em junho de 2017, quando o n\u00edvel de \u00e1gua chegou a um ponto cr\u00edtico, se a Vale fosse bombear toda a \u00e1gua para fora da barragem, ao ritmo de 229,5 metros c\u00fabicos por hora &#8211; m\u00b3\/h, levaria o ano todo para chegar num n\u00edvel aceit\u00e1vel de seguran\u00e7a. Se fosse mantido um ritmo de 98,1 m\u00b3\/h, o prazo saltaria para fins de 2018.<\/p>\n<p>Mas a Vale n\u00e3o adotou essa medida, como tamb\u00e9m outras que foram apontadas por empresas de consultoria em dezembro de 2017, como: perfurar po\u00e7os de rebaixamento; criar uma berma de estabiliza\u00e7\u00e3o; lavrar a barragem, removendo mais de 40 metros de altura em tr\u00eas etapas; retaludamento dos diques; retaludamento junto com uma berm de refor\u00e7o.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o da Vale foi implementar Drenos Horizontais Profundos &#8211; DHP. Foram projetados 29, mas apenas 14 foram executados. &#8220;Quando o 15\u00ba DHP estava sendo executado, a \u00e1gua injetada durante a perfura\u00e7\u00e3o encontrou resist\u00eancia e voltou para o pr\u00f3prio maci\u00e7o, fraturou o dique inicial, e escorrendo sobre uma escada de drenagem. A Vale ent\u00e3o paralisou essas interven\u00e7\u00f5es e procurava outras solu\u00e7\u00f5es. E as diretorias da Vale tinham conhecimento de tudo isso. Fizeram o projeto de po\u00e7os profundos para rebaixar a linha d`\u00e1gua, mas n\u00e3o tiveram tempo para implementar&#8221;, afirmou Marcos Botelho.<\/p>\n<p>Durante a an\u00e1lise de relat\u00f3rios da Vale, os Auditores-Fiscais do Trabalho encontraram padr\u00f5es que se repetiam a cada 15 dias. Entre eles, havia assoreamento de canaletas, trincas, vazamentos com presen\u00e7a de rejeitos, indicando que se formavam vazios dentro da estrutura. A praia ficou coberta de vegeta\u00e7\u00e3o retendo a \u00e1gua ao inv\u00e9s de esco\u00e1-la como era sua fun\u00e7\u00e3o. Cupinzeiros e formigueiros abriram furos no barramento. Uma bomba de \u00e1gua n\u00e3o funcionava. E, por fim, o volume de chuvas em 2018 foi 62,3% maior que aquele registrado em 2015, o que provocou eleva\u00e7\u00e3o da linha fre\u00e1tica. As sondagens feitas para monitorar as condi\u00e7\u00f5es da barragem podem ter sido o gatilho que provocou a liquefa\u00e7\u00e3o da estrutura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de todos os problemas citados, a investiga\u00e7\u00e3o constatou maquiagem dos n\u00fameros dos fatores de estabilidade constantes nos relat\u00f3rios de auditoria, na tentativa de obter a Declara\u00e7\u00e3o de Condi\u00e7\u00e3o de Estabilidade &#8211; DCE junto aos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores.<\/p>\n<p>A Vale n\u00e3o se pronunciou sobre o relat\u00f3rio alegando que ainda n\u00e3o teve acesso aos dados.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Sinait)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintend\u00eancia Regional do Trabalho em Minas Gerais &#8211; SRT\/MG apresentaram na manh\u00e3 desta quarta-feira, 25 de setembro, o relat\u00f3rio de investiga\u00e7\u00e3o do maior acidente de trabalho do Brasil, o rompimento da barragem da Vale na Mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG). 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