{"id":37976,"date":"2019-08-12T09:38:46","date_gmt":"2019-08-12T12:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=37976"},"modified":"2019-08-12T09:40:02","modified_gmt":"2019-08-12T12:40:02","slug":"pesquisa-revela-dados-sobre-o-consumo-de-drogas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/08\/12\/pesquisa-revela-dados-sobre-o-consumo-de-drogas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Fiocruz: pesquisa revela dados sobre o consumo de drogas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Entre maio e outubro de 2015, pesquisadores entrevistaram cerca de 17 mil pessoas com idades entre 12 e 65 anos, em todo o Brasil, com o objetivo de estimar e avaliar os par\u00e2metros epidemiol\u00f3gicos do uso de drogas. O 3\u00b0 Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela Popula\u00e7\u00e3o Brasileira foi coordenado pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e contou com a parceria de v\u00e1rias outras institui\u00e7\u00f5es, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) e a Universidade de Princeton, nos EUA.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o da pesquisa cient\u00edfica destinada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do 3\u00b0 Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela Popula\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 o primeiro resultado de entendimentos iniciais entre a Secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas (Senad) do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica e a Fiocruz, no \u00e2mbito da C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o e Arbitragem da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal, \u00f3rg\u00e3o da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o. O acordo preliminar para a divulga\u00e7\u00e3o do estudo prev\u00ea que os conte\u00fados do relat\u00f3rio final da pesquisa, do sum\u00e1rio executivo e dos suplementos produzidos pela Fiocruz sejam disponibilizados \u00e0 sociedade por meio da plataforma Arca, mantida pela Fiocruz na internet. Para mais informa\u00e7\u00f5es, clique no link: <a href=\"http:\/\/www.agu.gov.br\/page\/content\/detail\/id_conteudo\/789618\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.agu.gov.br\/page\/content\/detail\/id_conteudo\/789618<\/a>.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o mais completo levantamento sobre drogas j\u00e1 realizados em territ\u00f3rio nacional. \u00c9 a primeira vez que um inqu\u00e9rito sobre o uso de drogas no pa\u00eds consegue alcan\u00e7ar abrang\u00eancia nacional, sendo representativo inclusive de munic\u00edpios de pequeno porte e de zonas de fronteira, por exemplo.<\/p>\n<p>Os entrevistados responderam a quest\u00f5es quanto ao uso, o abuso e a depend\u00eancia de numerosas subst\u00e2ncias: tabaco, \u00e1lcool, coca\u00edna, maconha, crack, solventes, hero\u00edna, ecstasy, tranquilizantes benzodiazep\u00ednicos, esteroides anabolizantes, sedativos barbit\u00faricos, estimulantes anfetam\u00ednicos, analg\u00e9sicos opi\u00e1ceos, anticolin\u00e9rgicos, LSD, quetamina, ch\u00e1 de ayahuasca e drogas injet\u00e1veis. Outros questionamentos tinham rela\u00e7\u00e3o com viol\u00eancia (perpetrada ou sofrida), a percep\u00e7\u00e3o sobre o risco do uso de drogas e a opini\u00e3o dos entrevistados sobre pol\u00edticas p\u00fablicas para a \u00e1rea. Al\u00e9m disso, eles responderam a perguntas gerais sobre sa\u00fade e a informa\u00e7\u00f5es s\u00f3ciodemogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Para ser representativo da popula\u00e7\u00e3o brasileira de 12 a 65 anos, o 3\u00ba Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas definiu seu plano amostral a partir de crit\u00e9rios metodol\u00f3gicos semelhantes aos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) do IBGE. \u201cH\u00e1 um enorme desafio em realizar uma pesquisa como esta, que busque ser representativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira. O Brasil n\u00e3o \u00e9 apenas muito heterog\u00eaneo, como tamb\u00e9m conta com regi\u00f5es muito pobres, territ\u00f3rios de popula\u00e7\u00e3o esparsa e dificuldade de acesso\u201d, explica o coordenador do levantamento e pesquisador do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz), Francisco In\u00e1cio Bastos.<\/p>\n<h3>Maconha \u00e9 a droga il\u00edcita mais consumida<\/h3>\n<p>Os dados obtidos pelo 3\u00b0 Levantamento est\u00e3o dispon\u00edveis no Reposit\u00f3rio Institucional da Fiocruz (Arca), em acesso aberto. Os resultados revelam, por exemplo, que 3,2% dos brasileiros usaram subst\u00e2ncias il\u00edcitas nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa, o que equivale a 4,9 milh\u00f5es de pessoas. Esse percentual \u00e9 muito maior entre os homens: 5% (entre as mulheres fica em 1,5%). E tamb\u00e9m entre os jovens: 7,4% das pessoas entre 18 e 24 anos haviam consumido drogas ilegais no ano anterior \u00e0 entrevista.<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia il\u00edcita mais consumida no Brasil \u00e9 a maconha: 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos j\u00e1 a usaram ao menos uma vez na vida. Em segundo lugar, fica a coca\u00edna em p\u00f3: 3,1% j\u00e1 consumiram a subst\u00e2ncia. Nos 30 dias anteriores \u00e0 pesquisa, 0,3% dos entrevistados afirmaram ter feito uso da droga.<\/p>\n<p>Aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de pessoas entre 12 e 65 anos relataram ter feito uso de crack e similares alguma vez na vida, o que corresponde a 0,9% da popula\u00e7\u00e3o de pesquisa, com um diferencial pronunciado entre homens (1,4%) e mulheres (0,4%). Nos 12 meses anteriores ao levantamento, o uso dessa droga foi reportado por 0,3% da popula\u00e7\u00e3o. O relat\u00f3rio da pesquisa destaca, por\u00e9m, que esses resultados devem ser observados com cautela, uma vez que o inqu\u00e9rito domiciliar n\u00e3o \u00e9 capaz de captar as pessoas que s\u00e3o usu\u00e1rias e n\u00e3o se encontram regularmente domiciliadas ou est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es especiais, como por exemplo vivendo em abrigos ou em pres\u00eddios.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o ao crack, os n\u00fameros do levantamento s\u00e3o importantes justamente por revelar uma discrep\u00e2ncia\u201d, explica In\u00e1cio Bastos. \u201cO percentual que encontramos no 3\u00b0 Levantamento \u00e9 inferior ao que aparece na Pesquisa Nacional do Uso do Crack [Fiocruz, 2013]. Isso porque nosso levantamento foi domiciliar. Mas os usu\u00e1rios de crack comp\u00f5em uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente marginalizada, que vive em situa\u00e7\u00e3o de rua. Desse modo, importante refor\u00e7ar que o levantamento corrobora o grave problema de sa\u00fade p\u00fablica que \u00e9 o uso de crack no Brasil. Mas faz isso justamente por mostrar, a partir da visibilidade diminuta dentro dos lares, que o consumo dessa subst\u00e2ncia no pa\u00eds \u00e9 um fen\u00f4meno do espa\u00e7o p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<h3>Medicamentos sem prescri\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Outro dado destacado pelos pesquisadores diz respeito ao uso dos analg\u00e9sicos opi\u00e1ceos e dos tranquilizantes benzodiazep\u00ednicos. Nos 30 dias anteriores \u00e0 pesquisa eles foram consumidos de forma n\u00e3o prescrita, ou de modo diferente \u00e0quele recomendado pela prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, por nada menos que 0,6% e 0,4% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, respectivamente. \u201c\u00c9 um n\u00famero que revela um padr\u00e3o muito preocupante, e que faz lembrar o problema norte-americano de uma d\u00e9cada atr\u00e1s, em termos de classe de subst\u00e2ncias\u201d, alerta o coordenador do levantamento.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas l\u00edcitas, uma boa not\u00edcia: o consumo do tabaco parece estar diminuindo. \u201cOutras pesquisas t\u00eam mostrado que h\u00e1 um decl\u00ednio com rela\u00e7\u00e3o ao uso do cigarro convencional. Por outro lado, t\u00eam chamado aten\u00e7\u00e3o para formas emergentes de fumo, com a ascens\u00e3o de aparatos como cigarros eletr\u00f4nicos e narguil\u00e9s\u201d, argumenta Bastos. Ainda assim, cerca de um ter\u00e7o (33,5%) dos brasileiros declarou ter fumado cigarro industrializado pelo menos uma vez na vida. E, nos 30 dias anteriores \u00e0 pesquisa, foram 13,6%, o que corresponde a 20,8 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<h3>\u00c1lcool<\/h3>\n<p>Grande parte dos dados considerados mais alarmantes com rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es de uso de drogas no Brasil n\u00e3o est\u00e3o relacionados por\u00e9m \u00e0s subst\u00e2ncias il\u00edcitas, e sim ao \u00e1lcool. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira de 12 a 65 anos declarou ter consumido bebida alc\u00f3olica alguma vez na vida. Cerca de 46 milh\u00f5es (30,1%) informaram ter consumido pelo menos uma dose nos 30 dias anteriores. E aproximadamente 2,3 milh\u00f5es de pessoas apresentaram crit\u00e9rios para depend\u00eancia de \u00e1lcool nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e diferentes formas de viol\u00eancia tamb\u00e9m foi abordada pelo 3\u00b0 Levantamento, apresentando um panorama contundente. Aproximadamente 14% dos homens brasileiros de 12 a 65 anos dirigiram ap\u00f3s consumir bebida alco\u00f3lica, nos 12 meses anteriores \u00e0 entrevista. J\u00e1 entre as mulheres esta estimativa foi de 1,8%. A percentagem de pessoas que estiveram envolvidos em acidentes de tr\u00e2nsito enquanto estavam sob o efeito de \u00e1lcool foi de 0,7%.<\/p>\n<p>Cerca de 4,4 milh\u00f5es de pessoas reportaram ter discutido com algu\u00e9m sob efeito de \u00e1lcool nos 12 meses anteriores \u00e0 entrevista, sendo que destes 2,9 milh\u00f5es eram homens e 1,5 milh\u00f5es, mulheres. A preval\u00eancia de ter reportado que \u201cdestruiu ou quebrou algo que n\u00e3o era seu\u201d sob efeito de \u00e1lcool tamb\u00e9m foi estaticamente significativa e maior entre homens do que entre mulheres (1,1% e 0,3%, respectivamente).<\/p>\n<h3>Risco de morte<\/h3>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o do brasileiro quanto \u00e0s drogas atrela mais risco ao uso do crack do que ao \u00e1lcool: 44,5% acham que o primeiro \u00e9 a droga associada ao maior n\u00famero de mortes no pa\u00eds, enquanto apenas 26,7% colocariam o \u00e1lcool no topo do ranking. \u201cMas os principais estudos sobre o tema, como a pesquisa de cargas de doen\u00e7as da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, n\u00e3o deixam d\u00favidas: o \u00e1lcool \u00e9 a subst\u00e2ncia mais associada, direta ou indiretamente, a danos \u00e0 sa\u00fade que levam \u00e0 morte\u201d, pondera Bastos. \u201cTanto o \u00e1lcool quanto o crack, por\u00e9m, representam grandes desafios \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Os jovens brasileiros est\u00e3o consumindo drogas com mais potencial de provocar danos e riscos, como o pr\u00f3prio crack. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma tend\u00eancia ao poliuso [uso simult\u00e2neo de drogas diferentes]. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante atualizar os dados epidemiol\u00f3gicos dispon\u00edveis no pa\u00eds, para responder \u00e0s perguntas de um tema como o consumo de drogas, que se torna ainda mais complexo num pa\u00eds t\u00e3o heterog\u00eaneo quanto o Brasil\u201d, completa.<\/p>\n<p>O 3\u00b0 Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela Popula\u00e7\u00e3o Brasileira teve sua origem numa concorr\u00eancia p\u00fablica lan\u00e7ada em 2014 pela Secretaria Nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas (Senad), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Veja a pesquisa completa, com sum\u00e1rio e demais documentos, no <a href=\"https:\/\/www.arca.fiocruz.br\/handle\/icict\/34614\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reposit\u00f3rio Institucional da Fiocruz<\/a> (Arca).<\/p>\n<p>(<em>Fonte: Fiocruz<\/em>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre maio e outubro de 2015, pesquisadores entrevistaram cerca de 17 mil pessoas com idades entre 12 e 65 anos, em todo o Brasil, com o objetivo de estimar e avaliar os par\u00e2metros epidemiol\u00f3gicos do uso de drogas. 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