{"id":37970,"date":"2019-08-08T14:57:08","date_gmt":"2019-08-08T17:57:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=37970"},"modified":"2019-08-08T14:57:08","modified_gmt":"2019-08-08T17:57:08","slug":"alagoas-registra-mais-de-4-mil-casos-de-acidentes-e-doencas-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/08\/08\/alagoas-registra-mais-de-4-mil-casos-de-acidentes-e-doencas-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Alagoas registra mais de 4 mil casos de acidentes e doen\u00e7as de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de acidentes de trabalho em Alagoas em 2018 aumentou em compara\u00e7\u00e3o com 2017.\u00a0De acordo com o Observat\u00f3rio Digital de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, foram registradas 4.200 acidentes e doen\u00e7as de trabalho no ano passado com 18 mortes de trabalhadores.<\/p>\n<p>O Observat\u00f3rio Digital de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho contabiliza apenas as notifica\u00e7\u00f5es comunicadas ao INSS. O ex-superintendente do Trabalho em Alagoas, o advogado Israel Lessa, explicou que os n\u00fameros\u00a0s\u00e3o inferiores ao que acompanhou enquanto estava atuando como superintendente e, para ele, isso acontece porque os casos est\u00e3o subnotificados.<\/p>\n<p>&#8220;Isso acontece porque inexiste a aplica\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas e de uma cultura consciente, por parte de trabalhadores e empregadores, da import\u00e2ncia vital das normas de sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho&#8221;, explica o advogado Israel Lessa.<\/p>\n<p>Segundo o auditor fiscal do Trabalho em Alagoas, Elton Machado, o n\u00famero real, al\u00e9m de muito maior, \u00e9 preocupante. &#8220;Embora possam parecer baixos, os n\u00fameros s\u00e3o significativos, especialmente quando se observa uma fort\u00edssima subnotifica\u00e7\u00e3o das ocorr\u00eancias. Estima-se que que os n\u00fameros de acidentes e doen\u00e7as do trabalho por todo o Brasil, na verdade, sejam na ordem de seis vezes mais do que aqueles que s\u00e3o declarados ou reconhecidos pelo INSS e que comp\u00f5em a estat\u00edstica nacional. A principal discrep\u00e2ncia entre o real e o oficial reside no n\u00famero de doen\u00e7as ocupacionais existentes. As estat\u00edsticas brasileiras est\u00e3o totalmente na contram\u00e3o dos n\u00fameros internacionais, onde as doen\u00e7as desenvolvidas em fun\u00e7\u00e3o do trabalho t\u00eam incid\u00eancia muito maior do que os acidentes propriamente ditos&#8221;, argumenta o auditor fiscal.<\/p>\n<p>Em todo Brasil, foram 623.786 acidentes de trabalho, o que equivale a um aumento de 8%. Em 2017, fora, 574.053 comunica\u00e7\u00f5es de acidentes de trabalho. A maior parte dos acidentes de trabalho ocorridos em Alagoas no ano passado aconteceu em Macei\u00f3. A capital alagoana contabilizou 2.184 acidentes, o equivalente a 52% do total.<\/p>\n<p>&#8220;Macei\u00f3 ter\u00e1 sempre o maior n\u00famero de acidentes por ser a capital do estado e por ter a maior oferta de empregos. \u00c9 tamb\u00e9m a cidade com maior n\u00famero de CNPJs ativos. S\u00e3o mais de 100 mil. E o d\u00e9ficit de auditores fiscais do Trabalho, aproximadamente 20, impossibilita uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais intensa&#8221;, disse Israel Lessa.<\/p>\n<p>Os dados apontam ainda que, em Alagoas, no ano de 2018, foram gastos pelo INSS 37,3 milh\u00f5es de reais com aux\u00edlio-doen\u00e7a acident\u00e1rio e 61,9 milh\u00f5es de reais com aposentadorias por invalidez acident\u00e1ria. O acumulado de gastos do INSS entre 2012 e 2018 com estes dois benef\u00edcios \u00e9 de 305,5 (aux\u00edlio-doen\u00e7a acident\u00e1rio) e 324,7 (aposentadoria por invalidez acident\u00e1ria) milh\u00f5es de reais, totalizando 630,2 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>De acordo com o mapeamento de acidentes de trabalho em Alagoas, o setor sucroenerg\u00e9tico det\u00e9m o maior percentual de acidentes de trabalho. De 2012 a 2018, foi respons\u00e1vel por 44% do total com destaque para acidentes com trabalhadores rurais, seguido por atendimento hospitalar (10%), Correios (4%) e constru\u00e7\u00e3o civil (4%). Mas, no recorte de apenas 2018, houve uma queda significativa: redu\u00e7\u00e3o para 22% do setor e aumento na constru\u00e7\u00e3o civil que amarga 8%.<\/p>\n<p>Vale salientar que, nos \u00faltimos seis anos, o n\u00famero de acidentes de trabalho foi expressivamente maior entre os homens. 82,6% das notifica\u00e7\u00f5es de acidente de trabalho foram registradas pelo sexo masculino.<\/p>\n<p>Ainda para o ex-superintendente do Trabalho em Alagoas \u00e9 preciso impulsionar na cabe\u00e7a dos trabalhadores e empres\u00e1rios a cultura prevencionista. Para o auditor fiscal do Trabalho, a participa\u00e7\u00e3o do governo podem minimizar os altos \u00edndices de acidentes de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;No curto prazo \u00e9 imprescind\u00edvel a dissemina\u00e7\u00e3o das boas pr\u00e1ticas, com campanhas bem estruturadas de conscientiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e empregadores para a import\u00e2ncia do tema. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso oferecer mais condi\u00e7\u00f5es para a inspe\u00e7\u00e3o do trabalho cumprir adequadamente o seu mister. Atualmente, al\u00e9m de um efetivo muito reduzido, a fiscaliza\u00e7\u00e3o ainda enfrenta dificuldades materiais, com sucessivos contingenciamentos, recursos minguantes e estrutura de trabalho longe do ideal.<\/p>\n<p>A longo prazo \u00e9 preciso que o Estado, em todas as suas esferas, abrace a causa prevencionista e torne efetivo um plano nacional de seguran\u00e7a e sa\u00fade no trabalho, fortalecendo os \u00f3rg\u00e3os de vigil\u00e2ncia em SST, bem como disseminando estes conhecimentos nas escolas b\u00e1sicas e profissionalizantes, al\u00e9m de uma pol\u00edtica de incentivos, inclusive fiscais, para as organiza\u00e7\u00f5es que apresentarem bons resultados a gest\u00e3o de seus riscos ocupacionais&#8221;, posiciona Machado.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Globo.com)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de acidentes de trabalho em Alagoas em 2018 aumentou em compara\u00e7\u00e3o com 2017.\u00a0De acordo com o Observat\u00f3rio Digital de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, foram registradas 4.200 acidentes e doen\u00e7as de trabalho no ano passado com 18 mortes de trabalhadores. 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