{"id":37691,"date":"2019-07-08T15:53:13","date_gmt":"2019-07-08T18:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=37691"},"modified":"2019-07-08T15:53:13","modified_gmt":"2019-07-08T18:53:13","slug":"senado-debate-melhores-meios-de-combate-ao-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/07\/08\/senado-debate-melhores-meios-de-combate-ao-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Senado debate melhores meios de combate ao trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica sobre escravid\u00e3o contempor\u00e2nea \u2014 promovida pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa (CDH) nesta quarta-feira (3) \u2014, especialistas levantaram d\u00favidas sobre a capacidade das empresas para enfrentar, em toda a cadeia produtiva, o trabalho escravo \u2014 conceito que inclui escravid\u00e3o por d\u00edvidas e condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho.<\/p>\n<p>Os debatedores tamb\u00e9m criticaram as decis\u00f5es judiciais que suspenderam a inclus\u00e3o de certas empresas na lista suja do trabalho escravo, editada pelo Minist\u00e9rio da Economia. As companhias listadas n\u00e3o podem receber empr\u00e9stimos de bancos p\u00fablicos e sofrem restri\u00e7\u00f5es em suas vendas. O correspondente no Brasil da Funda\u00e7\u00e3o Thomson Reuters, F\u00e1bio Teixeira, alertou para o enfraquecimento da lista por meio de liminares concedidas por ju\u00edzes que, na opini\u00e3o dele, n\u00e3o entendem o problema do trabalho escravo.<\/p>\n<p>Coordenador da Articula\u00e7\u00e3o dos Empregados Rurais de Minas Gerais (Adere-MG), Jorge dos Santos Filho revelou que a regi\u00e3o do munic\u00edpio de Carmo de Minas re\u00fane 6% do trabalho escravo registrado na lista suja, situa\u00e7\u00e3o que considera agravada pelo que chamou de \u201cmarketing mentiroso das multinacionais do caf\u00e9&#8221;. Segundo ele, as empresas n\u00e3o honram as certifica\u00e7\u00f5es de boas pr\u00e1ticas de trabalho que ostentam, pois exploram trabalho escravo, n\u00e3o registram trabalhadores e n\u00e3o fornecem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Outro problema \u00e9 a falta de acesso \u00e0 justi\u00e7a. As indeniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o baixas e muitas vezes n\u00e3o contribuem com a puni\u00e7\u00e3o \u2014 avaliou, lamentando a falta de auditores fiscais para o registro de ocorr\u00eancias trabalhistas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m citando o trabalho escravo na agricultura cafeeira do sul de Minas Gerais, o coordenador de desenvolvimento e direitos socioambientais da Conectas Direitos Humanos, Caio Borges, destacou a falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o pela sociedade como obst\u00e1culo para o combate \u00e0s viola\u00e7\u00f5es trabalhistas e para a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de enfrentamento. Segundo ele, as empresas t\u00eam responsabilidade com medidas preventivas, mesmo que o Estado n\u00e3o esteja cumprindo sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil, apesar de ter um sistema s\u00f3lido, precisa pensar em como preencher algumas lacunas que permanecem \u2014 opinou.<\/p>\n<h3><b>Cadeias produtivas<\/b><\/h3>\n<p>Representando a Mesa Redonda Internacional de Responsabilidade Empresarial, Marion Cadier comentou a dificuldade no monitoramento da escravid\u00e3o humana em cadeias produtivas que atravessam v\u00e1rios pa\u00edses, o que estimula a impunidade e deixa a justi\u00e7a distante das v\u00edtimas. Ela entende que os investidores pedem transpar\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos porque as empresas que lucram com a explora\u00e7\u00e3o t\u00eam vantagem competitiva sobre as outras.<\/p>\n<p>\u2014 Precisamos de regula\u00e7\u00e3o, porque medidas volunt\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>Representante do Centro de Recursos Empresariais e Direitos Humanos do Reino Unido, Patr\u00edcia Carrier pediu presen\u00e7a forte do Estado diante da falta de autoridade de consumidores e empresas. Para ela, o Brasil j\u00e1 tem estrutura jur\u00eddica contra a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores, mas \u00e9 preciso assegurar aos \u00f3rg\u00e3os governamentais os meios para fazer cumprir a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A explora\u00e7\u00e3o ocorre bem mais abaixo na cadeia produtiva e as grandes empresas n\u00e3o investigam. N\u00e3o veem trabalho for\u00e7ado dentro de um quadro mais geral de viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos \u2014 lamentou.<\/p>\n<p>Os governos devem cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es em vez de \u201cesperar uma trag\u00e9dia\u201d, segundo Ruth Freedom Pojman, do Fundo Global para Acabar com a Escravid\u00e3o Moderna. Ela considera question\u00e1vel o resultado das iniciativas pr\u00f3prias de empresas e cidad\u00e3os para enfrentar o trabalho escravo.<\/p>\n<h3><b>40 milh\u00f5es<\/b><\/h3>\n<p>Por sua vez, a representante do Instituto Pacto Nacional pela Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo (InPacto) M\u00e9rcia Silva informou que mais de 40 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o submetidas a trabalho for\u00e7ado, segundo os crit\u00e9rios da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) \u2014 cerca de 370 mil no Brasil. Ela associou a ocorr\u00eancia desses crimes \u00e0s regi\u00f5es de elevada vulnerabilidade social e cumprimentou as grandes empresas que assumem o risco de enfrentar o problema.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 um conjunto de procedimentos e pol\u00edticas que empresas precisam adotar. Isso adiciona valor.<\/p>\n<p>O jornalista Leonardo Sakamoto, do Rep\u00f3rter Brasil, pediu mais fiscaliza\u00e7\u00e3o e mais trabalho integrado para empres\u00e1rios verificarem suas cadeias produtivas, mas declarou temor de que o atual governo paralise processos que se tornaram rotinas desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Nesse ambiente, sentimos dificuldade de avan\u00e7ar com pautas que passem pela regulamenta\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, mas a rejei\u00e7\u00e3o ao trabalho escravo \u00e9 praticamente unanimidade \u2014 resumiu.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia interativa foi conduzida pelo presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS).<\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Senado)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica sobre escravid\u00e3o contempor\u00e2nea \u2014 promovida pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Legisla\u00e7\u00e3o Participativa (CDH) nesta quarta-feira (3) \u2014, especialistas levantaram d\u00favidas sobre a capacidade das empresas para enfrentar, em toda a cadeia produtiva, o trabalho escravo \u2014 conceito que inclui escravid\u00e3o por d\u00edvidas e condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho. 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