{"id":36930,"date":"2019-04-30T15:23:32","date_gmt":"2019-04-30T18:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36930"},"modified":"2019-04-30T15:25:31","modified_gmt":"2019-04-30T18:25:31","slug":"a-fadiga-cronica-nao-e-uma-doenca-psicologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/04\/30\/a-fadiga-cronica-nao-e-uma-doenca-psicologica\/","title":{"rendered":"Fadiga cr\u00f4nica: doen\u00e7a afeta 2,5% da popula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o existem tratamentos eficazes"},"content":{"rendered":"<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Quando Sara Medrano descrevia seus sintomas aos m\u00e9dicos, frequentemente acabava sendo encaminhada a um psiquiatra. Sofria um esgotamento cont\u00ednuo, cuja origem parecia imposs\u00edvel de identificar. \u201cDiziam-me que era algo psicossom\u00e1tico\u201d, relembra Medrano, que atualmente \u00e9 tesoureira da Afinsyfacro, uma associa\u00e7\u00e3o espanhola que re\u00fane pacientes de fibromialgia e fadiga cr\u00f4nica. \u201cTive a sorte de que acabei caindo no consult\u00f3rio da mesma pessoa v\u00e1rias vezes, e ela me disse que n\u00e3o podiam me ajudar do ponto de vista psiqui\u00e1trico e me deu uma carta para que a mostrasse quando quisessem me encaminhar outra vez para a psiquiatria\u201d, continua. Posteriormente, recebeu um diagn\u00f3stico em uma cl\u00ednica de Barcelona, com base em uma prova de esfor\u00e7o repetida em dias diferentes e complementada com testes neurocognitivos. Como tratamento, n\u00e3o conta com muito mais do que tramadol e paracetamol para a dor.<\/p>\n<p>O caminho percorrido por Medrano \u00e9 comum entre os pacientes com essa doen\u00e7a. \u201cCom muita frequ\u00eancia, a enfermidade \u00e9 classificada como imagin\u00e1ria\u201d, afirma Ron Davis, professor da Escola de Medicina da Universidade Stanford (EUA). Davis \u00e9 o autor principal de um estudo publicado nesta segunda-feira na revista <em>PNAS<\/em> e que pode ajudar a mudar essa percep\u00e7\u00e3o, oferecendo uma prova cient\u00edfica, a partir de exames de sangue, de que a s\u00edndrome da fadiga cr\u00f4nica \u00e9 algo real.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\">Com muita frequ\u00eancia, a doen\u00e7a \u00e9 classificada como imagin\u00e1ria<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, quando ocorre, se baseia em sintomas como o cansa\u00e7o inexplic\u00e1vel, a sensibilidade \u00e0 luz, dores sem uma causa identific\u00e1vel e dificuldades para dormir, e sempre \u00e9 preciso descartar outras doen\u00e7as mais f\u00e1ceis de definir. O teste, criado por Rahim Esfandyarpour, consiste em medir a rea\u00e7\u00e3o ao estresse das c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico. Essa medi\u00e7\u00e3o foi feita colhendo amostras de sangue de 40 pessoas, sendo 20 com s\u00edndrome de fadiga cr\u00f4nica, e 20 que n\u00e3o sofriam desse problema.<\/p>\n<p>Conforme explicam os autores, os resultados foram precisos e consistentes. Depois de estressar as c\u00e9lulas com sal, aplicou-se uma corrente el\u00e9trica nelas, que servia para medir varia\u00e7\u00f5es nessas c\u00e9lulas. Quanto maiores eram as mudan\u00e7as na corrente, maior era a altera\u00e7\u00e3o nas c\u00e9lulas, um sinal de que n\u00e3o estavam assimilando bem o estresse. As amostras dos pacientes com fadiga cr\u00f4nica foram as que mostravam mudan\u00e7as importantes na corrente.<\/p>\n<p>Davis reconhece que n\u00e3o sabem por que o plasma sangu\u00edneo e as c\u00e9lulas das pessoas com fadiga cr\u00f4nica reagem dessa forma, mas acredita que a diferen\u00e7a t\u00e3o clara entre a rea\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas e das c\u00e9lulas s\u00e3s \u00e9 \u201cuma prova cient\u00edfica de que a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da mente do paciente\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\">Estima-se que a fadiga cr\u00f4nica afete 2,5% da popula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o existem tratamentos eficazes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Os pesquisadores da Universidade Stanford querem agora ampliar seu estudo para provar se a t\u00e9cnica continua dando os mesmos resultados quando aplicada a um n\u00famero maior de pacientes. Al\u00e9m disso, querem utilizar seu sistema diagn\u00f3stico para identificar f\u00e1rmacos que ajudem a tratar uma doen\u00e7a que, como comentava Medrano, tem poucas op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. A plataforma serviria para medir a rea\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de um paciente ao estresse em sua forma normal e depois de serem expostas a uma mol\u00e9cula. Se o f\u00e1rmaco melhorasse a rea\u00e7\u00e3o, poderia ser cogitado como candidato para tratar da fadiga cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Por enquanto, segundo nota divulgada pela Universidade Stanford, a equipe identificou um composto que parece restabelecer um funcionamento saud\u00e1vel nas c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas e no plasma sangu\u00edneo de doentes. Depois de aplic\u00e1-lo, as grandes mudan\u00e7as na corrente observadas antes do tratamento desapareciam. At\u00e9 agora, isso n\u00e3o foi testado em pessoas com fadiga cr\u00f4nica, mas Davis e Esfandyarpour esperam poder faz\u00ea-lo em um futuro pr\u00f3ximo, dentro de um ensaio cl\u00ednico que confirme sua efic\u00e1cia. Para facilitar e acelerar a chegada desses medicamentos, todas as mol\u00e9culas que est\u00e3o eles testando com seu novo sistema diagn\u00f3stico j\u00e1 foram aprovadas pela FDA, a ag\u00eancia que regula a comercializa\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos nos EUA.<\/p>\n<h3>Resultados \u201cespetaculares\u201d<\/h3>\n<p>Juli\u00e0 Blanco, pesquisador da IrsiCaixa e do Instituto de Pesquisa Germans Trias i Pujol, de Barcelona, considera \u201cespetaculares\u201d os resultados da equipe de Stanford. \u201c\u00c9 das distin\u00e7\u00f5es mais claras que j\u00e1 vi entre pessoas s\u00e3s e pessoas com fadiga cr\u00f4nica\u201d, observa. A busca de um diagn\u00f3stico objetivo est\u00e1 no centro dos esfor\u00e7os das pessoas que trabalham com a fadiga cr\u00f4nica, doen\u00e7a que atualmente \u00e9 diagnosticada apenas com base em question\u00e1rios de autoavalia\u00e7\u00e3o do paciente. \u201cIsso deixa muito espa\u00e7o para a subjetividade\u201d, afirma Blanco. \u201cNa IrsiCaixa trabalhamos com a caracteriza\u00e7\u00e3o da enfermidade do ponto de vista imunol\u00f3gico, e vimos diferen\u00e7as, mas n\u00e3o com esta capacidade e esta especificidade\u201d, reconhece. Segundo o pesquisador, o novo sistema, se tiver sua efic\u00e1cia demonstrada com mais pacientes, ser\u00e1 muito \u00fatil tamb\u00e9m para comprovar se o tratamento administrado a um paciente est\u00e1 tendo os resultados desejados.<\/p>\n<p>Medrano considera que esse sistema diagn\u00f3stico, se finalmente puder ser aplicado de forma generalizada, melhoraria a vida dos pacientes que, antes de saberem que sofrem de uma doen\u00e7a concreta chamada fadiga cr\u00f4nica, t\u00eam que enfrentar a d\u00favida de se, como lhes sugerem alguns m\u00e9dicos, o mal est\u00e1 s\u00f3 na sua cabe\u00e7a. Al\u00e9m disso, possibilitaria definir se algu\u00e9m pode receber ajudas p\u00fablicas por defici\u00eancia. \u201cEu tenho 33% de defici\u00eancia, mas por outras doen\u00e7as; a fadiga cr\u00f4nica eles nem consideraram\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Dependendo de como a doen\u00e7a for definida, a preval\u00eancia pode alcan\u00e7ar 2,5% da popula\u00e7\u00e3o, e atualmente n\u00e3o h\u00e1 testes diagn\u00f3sticos que n\u00e3o dependam de uma resposta subjetiva do paciente. Tampouco h\u00e1 f\u00e1rmacos espec\u00edficos para seu tratamento. Estudos como o que foi publicado nesta segunda-feira na <em>PNAS<\/em> podem come\u00e7ar a reverter essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>(Fonte: El Pa\u00eds)<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Sara Medrano descrevia seus sintomas aos m\u00e9dicos, frequentemente acabava sendo encaminhada a um psiquiatra. 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