{"id":36867,"date":"2019-04-16T11:27:10","date_gmt":"2019-04-16T14:27:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36867"},"modified":"2019-04-16T11:33:26","modified_gmt":"2019-04-16T14:33:26","slug":"crise-do-mercado-de-trabalho-afeta-a-saude-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/04\/16\/crise-do-mercado-de-trabalho-afeta-a-saude-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Isma: crise do mercado de trabalho afeta a sa\u00fade dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>O brasileiro est\u00e1 ficando cada vez mais doente no ambiente de trabalho. \u00c9 isso o que constatou um estudo da International Stress Management Association (Isma), entidade especializada no tema.<\/p>\n<p>No ano passado, um em cada tr\u00eas trabalhadores sentiu na pele os efeitos danosos do estresse, perdendo apenas para os trabalhadores do Jap\u00e3o \u2013 onde 70% dos cidad\u00e3os em idade economicamente ativa se declaram estafados com a jornada profissional.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, o pa\u00eds n\u00e3o estava no top 10 do ranking. Al\u00e9m do desgaste f\u00edsico, essa triste realidade tem aumentado o n\u00famero de acidentes. Nos Estados Unidos, estima-se que at\u00e9 80% dos acidentes de trabalho est\u00e3o relacionados com o estresse, e o seu custo total \u00e9 de US$ 200 milh\u00f5es a US$ 300 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Nesse custo, incluem-se os gastos com as faltas dos funcion\u00e1rios, licen\u00e7as para tratamento da sa\u00fade, redu\u00e7\u00e3o da produtividade, despesas de seguro-sa\u00fade e a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que processam as empresas por terem adoecido.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, o estresse motivado pelo excesso de trabalho \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 10 mil mortes por ano. No Reino Unido, a estimativa \u00e9 que 17% de todas as faltas ao trabalho se devem a situa\u00e7\u00f5es provocadas pelo estresse, o que resulta em custo de 2% do total do Produto Interno Bruto (PIB), pelos mesmos motivos apontados nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>De acordo com especialistas, a degrada\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos trabalhadores est\u00e1 em ritmo acelerado pois, al\u00e9m da crise que atinge as empresas, h\u00e1 escassez de oportunidades de recoloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA press\u00e3o vem por todos os lados, desde cargas excessivas a ambientes mais competitivos\u201d, afirma o economista Jos\u00e9 Afonso, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). \u201cEm tempos de crise econ\u00f4mica, a amea\u00e7a latente de desemprego tem gerado reflexos diretos na sa\u00fade do trabalhador. Nesse cen\u00e1rio turbulento, trabalhadores, mesmo doentes em decorr\u00eancia de sobrecarga e ambientes de trabalho estressantes, tentam manter seus empregos, temendo ser substitu\u00eddos caso pe\u00e7am algum tipo de afastamento.\u201d<\/p>\n<p>Considerado o mal deste s\u00e9culo, o estresse \u00e9 o grande catalisador do surgimento de doen\u00e7as psicol\u00f3gicas. Isso ocorre porque as pessoas n\u00e3o conseguem lidar com a grande press\u00e3o no ambiente de trabalho e, frequentemente, levam toda a carga negativa para sua vida pessoal.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade analisou como anda a sa\u00fade mental no mundo. Nos \u00faltimos 10 anos, o n\u00famero de pessoas com depress\u00e3o aumentou 18,4% \u2013 hoje, isso corresponde a 322 milh\u00f5es de indiv\u00edduos, ou 4,4% da popula\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n<p>Os dados vieram \u00e0 tona em um relat\u00f3rio recente realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Para piorar, os brasileiros est\u00e3o levando esses \u00edndices para o alto. Por aqui, 5,8% dos habitantes t\u00eam sintomas depressivos, a maior taxa do continente latino-americano.<\/p>\n<p>A faixa et\u00e1ria mais afetada est\u00e1 concentrada entre 55 e 74 anos. O relat\u00f3rio ainda atesta que, apesar de a depress\u00e3o atingir pessoas de todas as idades, o risco se torna maior na presen\u00e7a de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de relacionamento, doen\u00e7as e uso de \u00e1lcool e de drogas.<\/p>\n<h3>Desemprego<\/h3>\n<p>A maior causa de estresse entre os brasileiros atualmente \u00e9 o receio de perder o pr\u00f3prio emprego. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o da mais recente pesquisa anual da Isma-BR, institui\u00e7\u00e3o que se dedica a investigar o tema.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da invers\u00e3o desses dois fatores nas primeiras posi\u00e7\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o ao estudo anterior, chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que o \u201cdesequil\u00edbrio entre esfor\u00e7o e recompensa\u201d subiu da condi\u00e7\u00e3o de quarto para terceiro principal fator de estresse, deixando para tr\u00e1s os conflitos interpessoais, uma das mais tradicionais fontes de aborrecimentos no cotidiano corporativo.<\/p>\n<p>\u201cO estresse n\u00e3o \u00e9 sempre inimigo da produtividade, enquanto ele \u00e9 um estado tempor\u00e1rio: quando um colaborador est\u00e1 frente a uma situa\u00e7\u00e3o desafiadora, devendo entregar uma tarefa num prazo apertado, ou numa negocia\u00e7\u00e3o importante, o mecanismo nervoso do estresse ajuda o colaborador a poder acessar 100% das suas capacidades cerebrais e mentais, deixando-o num estado de alerta\u201d, afirma Armelle Champetier, diretora da Yogist Brasil, consultoria especializada em bem-estar corporativo.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 o oposto disso. \u201cPor\u00e9m, se o n\u00edvel de estresse permanecer alto, ele acaba cansando muito o organismo, al\u00e9m de piorar a qualidade do sono. Um colaborador cansado tem a sua capacidade de concentra\u00e7\u00e3o diminu\u00edda, a sua habilidade de resolver problemas complexos e tomar as decis\u00f5es certas afetada.\u201d<\/p>\n<p>No Brasil, a depress\u00e3o tem sido uma das causas de maior afastamento dos trabalhadores no ambiente de trabalho. Estima-se que 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) \u00e9 perdido com despesas relacionadas aos males do estresse no ambiente corporativo. Para se ter uma ideia da gravidade, a doen\u00e7a figura em segundo lugar como a que mais tira profissionais de seus cargos, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). At\u00e9 2020, a expectativa \u00e9 de que a doen\u00e7a passe a figurar no topo da lista. O Minist\u00e9rio do Trabalho estima que cerca de 10 milh\u00f5es de trabalhadores sofram com o problema no Brasil.<\/p>\n<p>Os especialistas classificam como \u201cpresente\u00edsmo\u201d as pessoas que seguem trabalhando mesmo doentes, com medo do desemprego. O presente\u00edsmo \u00e9 um problema organizacional, pois o colaborador est\u00e1 presente fisicamente no trabalho, mas n\u00e3o est\u00e1 produzindo como deveria \u2013 o que obviamente afeta os neg\u00f3cios da empresa.<\/p>\n<p>A medicina do trabalho recomenda que consultas peri\u00f3dicas sejam realizadas num prazo de at\u00e9 um ano, mas os prazos podem ser reduzidos nos casos em que estresse e depress\u00e3o sejam identificados precocemente. A medicina do trabalho deve agir de forma preventiva, mas nem sempre o paciente permite que os sinais de que algo n\u00e3o est\u00e1 bem venham \u00e0 tona.<\/p>\n<h3><strong>S\u00edndrome do burnout <\/strong><\/h3>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o da medicina do trabalho, com a fragilidade dos profissionais em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica e desemprego, \u00e9 o desenvolvimento da s\u00edndrome de Burnout, ou s\u00edndrome do esgotamento profissional. \u00c9 o termo utilizado para designar o est\u00e1gio mais avan\u00e7ado de estresse no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Estar em burnout significa estar preso em uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda, quando j\u00e1 se perdeu a no\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o dos fatos. Quando voc\u00ea est\u00e1 a ponto de ter um ataque hist\u00e9rico, ou j\u00e1 teve realmente, voc\u00ea pode estar sofrendo desse mal. Os sintomas s\u00e3os, na maioria das vezes, estafa, fadiga e, nos casos mais graves, problemas cardiovasculares, como arritmias e infartos, ou at\u00e9 surtos psic\u00f3ticos.<\/p>\n<p>O tema tem sido recorrente em congressos de medicina e debates sobre medicina do trabalho, e j\u00e1 \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para os especialistas da \u00e1rea. Em primeiro lugar, eles recomendam que o funcion\u00e1rio tire f\u00e9rias imediatamente e, em segundo, que fa\u00e7a uma terapia com um profissional da sa\u00fade mental. Se o problema n\u00e3o for atacado de imediato, a pessoa pode acabar sofrendo de depress\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>\u201cCom o aumento da competitividade e o panorama de recess\u00e3o econ\u00f4mica, as empresas, na tentativa de continuar a crescer e ser lucrativas, acabam colocando press\u00e3o nos colaboradores, o que faz com que o estresse emocional seja uma constante nos locais de trabalho\u201d, diz Beatriz Moura, psic\u00f3loga e especialista em sa\u00fade mental pela UFRJ. \u201cA eleva\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria e o ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o atitudes amplamente praticadas por empresas de todo o mundo e que contribuem para o aumento dos problemas corporativos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Entrevista\/Beatriz Moura, psic\u00f3loga e especialista em sa\u00fade mental pela UFRJ<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2018\u2018A sa\u00fade mental influencia na produtividade\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Beatriz Moura, psic\u00f3loga e especialista em sa\u00fade mental pela UFRJ, fala sobre os perigos do estresse no ambiente profissional<\/p>\n<p><strong>Quais fatores contribuem para um trabalhador desenvolver transtornos comportamentais e de sa\u00fade mental?<\/strong><br \/>\nV\u00e1rios fatores contribuem, como coment\u00e1rios depreciativos, cr\u00edticas n\u00e3o construtivas, compara\u00e7\u00f5es, excesso de press\u00e3o e atitudes autorit\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos anos, em tempos de desemprego em alta no pa\u00eds, o estresse tem aumentado no trabalho?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida, pois o medo excessivo de n\u00e3o dar conta das tarefas no trabalho, para n\u00e3o perder o emprego, contribui para o aumento do estresse e o surgimento dos transtornos de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>O estresse no trabalho est\u00e1 relacionado ao excesso de informa\u00e7\u00f5es provenientes das redes sociais?<\/strong><br \/>\nPode ser um dos fatores, pois passar muito tempo navegando no meio digital pode ser nocivo \u00e0 sa\u00fade, j\u00e1 que os brasileiros est\u00e3o entre os maiores aficionados de redes sociais do mundo.<\/p>\n<p><strong>Qual o resultado na produtividade do colaborador sob estresse?<\/strong><br \/>\nOs principais efeitos no colaborador sob estresse s\u00e3o queda da produtividade, aumento do absente\u00edsmo, alta do n\u00famero de acidentes de trabalho, agressividade e isolamento social.<\/p>\n<p><strong>Qual o impacto desses dist\u00farbios para as empresas?<\/strong><br \/>\nPrincipalmente, a queda de produtividade do trabalhador.<\/p>\n<p><strong>Como os gestores podem identificar problemas de transtornos comportamentais e de sa\u00fade mental em seus trabalhadores?<\/strong><br \/>\n\u00c9 fundamental desenvolver campanhas internas sobre o tema. Al\u00e9m disso, \u00e9 ideal que se tenha o acompanhamento dos indicadores de sa\u00fade mental, para que se possa mapear e tratar adequadamente os casos, por meio de t\u00e9cnicas diferenciadas, que podem incluir entrevistas e outros modos de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais as alternativas que as empresas est\u00e3o buscando para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores no ambiente de trabalho?<\/strong><br \/>\nA preven\u00e7\u00e3o e o autoconhecimento s\u00e3o os melhores caminhos para uma boa sa\u00fade f\u00edsica e emocional e h\u00e1 muitas empresas que se dedicam a isso.<\/p>\n<p><strong>Qual o impacto do estresse na sociedade e na viol\u00eancia urbana?\u00a0<\/strong><br \/>\nO estresse, com \u00eanfase no transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, \u00e9 considerado uma das principais sequelas da viol\u00eancia urbana. Os danos mais profundos s\u00e3o emocionais e podem gerar transtornos como a ansiedade, depress\u00e3o e s\u00edndrome do p\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>O problema se torna ainda maior no caso das mulheres?<\/strong><br \/>\nNo caso das mulheres, al\u00e9m da press\u00e3o no ambiente de trabalho, elas sentem a press\u00e3o pelo trabalho dom\u00e9stico. J\u00e1 os homens t\u00eam uma resist\u00eancia maior em procurar atendimento m\u00e9dico e de expressar os sintomas. Por isso, h\u00e1 um menor n\u00famero de diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p><strong>Quais alternativas o profissional pode usar para cuidar da sua sa\u00fade f\u00edsica e mental?<\/strong><br \/>\nAs principais recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o dormir bem, praticar atividades f\u00edsicas, comer alimentos saud\u00e1veis e fazer atividades que tragam satisfa\u00e7\u00e3o, como se reunir com amigos e passeios com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro est\u00e1 ficando cada vez mais doente no ambiente de trabalho. \u00c9 isso o que constatou um estudo da International Stress Management Association (Isma), entidade especializada no tema. 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