{"id":36524,"date":"2019-03-08T13:26:19","date_gmt":"2019-03-08T16:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36524"},"modified":"2019-03-08T13:26:19","modified_gmt":"2019-03-08T16:26:19","slug":"cancer-de-mama-dificulta-a-reinsercao-no-mercado-de-trabalho-para-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/03\/08\/cancer-de-mama-dificulta-a-reinsercao-no-mercado-de-trabalho-para-as-mulheres\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer de mama dificulta a reinser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho para as mulheres"},"content":{"rendered":"<p>O dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 marcado pela reivindica\u00e7\u00e3o feminina para melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e mesmo ap\u00f3s 44 anos da oficializa\u00e7\u00e3o da data, o cen\u00e1rio ainda est\u00e1 desfavor\u00e1vel. Pela quest\u00e3o de g\u00eanero, muitas mulheres perdem oportunidades, sofrem com a desigualdade salarial ou n\u00e3o conquistam postos de lideran\u00e7a. Uma pesquisa realizada pelo IBGE mostrou que as mulheres s\u00e3o o grupo que menos conseguem empregos, mesmo sendo o maior grupo em idade ativa para trabalhar.<\/p>\n<p>Ao fazer o recorte dessa realidade no que se refere a mulheres com c\u00e2ncer, \u00e9 poss\u00edvel notar que as taxas de sobreviv\u00eancia t\u00eam crescido, mas pouco se fala sobre a qualidade de vida dessas mulheres. Um estudo recente liderado pela oncologista Luciana Landeiro, da equipe do N\u00facleo de Oncologia da Bahia (NOB) \/ Grupo Oncocl\u00ednicas, revelou que mulheres com diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama, mesmo aquelas que j\u00e1 enfrentaram a doen\u00e7a, t\u00eam menos chances no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o \u201cRetorno ao trabalho ap\u00f3s o diagn\u00f3stico do c\u00e2ncer de mama: Estudo prospectivo observacional no Brasil\u201d \u00e9 resultado da tese de doutorado da m\u00e9dica na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e foi publicada na Revista C\u00e2ncer, publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica norte-americana e uma das principais revistas internacionais na \u00e1rea de oncologia.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada em mulheres com idade entre 18 e 57 anos que foram entrevistadas por telefone com 6, 12 e 24 meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama. Antes do diagn\u00f3stico, 81% das pacientes tinham emprego em tempo integral e 59,5% relataram que eram as principais respons\u00e1veis pela renda familiar. A maioria das pacientes (94%) gostava de sua atividade de trabalho e recebeu apoio de seu empregador (73%) depois da identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No entanto, apenas 29,1% de mulheres relataram ter sido oferecido algum tipo de ajuste no seu trabalho, condi\u00e7\u00e3o importante para lidar com os efeitos adversos do tratamento. \u201cAs mulheres que receberam ajustes na fun\u00e7\u00e3o por parte de seus empregadores tiveram 37 vezes mais chances de retornar ao trabalho\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Aproximadamente 80% das pacientes tinham baixa renda familiar (com menos de quatro sal\u00e1rios m\u00ednimo\/m\u00eas por fam\u00edlia). Aos seis meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama, a taxa de retorno ao trabalho foi de 21,5%. Um ano ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, essa taxa ficou em 30,3% e ap\u00f3s dois anos do diagn\u00f3stico da doen\u00e7a a taxa registrada foi de 60,4%. Segundo Luciana Landeiro, as taxas de retorno foram menores que as registradas em pesquisas realizadas na Am\u00e9rica do Norte e na Europa.<\/p>\n<p>Pacientes submetidas \u00e0 mastectomia (retirada cir\u00fargica completa da mama), que foram diagnosticadas com depress\u00e3o ap\u00f3s o c\u00e2ncer ou que experimentaram dor retornaram significativamente menos para suas atividades de trabalho. A pesquisa tamb\u00e9m revelou que a chance de retornar ao trabalho foi nove vezes menor entre as mulheres tratadas com terapia end\u00f3crina.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m concluiu que as mulheres que recebiam dois ou mais sal\u00e1rios m\u00ednimos tinham 17 vezes mais chance de retornar ao trabalho do que as que ganhavam menos. As mulheres que se submeteram \u00e0 cirurgia conservadora (que retira o tumor e preserva a maior parte poss\u00edvel da mama) tamb\u00e9m apresentaram vantagens em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s que foram submetidas \u00e0 mastectomia (retirada cir\u00fargica da mama). A chance de reinser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho foi nove vezes maior para elas.<\/p>\n<p>De acordo com o INCA, cerca de 60 mil mulheres s\u00e3o diagnosticadas com c\u00e2ncer anualmente, por isso \u00e9 preciso desenvolver estrat\u00e9gias com foco na assist\u00eancia e reabilita\u00e7\u00e3o para a volta ao trabalho, assim como estimular o mercado a dar oportunidades \u00e0s pacientes oncol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o tratamento, as pacientes precisam retomar sua vida normal. O retorno ao trabalho faz parte do retorno \u00e0 normalidade, contudo esse tema \u00e9 pouco visitado e discutido. Acredito que a cria\u00e7\u00e3o de programas de inclus\u00e3o no mercado de trabalho para pacientes oncol\u00f3gicos poderia ser uma das formas de melhorarmos o n\u00famero de pacientes que retornam \u00e0s suas atividades laborais ap\u00f3s o c\u00e2ncer\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p><em>(Fonte: ES Hoje)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 marcado pela reivindica\u00e7\u00e3o feminina para melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e mesmo ap\u00f3s 44 anos da oficializa\u00e7\u00e3o da data, o cen\u00e1rio ainda est\u00e1 desfavor\u00e1vel. Pela quest\u00e3o de g\u00eanero, muitas mulheres perdem oportunidades, sofrem com a desigualdade salarial ou n\u00e3o conquistam postos de lideran\u00e7a. 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