{"id":36516,"date":"2019-03-08T11:15:03","date_gmt":"2019-03-08T14:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36516"},"modified":"2019-03-08T11:15:03","modified_gmt":"2019-03-08T14:15:03","slug":"mulher-em-cargo-de-chefia-chega-a-ganhar-um-terco-do-salario-de-um-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/03\/08\/mulher-em-cargo-de-chefia-chega-a-ganhar-um-terco-do-salario-de-um-homem\/","title":{"rendered":"Mulher em cargo de chefia chega a ganhar um ter\u00e7o do sal\u00e1rio de um homem"},"content":{"rendered":"<p>Mulheres em cargos de chefia podem chegar a ganhar um ter\u00e7o do\u00a0sal\u00e1rio\u00a0pago\u00a0a homens que desempenham a mesma fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2018, o rendimento m\u00e9dio mensal de\u00a0uma dirigente de servi\u00e7os de sa\u00fade, por exemplo, era de R$ 4.764, enquanto sua contraparte masculina\u00a0ganhava R$ 14.891. J\u00e1 uma dirigente de explora\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o recebia R$ 5.439, enquanto eram\u00a0pagos a um diretor equivalente\u00a0R$ 17.006.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros fazem parte de uma pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta-feira (8), quando se celebra o Dia Internacional da Mulher.<\/p>\n<p>O instituto partiu da base de dados da Pnad\u00a0(Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) Cont\u00ednua para analisar\u00a0as\u00a0diferen\u00e7as de rendimento m\u00e9dio real entre mulheres e homens de 25 a 49 anos,\u00a0ocupados\u00a0na semana de refer\u00eancia. Essa popula\u00e7\u00e3o totalizava 56,4 milh\u00f5es de pessoas em 2018 -45,3% de mulheres.<\/p>\n<p>Apesar dos exemplos\u00a0extremos para uma diretora do campo da\u00a0sa\u00fade ou da minera\u00e7\u00e3o, a diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres est\u00e1 espalhada pelas mais diversas \u00e1reas e n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o, observa\u00a0a analista Adriana Beringuy, da Coordena\u00e7\u00e3o de Emprego e Rendimento do IBGE.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos uma sele\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es numerosas e variadas, com maior e menor presen\u00e7a feminina, exig\u00eancias mais altas e mais baixas de escolaridade, e o que percebemos \u00e9 que em qualquer situa\u00e7\u00e3o desses cen\u00e1rios continuamos vendo a mulher com rendimentos inferiores aos dos homens&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>No ano passado,\u00a0o valor m\u00e9dio da hora trabalhada era de R$ 13 para\u00a0mulheres\u00a0e de\u00a0R$ 14,2\u00a0para homens, ou seja, o pagamento\u00a0delas por hora representava 91,5% daquele oferecido aos homens.<\/p>\n<p>Se a base de compara\u00e7\u00e3o for o rendimento total, a propor\u00e7\u00e3o cai ainda mais. Em 2018, as mulheres recebiam, em m\u00e9dia, R$ 2.050 -79,5% dos R$ 2.579 dos homens.\u00a0O rendimento m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o ocupada de 25 a 49 anos de idade era de R$ 2.260.<\/p>\n<p>Parte disso se\u00a0explica\u00a0porque as mulheres t\u00eam\u00a0uma jornada de trabalho semanal menor: 37,9 horas, ante 42,7 horas dos homens.\u00a0Beringuy\u00a0ressalta que o estudo computou as horas de trabalhos voltados para o mercado, isto \u00e9, excluindo o tempo dedicado a atividades dom\u00e9sticas e cuidados de terceiros.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa outra conta, sabemos por outros estudos que as mulheres muitas vezes chegam a superar os homens em n\u00famero de horas trabalhadas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,\u00a0a jornada dos homens caiu 1,6 hora em rela\u00e7\u00e3o a 2012 (in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do IBGE), enquanto a das mulheres reduziu apenas 0,4 hora.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a de carga hor\u00e1ria\u00a0n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar toda a disparidade salarial entre homens e mulheres, aponta\u00a0Beringuy.<\/p>\n<p>As mulheres representam 59% dos trabalhadores\u00a0dos setores de servi\u00e7os e com\u00e9rcio e trabalham 88% das horas dos homens, mas recebem 66,2% do sal\u00e1rio deles.\u00a0No detalhe, uma gerente de com\u00e9rcios atacadistas e varejistas ganha\u00a0R$ 2.668, enquanto um homem no mesmo posto recebe\u00a0R$ 4.045.<\/p>\n<p>&#8220;A jornada n\u00e3o explica tudo, assim como a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o&#8221;, diz a analista do IBGE.<\/p>\n<p>Ela cita, por exemplo,\u00a0 as\u00a0m\u00e9dicas\u00a0especialistas, que\u00a0ganham 71,8% do que recebem seus pares masculinos: R$ 12.618 ante R$ 17.572.\u00a0Advogadas e juristas t\u00eam um rendimento m\u00e9dio de R$ 5.033, 72,6% do recebido pelos homens.<\/p>\n<p>Olhando para grandes\u00a0grupos,\u00a0o IBGE constatou que as mulheres\u00a0eram maioria entre profissionais das ci\u00eancias e intelectuais (63%), mas recebiam 64,8% dos rendimentos m\u00e9dios dos homens.<\/p>\n<p>&#8220;Isso abre espa\u00e7o para outras quest\u00f5es, como qual ser\u00e1 a especializa\u00e7\u00e3o que as m\u00e9dicas t\u00eam buscado? S\u00e3o as de maior remunera\u00e7\u00e3o, como cirurgia e anestesia? E mais: elas s\u00e3o empregadas ou s\u00e3o donas dos seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios?&#8221;, questiona\u00a0Beringuy.<\/p>\n<p>As mulheres conseguiam chegar mais perto dos sal\u00e1rios dos homens em trabalhos de rendimento m\u00e9dio mais baixo.<\/p>\n<p>Em ocupa\u00e7\u00f5es elementares (auxiliares em geral), o sal\u00e1rio delas era 89,8% daquele recebido pelos homens, mas o valor de R$ 951 n\u00e3o chegava nem a um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 954 em 2018). Os homens nesses cargos ganhavam R$ 1.060.<\/p>\n<p>&#8220;Em ocupa\u00e7\u00f5es cujo sal\u00e1rio \u00e9 muito nivelado pelo piso m\u00ednimo, a diferen\u00e7a \u00e9 menor. Conforme olhamos para ocupa\u00e7\u00f5es que exigem maior escolaridade ou cujos rendimentos s\u00e3o maiores, essa remunera\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia vai se perdendo, h\u00e1 um leque maior de cargos dentro da pr\u00f3pria carreira, e a\u00ed as diferen\u00e7as tamb\u00e9m come\u00e7am a aumentar&#8221;, diz\u00a0Beringuy.<\/p>\n<p>Sejam brancas, pretas ou pardas, as mulheres t\u00eam rendimentos inferiores aos dos homens de mesma cor. Mas essa diferen\u00e7a \u00e9 maior entre mulheres e homens brancos (76,2%) do que\u00a0entre\u00a0mulheres e homens\u00a0pretos\u00a0ou pardos (80,1%).<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, essa menor desigualdade pode estar relacionada ao fato de que a popula\u00e7\u00e3o preta ou parda como um todo tem ocupa\u00e7\u00f5es com pagamentos mais baixos, muitas vezes de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<h3>Quest\u00e3o de tempo<\/h3>\n<p>A diferen\u00e7a de horas trabalhadas entre mulheres e homens aumenta conforme aumenta a faixa et\u00e1ria, e isso tamb\u00e9m afeta diretamente os rendimentos.<\/p>\n<p>Em 2018, a mulher ocupada com 25 a 29 anos de idade recebia 86,9% do rendimento m\u00e9dio do homem e trabalhava 3,6 horas a menos. No grupo\u00a0de 40 a 49 anos, a diferen\u00e7a chega a 5,4 horas, e essas mulheres ganhavam 74,9% do rendimento m\u00e9dio real dos homens.<\/p>\n<p>O estudo observa ainda que o tempo de trabalho na ocupa\u00e7\u00e3o exercida\u00a0influencia\u00a0a evolu\u00e7\u00e3o profissional e o planejamento de carreira, com consequentes efeitos sobre a\u00a0remunera\u00e7\u00e3o\u00a0do trabalhador.<\/p>\n<p>Interrup\u00e7\u00f5es de trabalho muitas vezes fazem com que as pessoas topem se reinserir no mercado em vagas com rendimentos mais baixos. &#8220;Voc\u00ea volta para o mercado na base da carreira e vai acumulando uma trajet\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 linear. Se isso j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil para os homens, imagine para mulheres que ficam gr\u00e1vidas ou t\u00eam de reduzir sua carga hor\u00e1rio para cuidar de outros&#8221;, diz a analista.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Folha de S. Paulo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres em cargos de chefia podem chegar a ganhar um ter\u00e7o do\u00a0sal\u00e1rio\u00a0pago\u00a0a homens que desempenham a mesma fun\u00e7\u00e3o. Em 2018, o rendimento m\u00e9dio mensal de\u00a0uma dirigente de servi\u00e7os de sa\u00fade, por exemplo, era de R$ 4.764, enquanto sua contraparte masculina\u00a0ganhava R$ 14.891. 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