{"id":36485,"date":"2019-02-28T16:35:58","date_gmt":"2019-02-28T19:35:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36485"},"modified":"2019-02-28T16:37:50","modified_gmt":"2019-02-28T19:37:50","slug":"primeira-barragem-de-uranio-do-brasil-entenda-risco-de-rompimento-com-residuo-radioativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/02\/28\/primeira-barragem-de-uranio-do-brasil-entenda-risco-de-rompimento-com-residuo-radioativo\/","title":{"rendered":"Primeira barragem de ur\u00e2nio do Brasil: entenda os riscos de rompimento"},"content":{"rendered":"<p>A primeira barragem de explora\u00e7\u00e3o e trabalho de ur\u00e2nio do Brasil, localizada em Caldas, na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais, n\u00e3o tem garantia de estabilidade, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM). Al\u00e9m disso, um estudo da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) apontou que um sistema da barragem est\u00e1 comprometido, causando risco de eros\u00e3o e, consequentemente, de rompimento.<\/p>\n<p>A barragem de rejeitos da unidade pertence \u00e0s Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB), empresa p\u00fablica, ligada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC) e que recebe verbas do Governo Federal. A \u00e1rea ocupa um espa\u00e7o equivalente a cem Maracan\u00e3s, contendo lixo radioativo com ur\u00e2nio, t\u00f3rio e r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o cerca de 12,5 mil toneladas de res\u00edduos, que sequer come\u00e7aram a passar pelo processo de descomissionamento &#8211; procedimento para a desativa\u00e7\u00e3o de uma instala\u00e7\u00e3o nuclear ao final de sua vida \u00fatil. A medida, inclusive, \u00e9 um pedido antigo da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Todo esse material come\u00e7ou a ser armazenado a partir de 1982, quando o ur\u00e2nio passou a ser explorado e enviado para a usina de Angra 1, em Angra dos Reis (RJ). Foram 13 anos de ac\u00famulo, at\u00e9 que a atividade foi encerrada, em 1995, por n\u00e3o ser mais &#8220;economicamente vi\u00e1vel&#8221;, conforme a pr\u00f3pria INB.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a unidade passou a funcionar principalmente de forma administrativa, com o monitoramento constante da radioatividade nas \u00e1guas que passam pela \u00e1rea e solo da regi\u00e3o e com laborat\u00f3rios de processos e an\u00e1lises ambientais.<\/p>\n<p>Mas com o processo de descontamina\u00e7\u00e3o parado, os riscos em caso de rompimento seguem rondando os moradores da regi\u00e3o e, recentemente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) pediu a cria\u00e7\u00e3o de um plano emergencial para a barragem.<\/p>\n<p>Mas quais s\u00e3o os riscos na regi\u00e3o? Que material \u00e9 esse? Confira ponto a ponto o que se sabe sobre a barragem de rejeitos e o trabalho da INB em Caldas.<\/p>\n<p>Unidade da INB<\/p>\n<p>A \u00e1rea conta com o parque industrial desativado, bacia de rejeitos e de \u00e1guas claras, dep\u00f3sito de armazenamento de materiais radioativos (com aproximadamente 12 mil toneladas de torta 2, formada por ur\u00e2nio e t\u00f3rio concentrados), al\u00e9m dos laborat\u00f3rios de an\u00e1lise e \u00e1rea administrativa.<\/p>\n<p>Explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio<\/p>\n<p>Entre 1982 e 1995, foram produzidas 1,2 mil toneladas de concentrado de ur\u00e2nio (tamb\u00e9m conhecido como yellowcake). Atualmente, a antiga mina a c\u00e9u aberto deu lugar a um enorme lago de \u00e1guas \u00e1cidas, que se formou no fundo dela, com cerca de 180 metros de profundidade e 1,2 mil metros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Existe outra barragem na unidade da INB em Caldas?<\/p>\n<p>Sim, a barragem de \u00e1guas claras. Ela foi constru\u00edda para armazenar a \u00e1gua que seria usada no processo de minera\u00e7\u00e3o e tem um volume de 3,9 milh\u00f5es de m\u00b3. Essa barragem tamb\u00e9m n\u00e3o tem garantia de estabilidade e apresenta mais riscos de rompimento, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o. De acordo com a INB, essa \u00e1gua \u00e9 monitorada e n\u00e3o apresenta risco de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E qual o volume da barragem de rejeitos? Todo o material \u00e9 radioativo?<\/p>\n<p>A barragem de rejeitos tem praticamente a metade do tamanho da barragem de \u00e1guas claras, com 1,97 milh\u00f5es de m\u00b3 &#8211; cerca de um sexto da quantidade de Brumadinho, que tinha 12,7 milh\u00f5es de m\u00b3. Ela \u00e9 composta por l\u00edquidos e s\u00f3lidos, com a presen\u00e7a de ur\u00e2nio e t\u00f3rio, que s\u00e3o radioativos, al\u00e9m de outros elementos, como alum\u00ednio, mangan\u00eas e zinco.<\/p>\n<p>Mas por que enriquecer ur\u00e2nio? Como \u00e9 feito?<\/p>\n<p>O processo \u00e9 feito por meio da quebra de \u00e1tomos para deixar o ur\u00e2nio mais concentrado, aumentando assim a energia adquirida na fiss\u00e3o. Segundo a INB, apenas 12 pa\u00edses fazem o enriquecimento no mundo: China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Jap\u00e3o, R\u00fassia, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Brasil, \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>E quais foram os problemas encontrados?<br \/>\nO estudo da Ufop foi encomendado ap\u00f3s o aparelho de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do reservat\u00f3rio apresentar um problema em setembro de 2018. O laudo apontou a necessidade de desativa\u00e7\u00e3o desse sistema extravasor para a constru\u00e7\u00e3o de um novo, mais moderno.<\/p>\n<p>Segundo a empresa, o problema foi comunicado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) e \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Depois o servi\u00e7o de substitui\u00e7\u00e3o foi contratado em car\u00e1ter emergencial em dezembro de 2018. As obras j\u00e1 come\u00e7aram e o t\u00e9rmino est\u00e1 previsto para maio de 2019.<\/p>\n<p>O que aconteceria em caso de rompimento?<\/p>\n<p>As duas barragens atingiriam rios que cortam a regi\u00e3o. A de rejeitos, cairia no Ribeir\u00e3o Soberbo e seguiria at\u00e9 o Rio Verde, depois chegando \u00e0 cidade de Caldas. J\u00e1 a Represa de \u00c1guas Claras atingiria o Ribeir\u00e3o das Antas e seguiria cerca de 25 km at\u00e9 Po\u00e7os de Caldas.<\/p>\n<p>Recentemente, representantes de 27 cidades do Sul de Minas, do Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam), da Superintend\u00eancia Regional de Meio Ambiente (Supram), do Corpo de Bombeiros e tamb\u00e9m da INB participaram de um encontro para tirar d\u00favidas sobre esse risco.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o por que o descomissionamento ainda n\u00e3o foi feito?<\/p>\n<p>Segundo a empresa, o plano para descomissionar a \u00e1rea foi apresentado para o Ibama em 2011. No ano seguinte, ele foi aprovado e seguiu para o CNEN. Agora o Plano de Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas, como \u00e9 chamado, est\u00e1 em andamento &#8220;com medidas que visam garantir a seguran\u00e7a do trabalhador, da popula\u00e7\u00e3o e do meio ambiente&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda conforme a INB, essas medidas &#8220;constam do Plano de Prote\u00e7\u00e3o Radiol\u00f3gica (PPR), Plano de Monitora\u00e7\u00e3o Ambiental (PMA) e Plano de Monitora\u00e7\u00e3o Ocupacional (PMO) da INB&#8221; e para realizar o descomissionamento, &#8220;a empresa precisa realizar essas a\u00e7\u00f5es anteriores&#8221;. O processo \u00e9 longo e est\u00e1 sendo acompanhado pelo MPF, mas n\u00e3o tem um prazo para ser conclu\u00eddo.<\/p>\n<p>Plano emergencial<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o estudo da Ufop, o MPF pediu \u00e0 INB para informar a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o sobre os riscos e as medidas de seguran\u00e7a a serem tomada em caso de rompimento da barragem. A INB come\u00e7ou, ent\u00e3o, a cadastrar os moradores das \u00e1reas pr\u00f3ximas para tra\u00e7ar um perfil de casos especiais e estruturar o plano, que deve ser apresentado no dia 30 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O que diz o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal<\/p>\n<p>Procurado pelo G1, o MPF afirmou que acompanha o descomissionamento e que h\u00e1 uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica em curso na subse\u00e7\u00e3o de Po\u00e7os de Caldas ajuizada em 2015. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um Inqu\u00e9rito Civil para acompanhar especificamente a situa\u00e7\u00e3o da barragem de rejeitos.<\/p>\n<p>Ainda conforme o minist\u00e9rio, em 2018, &#8220;foi celebrado acordo judicial, cujo objetivo \u00e9 obrigar a empresa ao descomissionamento e \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que assegurem a manuten\u00e7\u00e3o adequada do empreendimento at\u00e9 seu completo descomissionamento&#8221;. Esse processo est\u00e1 sendo acompanhado por meio de relat\u00f3rios trimestrais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o MPF tamb\u00e9m instaurou um Procedimento Administrativo para acompanhar o cumprimento do acordo e um Inqu\u00e9rito Civil para acompanhar a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da barragem de rejeitos.<\/p>\n<p><em>(Fonte: G1)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira barragem de explora\u00e7\u00e3o e trabalho de ur\u00e2nio do Brasil, localizada em Caldas, na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais, n\u00e3o tem garantia de estabilidade, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM). 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