{"id":36268,"date":"2019-02-01T11:01:49","date_gmt":"2019-02-01T13:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=36268"},"modified":"2019-02-01T11:01:49","modified_gmt":"2019-02-01T13:01:49","slug":"vale-previu-inundacao-de-refeitorio-e-sede-de-barragem-e-desprezou-o-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/02\/01\/vale-previu-inundacao-de-refeitorio-e-sede-de-barragem-e-desprezou-o-risco\/","title":{"rendered":"Vale previu inunda\u00e7\u00e3o de refeit\u00f3rio e sede de barragem e desprezou o risco"},"content":{"rendered":"<p>Antes da trag\u00e9dia de Brumadinho (MG), a Vale j\u00e1 sabia que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as \u00e1reas industriais da mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, incluindo o restaurante e a sede da unidade, onde estava parte dos mortos e desaparecidos.<\/p>\n<p>Procurada desde segunda-feira (28), a mineradora se recusou a encaminhar o documento, obtido pela Folha junto a um dos \u00f3rg\u00e3os oficiais encarregados de receb\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O rompimento da estrutura na \u00faltima sexta-feira (25) destruiu at\u00e9 as sirenes que deveriam alertar os empregados da companhia. Tamb\u00e9m matou respons\u00e1veis pela comunica\u00e7\u00e3o em caso de ruptura.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta quinta (31), as autoridades contabilizavam 110 mortos e 238 desaparecidos na trag\u00e9dia. Muitos deles estavam no restaurante da mina, a cerca de um quil\u00f4metro da barragem. O rompimento ocorreu na hora do almo\u00e7o. Outros estavam na pousada Nova Est\u00e2ncia, cuja inunda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava prevista no plano.\u200b<\/p>\n<p>Para especialistas, devido \u00e0 proximidade, os profissionais no local teriam pouca chance de escapar ainda que o alerta sonoro tivesse funcionado.<\/p>\n<p>O documento que prev\u00ea os danos em caso de rompimento \u00e9 o Plano de A\u00e7\u00f5es Emergenciais (PAEBM). O mapa da inunda\u00e7\u00e3o est\u00e1 no anexo A.<\/p>\n<p>Segundo portaria do governo federal, o plano deve projetar quais ser\u00e3o os danos em caso de colapso e definir medidas de mitiga\u00e7\u00e3o dos estragos.<\/p>\n<p>No caso da barragem de Brumadinho, ele previa que a extens\u00e3o da lama chegaria a 65 quil\u00f4metros da barragem.<\/p>\n<p>&#8220;O territ\u00f3rio para a propaga\u00e7\u00e3o da onda de ruptura, a jusante da Barragem I \u00e9 composto por diversos usos e coberturas. Parte da vegeta\u00e7\u00e3o existente na \u00e1rea \u00e9 classificada como de grande porte, como \u00e1reas de florestas e reflorestamento, al\u00e9m de \u00e1reas de pastagens, observando-se a presen\u00e7a de \u00e1reas antropizadas nas manchas urbanas.&#8221;<\/p>\n<p>O plano prev\u00ea que &#8220;diferentes mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o ser\u00e3o utilizados, com o uso de acionamentos sonoros&#8221;. Nenhuma sirene, por\u00e9m, tocou, como admitiu nesta quinta-feira o presidente da Vale, Fabio Schvartsman.<\/p>\n<p>&#8220;Em geral, isso [rompimento] vem com algum aviso&#8221;, disse. &#8220;Aqui aconteceu um fato que n\u00e3o \u00e9 muito usual. Houve um rompimento muito r\u00e1pido. A sirene foi engolfada pela queda da barragem antes que ela pudesse tocar&#8221;, completou.<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu com o acesso a uma das rotas de fuga que a empresa apontou como seguras durante treinamento com a popula\u00e7\u00e3o local. &#8220;Quem correu para onde a Vale mandou morreu, e quem n\u00e3o seguiu o treinamento est\u00e1 vivo&#8221;, diz Jhonatan J\u00fanior, 22, que perdeu o irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao menos dois funcion\u00e1rios elencados no plano como respons\u00e1veis por alertar em casos de emerg\u00eancia morreram: Maur\u00edcio Lemes, do Cecom (Centro de Controle de Emerg\u00eancias e Comunica\u00e7\u00e3o), e Alano Teixeira, coordenador suplente do PAEBM.<\/p>\n<p>O coordenador \u00e9 respons\u00e1vel por avisar a empresa e o Cecom. Ao Cecom cabe alertar as equipes internas de seguran\u00e7a, que, por sua vez, devem avisar os \u00f3rg\u00e3os de meio ambiente e a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O plano estabelece que, uma vez acionadas, as equipes de emerg\u00eancia da Vale ficar\u00e3o de prontid\u00e3o em suas bases ou ser\u00e3o deslocadas para pontos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>A Folha apurou que a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Semad) s\u00f3 foi oficialmente avisada da situa\u00e7\u00e3o \u00e0s 13h30, cerca de uma hora depois do rompimento.<\/p>\n<p>A demora ocorreu porque a equipe respons\u00e1vel pelos procedimentos de emerg\u00eancia do PAEBM ficava dentro da sede da mineradora.<\/p>\n<p>H\u00e1 a suspeita de que esses funcion\u00e1rios possam ter sido os primeiros a serem atingidos pela onda de lama. O escrit\u00f3rio da equipe de geotecnia, respons\u00e1vel por dar partida \u00e0s primeiras a\u00e7\u00f5es emergenciais, ficava no p\u00e9 da estrutura da barragem.<\/p>\n<p>Em caso de acidente ou de identifica\u00e7\u00e3o de risco, a Vale \u00e9 obrigada a avisar ao \u00f3rg\u00e3o ambiental respons\u00e1vel, \u00e0 Defesa Civil e \u00e0s comunidades no entorno por meio das sirenes. A partir da\u00ed, a empresa precisa evacuar os funcion\u00e1rios e orientar a comunidade sobre pontos de fuga e abrigo.<\/p>\n<p>Cabe \u00e0 empresa fornecer equipamentos para o trabalho na emerg\u00eancia, como retroescavadeiras, tratores, motoniveladora, caminh\u00f5es pipa e ambul\u00e2ncias, diz o plano.<\/p>\n<p>Consta no documento que &#8220;todos os dados de inspe\u00e7\u00e3o e monitoramento, incluindo as Fichas de Inspe\u00e7\u00e3o, s\u00e3o armazenados em um sistema interno de monitoramento das estruturas geot\u00e9cnicas.&#8221; A Vale at\u00e9 agora n\u00e3o trouxe a p\u00fablico essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O plano prev\u00ea tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: galgamento (&#8216;vazamento&#8217; sobre a crista da barragem), piping (rompimento a partir de uma fratura na barragem) e instabiliza\u00e7\u00e3o. Em todas elas h\u00e1 danos previstos nos cursos d&#8217;\u00e1gua de \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, problemas de abastecimento e fornecimento de energia, inunda\u00e7\u00f5es de \u00e1reas urbanas, assoreamento de cursos d&#8217;\u00e1gua e danos \u00e0 fauna e flora da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo (PV), afirmou na tarde desta quinta-feira (31) que desconhecia o plano. &#8220;Me parece que eles est\u00e3o montando esses planos todos agora. N\u00e3o chegou ao conhecimento meu&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Questionado se a Defesa Civil da cidade ou a prefeitura poderiam ter o documento, Melo disse que &#8220;[eles] tamb\u00e9m n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Portaria do governo federal estabelece que o PAEBM deve ser entregue \u00e0 prefeitura e \u00e0s defesas civis municipais e estaduais da regi\u00e3o onde est\u00e1 a barragem. Precisa ainda ter capa vermelha com o nome da barragem em destaque, para facilitar acesso. Al\u00e9m disso, o documento deve estar &#8220;em local de f\u00e1cil acesso no rompimento local&#8221;.<\/p>\n<p>A Vale afirmou que o PAEBM (Plano de A\u00e7\u00f5es Emergenciais de Barragem de Minera\u00e7\u00e3o) &#8220;foi constru\u00eddo com base em um estudo de ruptura hipot\u00e9tica, que definiu a mancha de inunda\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Diz que a estrutura tinha &#8220;sistema de v\u00eddeo monitoramento, sistema de alerta atrav\u00e9s de sirenes (todas testadas) e cadastramento da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 jusante&#8221;.<\/p>\n<p>A empresa afirma que fez uma simula\u00e7\u00e3o em 16 de junho de 2018 sob a coordena\u00e7\u00e3o das defesas civis e um treinamento interno com os funcion\u00e1rios em 23 de outubro.<\/p>\n<p>Diz ainda que protocolou os planos nas defesas civis federal, estadual e municipal entre junho e setembro do ano passado.<\/p>\n<p>Segundo a mineradora, a barragem passava por inspe\u00e7\u00f5es quinzenais, as \u00faltimas em 8 e 22 de janeiro, que &#8220;n\u00e3o detectaram nenhuma altera\u00e7\u00e3o no estado de conserva\u00e7\u00e3o da estrutura.&#8221;<\/p>\n<p>A barragem tamb\u00e9m tinha declara\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00e3o de estabilidade, as \u00faltimas emitidas em 13 de junho e 26 de setembro, diz a empresa.<\/p>\n<p>A estrutura era monitorada por 94 piez\u00f4metros (medidores de press\u00e3o) e 41 indicadores de n\u00edvel de \u00e1gua.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Folha de S. Paulo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da trag\u00e9dia de Brumadinho (MG), a Vale j\u00e1 sabia que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as \u00e1reas industriais da mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, incluindo o restaurante e a sede da unidade, onde estava parte dos mortos e desaparecidos. 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