{"id":3606,"date":"2016-04-04T08:58:02","date_gmt":"2016-04-04T11:58:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2016\/04\/04\/sindrome-de-burnout-poe-em-risco-a-saude-de-profissionais\/"},"modified":"2016-04-04T08:58:02","modified_gmt":"2016-04-04T11:58:02","slug":"sindrome-de-burnout-poe-em-risco-a-saude-de-profissionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2016\/04\/04\/sindrome-de-burnout-poe-em-risco-a-saude-de-profissionais\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de burnout p\u00f5e em risco a sa\u00fade de profissionais"},"content":{"rendered":"<p><em>Data: 3 de abril<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Acostumada a ver sua atua\u00e7\u00e3o elogiada pelos empregadores, Alessandra Riscado assumia metas cada vez mais ambiciosas em nome da supera\u00e7\u00e3o pessoal. O reconhecimento continuou mas, logo, corpo e mente come\u00e7aram a falhar. Dores cr\u00f4nicas, taquicardia e at\u00e9 apag\u00f5es mentais passaram a integrar a sua rotina. Alguma coisa andava mal. Alessandra havia desenvolvido a s\u00edndrome de burnout.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Trabalhava como consultora de grandes empresas e assumia fun\u00e7\u00f5es que demandavam resultados muito espec\u00edficos e respostas r\u00e1pidas. Fui muito premiada e ganhei respeito, o que fez com que entrasse numa roda viva. Queria sempre mais resultados, em cargas hor\u00e1rias exaustivas \u2014 relata. \u2014 Como n\u00e3o mudei a rotina diante dos sintomas, os problemas se agravaram. Em alguns casos, era como se tivesse perdido as fun\u00e7\u00f5es cognitivas. Lia uma frase num e-mail, e n\u00e3o conseguia entender. Tamb\u00e9m havia situa\u00e7\u00f5es em que um colega falava comigo, mas eu n\u00e3o assimilava a mensagem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O \u00e1pice foi quando Alessandra acordou para ler um e-mail durante a madrugada e teve uma s\u00edncope nervosa, cena que se repetiu mais vezes at\u00e9 um m\u00e9dico deixar bem clara a gravidade da situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Ele me intimou a tirar licen\u00e7a por 15 dias. Mandou ficar em casa e deixar meu corpo falar. Foi muito dif\u00edcil, porque tinha vergonha de admitir isso para a empresa. Mas, quando parei, as sensa\u00e7\u00f5es vieram \u00e0 tona com for\u00e7a. Senti uma forte depress\u00e3o e n\u00e3o conseguia levantar da cama. Ent\u00e3o, comecei um tratamento de nove meses para me restabelecer. Tive que tomar ansiol\u00edtico e antidepressivo, mas tamb\u00e9m estudei medita\u00e7\u00e3o e comecei a fazer pinturas e escrever.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Pouco conhecida, mas recorrente<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Por mais extrema que soe a experi\u00eancia de Alessandra, o quadro n\u00e3o \u00e9 raro. Uma pesquisa feita pela sede brasileira da International Stress Management Association com mil profissionais identificou que 72% dos entrevistados sofriam com estresse, sendo que 30% deles apresentavam o burnout. Segundo a psic\u00f3loga Ana Maria Rossi, presidente da entidade, o Brasil s\u00f3 perde para o Jap\u00e3o, em termos de incid\u00eancia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ela explica que a s\u00edndrome se apresenta com algumas varia\u00e7\u00f5es, conforme o caso, mas n\u00e3o existe sem tr\u00eas caracter\u00edsticas b\u00e1sicas: exaust\u00e3o, em que a pessoa n\u00e3o tem recursos f\u00edsicos e emocionais para lidar com situa\u00e7\u00f5es; ceticismo, quando o paciente assume uma postura negativa e alienada; e inefic\u00e1cia, cujas consequ\u00eancias s\u00e3o baixos \u00edndices de produtividade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 As causas s\u00e3o muitas. Uma delas \u00e9 a pessoa n\u00e3o se sentir recompensada no trabalho, assim como notar que n\u00e3o \u00e9 tratada com justi\u00e7a. A sobrecarga com a falta de equipamentos e equipe tamb\u00e9m entra nessa lista, bem como situa\u00e7\u00f5es em que a pessoa \u00e9 responsabilizada por executar tarefas que n\u00e3o seriam de sua responsabilidade \u2014 lista Ana Maria, acrescentando o conflito de valores entre funcion\u00e1rio e empresa como outro forte motivador. \u2014 \u00e9 o caso daquela pessoa que sabe o quanto um determinado produto \u00e9 ruim, mas precisa vend\u00ea-lo para garantir o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>S\u00f3cia da Be Coaching, Marie Bendelac \u00e9 especialista em carreira e bem-estar e observa que o burnout tem afetado, sobretudo, profissionais cuja atua\u00e7\u00e3o se relaciona ao cuidado. \u00e9 o caso de m\u00e9dicos e professores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 S\u00e3o pessoas muito solicitadas para ajudar ao outro, mas que n\u00e3o conseguem cuidar de si \u2014 observa. \u2014 E temos notado a ocorr\u00eancia numa parcela cada vez mais jovem, o que chama muito aten\u00e7\u00e3o. \u00e9 gente na casa de 25 a 30 anos, com alto n\u00edvel de estresse cr\u00f4nico. Geralmente, sofrem com muita cobran\u00e7a e o desejo de abra\u00e7ar o mundo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>De quem \u00e9 a culpa?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o, segundo Marie, vem com um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 A pessoa precisa compreender que est\u00e1 num cen\u00e1rio capaz de lev\u00e1-la a consequ\u00eancias graves. Tenho uma conhecida que sofreu burnout e, depois de nove anos, n\u00e3o conseguiu voltar a trabalhar. Ou seja, \u00e9 importante conhecer os sinais f\u00edsicos para evitar o desenvolvimento de quadros como este \u2014 recomenda. \u2014 O caminho \u00e9 o equil\u00edbrio entre produtividade alta e dedica\u00e7\u00e3o aos cuidados com a vida pessoal, com boa alimenta\u00e7\u00e3o, sono de qualidade e atividades f\u00edsicas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas, afinal, de quem \u00e9 a culpa? Na opini\u00e3o de Marie, \u00e9 um caso de corresponsabilidade. Ela, por exemplo, costuma sugerir aos clientes uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de perfeccionismo e cr\u00edticas internas como t\u00e1ticas para evitar a s\u00edndrome.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Tive uma cliente que fazia tudo correndo, sem perguntar prazos. Conversamos, e ela passou a tomar essa iniciativa. Acabou descobrindo que n\u00e3o precisava fazer tudo imediatamente, sempre \u2014 exemplifica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>E existe o outro lado da quest\u00e3o. Marie afirma que tamb\u00e9m \u00e9 preciso haver uma evolu\u00e7\u00e3o na cultura das empresas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Os gestores precisam entender que n\u00e3o \u00e9 fazendo hora extra que conseguimos um desempenho melhor. \u00e9 necess\u00e1rio questionar se vale a pena levar um funcion\u00e1rio \u00e0 exaust\u00e3o. Afinal, pode custar muito caro substitui-lo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para a diretora da consultoria em mobilidade de talentos LHH, Margareth Columa, o estresse j\u00e1 ganhou espa\u00e7o na agenda das organiza\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito tempo. Mas a s\u00edndrome de burnout ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o conhecida. Com isso, as pessoas deixam de observar o quanto as consequ\u00eancias s\u00e3o graves. Para ela, as \u00e1reas de RH devem ser proativas, disseminando informa\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es sobre sintomas e tratamento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Incentivar programas dedicados \u00e0 qualidade de vida pode ser outra iniciativa. Os profissionais devem pedir ajuda ou negociar, de imediato, sua aus\u00eancia no trabalho por uns dias, ou antecipar as f\u00e9rias, quando poss\u00edvel. \u00e9 importante tratar este assunto com naturalidade, oferecendo o suporte necess\u00e1rio, sem discriminar o profissional \u2014 diz.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Volta por cima<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ap\u00f3s concluir seu tratamento, Alessandra Riscado, citada no come\u00e7o da mat\u00e9ria, voltou \u00e0 empresa onde trabalhava, em condi\u00e7\u00f5es mais flex\u00edveis. Mas ter atravessado a s\u00edndrome de burnout foi t\u00e3o marcante que ela se viu impossibilitada de continuar a frequentar o mesmo ambiente. Por outro lado, a experi\u00eancia tamb\u00e9m foi a deixa para que buscasse uma nova profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 O burnout \u00e9 o alerta de um AVC, por exemplo. \u00e9 seu corpo gritando. N\u00e3o queria ficar lembrando do que vivi \u2014 diz ela. \u2014 Fiz um curso de especializa\u00e7\u00e3o e hoje trabalho por conta pr\u00f3pria, prestando coaching em autoconhecimento e educa\u00e7\u00e3o emocional. Continuo com a medita\u00e7\u00e3o e estou realizada.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Contornar a s\u00edndrome como fez Alessandra \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto necess\u00e1rio. Afinal, como lembra o professor Marcelo Demarzo, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, a grande maioria dos pacientes est\u00e1 na fase produtiva da vida. E isso \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para as empresas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Para se ter ideia, quando se compara os trabalhadores mais estressados com os que possuem menores \u00edndices, os primeiros t\u00eam um gasto at\u00e9 US$ 2 mil maior com sa\u00fade, por ano. Al\u00e9m disso, esse quadro acaba se refletindo tamb\u00e9m sobre os colegas \u2014 dimensiona.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De olho nos poss\u00edveis preju\u00edzos, algumas empresas saem na frente no que diz respeito \u00e0 preven\u00e7\u00e3o. A Mongeral Aegon, especializada em seguro de vida e previd\u00eancia, investe em programas de qualidade de vida e monitoramento do bem-estar de seus empregados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Entendemos que a produtividade est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e emocional dos nossos funcion\u00e1rios \u2014 afirma a superintendente de gest\u00e3o de pessoas da companhia, Carla Muniz. \u2014 Realizamos, anualmente, o mapeamento da sa\u00fade de todos os nossos colaboradores e, a partir deste resultado, implementamos a\u00e7\u00f5es preventivas. Al\u00e9m disso, em parceria com uma empresa de gest\u00e3o de sa\u00fade, acompanhamos os casos cr\u00edticos e os funcion\u00e1rios identificados com chance de desenvolver quadros mais graves. Isso inclui orienta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas por parte de especialistas, al\u00e9m de palestras.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Risco maior no setor p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Se os empregadores precisam agir, um aspecto chama a aten\u00e7\u00e3o do presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria, Ant\u00f4nio Geraldo da Silva. Segundo ele, a popula\u00e7\u00e3o mais afetada pela s\u00edndrome no Brasil trabalha no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 E n\u00e3o temos conhecimento de iniciativas por parte dos governos em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u2014 alerta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O professor Demarzo, por sua vez, chama aten\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o dos profissionais que atuam na sa\u00fade prim\u00e1ria do SUS.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u2014 Encontramos at\u00e9 60% desses funcion\u00e1rios com sintomas elevados. Essas pessoas trabalham at\u00e9 40 horas por semana, em m\u00e9dia, sem espa\u00e7o para interven\u00e7\u00e3o. Com isso, acabam indo at\u00e9 o final da s\u00edndrome \u2014 relata.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>(Fonte: O Globo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda pouco conhecido, quadro relacionado a altos n\u00edveis de estresse afeta trabalhadores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3606"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}