{"id":35778,"date":"2019-01-18T08:56:43","date_gmt":"2019-01-18T10:56:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=35778"},"modified":"2019-01-18T11:05:09","modified_gmt":"2019-01-18T13:05:09","slug":"pernambuco-suicidio-entre-medicos-chama-a-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/01\/18\/pernambuco-suicidio-entre-medicos-chama-a-atencao\/","title":{"rendered":"Pernambuco: suic\u00eddio entre m\u00e9dicos chama a aten\u00e7\u00e3o de autoridades"},"content":{"rendered":"<p>Uma m\u00e9dia de 1 suic\u00eddio por m\u00eas est\u00e1 sendo registrada entre os m\u00e9dicos pernambucano. As mortes ocorrem em todas as regi\u00f5es. Caruaru, no Agreste, testemunhou dois casos, al\u00e9m de uma tentativa. Em geral, s\u00e3o profissionais com mais de 50 anos, carreira s\u00f3lida e fam\u00edlia constitu\u00edda. Para os outros, uma vida perfeita e uma profiss\u00e3o dos sonhos. Por dentro, emocional arrebentado.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia de suic\u00eddio entre m\u00e9dicos chamou a aten\u00e7\u00e3o do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), do Sindicato dos M\u00e9dicos (Simepe) e da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica (Ampe). Eles agendam para setembro reuni\u00f5es sobre o tema, com inten\u00e7\u00e3o de entender o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma estimativa da Funda\u00e7\u00e3o Americana para a Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio indica que, em m\u00e9dia, 300 a 400 m\u00e9dicos cometem suic\u00eddio por ano em todo o mundo. M\u00e9dia de uma morte por dia.<\/p>\n<p>Estudos internacionais apresentam ainda que os m\u00e9dicos t\u00eam uma frequ\u00eancia 2,45 vezes maior que o restante da popula\u00e7\u00e3o. Levantamentos elencam os fatores: exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria a situa\u00e7\u00f5es de estresse, viv\u00eancia direta com a morte e condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias como alguns gatilhos para o ato.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o e a ambi\u00e7\u00e3o no campo profissional finalizam as caracter\u00edsticas que transformam a profiss\u00e3o em arriscada para o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Pernambuco n\u00e3o tem estat\u00edsticas oficiais sobre mortalidade provocada por m\u00e9dicos contra eles pr\u00f3prios ao longo dos anos, mas a fotografia mundial se repete aqui, de acordo com os pr\u00f3prios profissionais. \u201cTemos uma vida de elevado n\u00edvel de estresse. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o bem complicadas. Por vezes poder\u00edamos at\u00e9 dizer que s\u00e3o indignas. O m\u00e9dico lida n\u00e3o s\u00f3 com o estresse t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m com algumas escolhas que precisa tomar numa emerg\u00eancia. S\u00e3o, sem d\u00favida, fatores desencadeantes para chegar \u00e0 depress\u00e3o e ao suic\u00eddio\u201d, assinala a vice-presidente do Simepe, Cl\u00e1udia Beatriz C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Ela verificou um aumento de casos de S\u00edndrome de Burnout entre os profissionais de sa\u00fade desde 2010. A doen\u00e7a, conhecida como transtorno de esgotamento profissional, leva o paciente a apresentar problemas de ansiedade e at\u00e9 card\u00edacos diretamente ligados ao trabalho.<\/p>\n<p>Conselheira do Cremepe e diretora da Ampe, a psiquiatra Jane Lemos ressalta que os epis\u00f3dios deste ano preocupam. Tanto que as entidades buscam alternativas para frear os casos. Uma das primeiras ideias \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios para discutir o tema. Outra \u00e9 a poss\u00edvel articula\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o para ajudar diretamente m\u00e9dicos com sinais de tend\u00eancias suicidas.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 grande, pois os profissionais s\u00e3o extremamente resistentes a se tornarem pacientes, principalmente quando o assunto \u00e9 a pr\u00f3pria emo\u00e7\u00e3o. Isso pode ser visto como um sinal de fragilidade, que entra em conflito com o sentimento de onipot\u00eancia comum a esses profissionais.<\/p>\n<p>\u201cEle reluta. E, muitas vezes, se automedica. Pedem medica\u00e7\u00e3o ao colega, em vez de procurar um profissional habilitado para se tratar, no caso, o psiquiatra.\u201d<\/p>\n<p>Outro complicador \u00e9 a dificuldade de conter uma pessoa que tem ao alcance ferramentas que facilitam a pr\u00f3pria morte, como os f\u00e1rmacos. Em fevereiro, um anestesista de 52 anos se matou dentro de um hospital particular de Caruaru injetando drogas em si mesmo.<\/p>\n<p>O uso de um m\u00e9todo para suic\u00eddio est\u00e1 intimamente relacionado com sua disponibilidade, aceita\u00e7\u00e3o cultural e a letalidade. Lemos chamou a aten\u00e7\u00e3o de que esse \u00e9 o caso dos m\u00e9dicos. \u201cInclusive, algumas drogas geram depend\u00eancia qu\u00edmica, tamb\u00e9m preocupante. Inclusive, porque eles potencializam os transtornos psiqui\u00e1tricos.\u201d<\/p>\n<p><em>(Fonte: Notisul)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma m\u00e9dia de 1 suic\u00eddio por m\u00eas est\u00e1 sendo registrada entre os m\u00e9dicos pernambucano. As mortes ocorrem em todas as regi\u00f5es. Caruaru, no Agreste, testemunhou dois casos, al\u00e9m de uma tentativa. Em geral, s\u00e3o profissionais com mais de 50 anos, carreira s\u00f3lida e fam\u00edlia constitu\u00edda. 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