{"id":35768,"date":"2019-01-18T10:37:53","date_gmt":"2019-01-18T12:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=35768"},"modified":"2019-01-18T10:53:54","modified_gmt":"2019-01-18T12:53:54","slug":"ansiedade-e-solidao-sao-fatores-de-risco-a-economia-global-diz-estudo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2019\/01\/18\/ansiedade-e-solidao-sao-fatores-de-risco-a-economia-global-diz-estudo-2\/","title":{"rendered":"Ansiedade e solid\u00e3o s\u00e3o fatores de risco \u00e0 economia global, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Na era da ansiedade, n\u00e3o h\u00e1 como negar os riscos que as emo\u00e7\u00f5es negativas e as tens\u00f5es psicol\u00f3gicas desencadeadas pelo ritmo acelerado da vida moderna oferecem \u00e0 economia do planeta. E tudo indica que eles est\u00e3o em alta. Pode parecer conversa de livro de auto-ajuda, mas, na ponta do l\u00e1pis, os problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade mental dos indiv\u00edduos mundo afora custam caro. Foi exatamente por esta raz\u00e3o que o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (WEF, na sigla em ingl\u00eas) decidiu incluir, pela primeira vez, no seu relat\u00f3rio anual \u201cRiscos\u201d, mais estes problemas na longa lista de amea\u00e7as que desafiam o crescimento econ\u00f4mico e a estabilidade planet\u00e1ria para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 alguns anos, eu vinha pensando em como incluir esta quest\u00e3o no relat\u00f3rio. \u00c9 uma parte importante do que temos tratado. As experi\u00eancias emocionais e psicol\u00f3gicas da vida di\u00e1ria, pessoal e profissional, devem ser contabilizadas. Estamos falando de n\u00e3o ter um emprego, ou ter, mas ter uma sal\u00e1rio muito baixo, sentir-se inseguro diante da automa\u00e7\u00e3o, viver em uma sociedade mais polarizada, onde h\u00e1 um crescimento da oposi\u00e7\u00e3o raivosa que define em processos politicos, em vez de uma oposi\u00e7\u00e3o construtiva &#8211; disse ao GLOBO Aengus Collins, chefe da Agenda de Riscos Globais e Geopol\u00edtica do WEF, um dos autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 2018, o documento limitava-se a tratar dos impactos de cifras dos mercados financeiros e de quest\u00f5es estruturais &#8211; como sistemas sob estresse, institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o se adequam aos desafios do mundo moderno e impactos adversos de pol\u00edticas e pr\u00e1ticas &#8211; como fatores de risco \u00e0 economia global. Mas tudo isso, somado \u00e0 velocidade dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e da informa\u00e7\u00e3o, se traduz em tens\u00f5es psicol\u00f3gicas e emocionais sobre os indiv\u00edduos. E isso tamb\u00e9m gera custos. Estima-se em 700 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas afetadas por problemas mentais pelo mundo.<\/p>\n<p>Os problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade mental custaram US$ 2,5 trilh\u00f5es ao mundo em 2010. Deste total, dois ter\u00e7os correspondem a despesas indiretas, como queda na produtividade, aposentadoria precoce, entre outros. Um ter\u00e7o equivale aos custos de diagn\u00f3stico e tratamento das doen\u00e7as. Os dados foram levantados por pesquisa do WEF e da Harvard School.<\/p>\n<section><\/section>\n<p>\u201cDevem-se \u00e0s mudan\u00e7as complexas da sociedade, tecnologias e ambiente de trabalho, que t\u00eam profundo impacto na experi\u00eancia das pessoas. Um tema comum \u00e9 o estresse psicol\u00f3gico da falta de controle sobre as incertezas\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>O documento afirma que pesquisas recentes mostram uma tend\u00eancia de crescimento do sentimento negativo das pessoas (dor, preocupa\u00e7\u00e3o e tristeza), que bateu o n\u00edvel mais alto dos \u00faltimos cinco anos. Os sentimentos positivos mantiveram-se est\u00e1veis no per\u00edodo. Mas, segundo o relat\u00f3rio, a tend\u00eancia \u00e9 preocupante. De acordo com a pesquisa Gallup, que, anualmente, mede o estado emocional dos entrevistados, em 2017, quase quatro em dez pessoas disseram ter tido uma experi\u00eancia triste no dia anterior; tr\u00eas em dez experimentaram dor f\u00edsica; e duas em dez, raiva. E, por mais que esta \u00faltima ainda n\u00e3o seja preponderante, este est\u00e1 sendo definido o sentimento do &#8216;zeitgeist&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns sugerem que esta \u00e9 a &#8216;era da raiva&#8217;, ao notar um tremendo aumento no \u00f3dio m\u00fatuo. E, ainda que a raiva p\u00fablica possa ser unificadora e catalisadora &#8211; uma esperan\u00e7a em geral identificada no come\u00e7o da d\u00e9cada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Primavera \u00c1rabe -, ela passou a ser vista mais como policialmente divisora e socialmente corrosiva\u201d.<\/p>\n<section><\/section>\n<p>Segundo o WEF, no s\u00e9culo XIX, a sa\u00fade f\u00edsica, bem como as regras e pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a redefiniram o sistema de trabalho em muitas economias industrializadas. Mas, no s\u00e9culo XXI, \u00e9 a sa\u00fade mental, associada a regras de prote\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas, que vai determinar se as condi\u00e7\u00f5es no ambiente de trabalho s\u00e3o apropriadas para o crescimento da economia baseado no conhecimento.<\/p>\n<p>Segundo Collins, n\u00e3o se pode mitigar um tipo de risco, criando outro. Isso significa quee \u00e9 preciso estar atento tamb\u00e9m ao indiv\u00edduo. Deve-se buscar um equil\u00edbrio entre as esferas globais, regionais e nacionais, garantindo que o indiv\u00edduo se sinta parte das decis\u00f5es que est\u00e3o sendo tomadas.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil. Vivemos num mundo complexo, marcado pelo avan\u00e7o da tecnologia, velocidade das informa\u00e7\u00f5es, de novas m\u00eddias.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ainda destaca os dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que apontam para aumento das disfun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 depress\u00e3o e \u00e0 ansiedade em 54% e 42%, respectivamente, entre 1990 e 2013. No rol da lista de problemas que ter\u00e3o afetado as emo\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e3o desde a solid\u00e3o das cidades grandes, onde h\u00e1 um percentual cada vez maior de im\u00f3veis ocupados por apenas uma pessoa, at\u00e9 os efeitos do excesso de internet, da rapidez da tecnologia, da automa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial e at\u00e9 dos desentendimentos politicos na sociedade. O WEF menciona estudo recente realizado nos Estados Unidos, que indica que, antes, a popula\u00e7\u00e3o exprimia frustra\u00e7\u00e3o nas disputas politicas, e hoje \u00e9 raiva. Pesquisa realizada em 2016 durante a elei\u00e7\u00e3o presidencial que levou o republicado Donald Trump ao comando da Casa Branca, mostra que quase um ter\u00e7o dos entrevistados pararam de falar com um membro da fam\u00edlia ou com amigos.<\/p>\n<section><\/section>\n<p>A viol\u00eancia tamb\u00e9m provoca medo na popula\u00e7\u00e3o e em efeitos sobre a sa\u00fade mental das pessoas. E o relat\u00f3rio destaca, por exemplo, que, embora a taxa de homic\u00eddios tenha ca\u00eddo na \u00faltima d\u00e9cada, esse \u00e9 um problema que afeta as regi\u00f5es de maneira distinta. &#8220;Na Am\u00e9rica Latina, onde est\u00e3o 8% da popula\u00e7\u00e3o global, registram-se 33% dos assassinatos.<\/p>\n<p><em>(Fonte: O Globo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na era da ansiedade, n\u00e3o h\u00e1 como negar os riscos que as emo\u00e7\u00f5es negativas e as tens\u00f5es psicol\u00f3gicas desencadeadas pelo ritmo acelerado da vida moderna oferecem \u00e0 economia do planeta. E tudo indica que eles est\u00e3o em alta. 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