{"id":35507,"date":"2018-11-27T15:22:21","date_gmt":"2018-11-27T17:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=35507"},"modified":"2018-11-27T15:22:21","modified_gmt":"2018-11-27T17:22:21","slug":"trabalho-sob-sol-sem-pausa-faz-mal-a-saude-e-rende-indenizacao-diz-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/11\/27\/trabalho-sob-sol-sem-pausa-faz-mal-a-saude-e-rende-indenizacao-diz-justica\/","title":{"rendered":"Trabalho sob sol sem pausa faz mal \u00e0 sa\u00fade e rende indeniza\u00e7\u00e3o, diz Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) condenou a empresa Anicuns \u00c1lcool e Derivados a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o a um cortador de cana que trabalhou por longos per\u00edodos sob o sol de uma planta\u00e7\u00e3o em Goi\u00e1s. A decis\u00e3o, que pode render um ressarcimento de at\u00e9 R$ 50 mil, muda o entendimento sobre o assunto nos tribunais regionais, que usar\u00e3o o despacho do tribunal superior para indenizar funcion\u00e1rios que tiveram a sa\u00fade comprometida por exposi\u00e7\u00e3o solar prolongada.<\/p>\n<p>Joselino Joaquim da Silva, 56,\u00a0trabalhava na cidade de Adel\u00e2ndia, em Goi\u00e1s, cortando cana sob um sol de at\u00e9 30\u00baC em safras e entressafras. Ele chegava \u00e0 lavoura antes das 8h e encerrava as tarefas \u00e0s 16h.<\/p>\n<p>&#8220;A exposi\u00e7\u00e3o excessiva ao sol pode trazer muitos problemas de sa\u00fade, como desidrata\u00e7\u00e3o e desequilibro dos eletr\u00f3litos, como s\u00f3dio, pot\u00e1ssio e cloro&#8221;, explica Fabio Mario Mariotti, m\u00e9dico do trabalho na cl\u00ednica especializada MCompany. &#8220;Sem o equil\u00edbrio desses componentes, o organismo n\u00e3o funciona bem.&#8221;<\/p>\n<div id=\"_dynad_c_I5550002145_15433379211631492787571\" style=\"border: 0px none; z-index: 0; margin: 0px 0px 20px; visibility: visible; display: block; background-color: white; overflow: hidden; width: 0%; height: 0px; transition: all 1s ease 0s;\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 0px; height: 0px; visibility: hidden; position: absolute; z-index: 0;\" src=\"https:\/\/t.dynad.net\/pc\/?dc=5550001577;ord=1543339263547\" \/><\/div>\n<p>Os advogados do funcion\u00e1rio defenderam na Justi\u00e7a que o Minist\u00e9rio do Trabalho prev\u00ea intervalos de 30 minutos a cada meia hora de servi\u00e7o pesado em lugares com temperatura entre 26\u00baC e 28\u00baC.\u00a0Como seu Joselino n\u00e3o recebia autoriza\u00e7\u00e3o para esse descanso, a defesa pediu o pagamento de adicional de insalubridade e horas extras em uma indeniza\u00e7\u00e3o que pode chegar a R$ 50 mil.<script src=\"\/\/s.dynad.net\/stack\/FcQVaHc6MaOcDzQjhAV0q78AMg75kNqHmVHSvf95ffqIXpBr_a_IcwHLcQMTBDGewfxoQXBulUZbsXy3Fo9ZHg.js\" type=\"text\/javascript\" async=\"true\"><\/script><\/p>\n<p>&#8220;O TST agora vai devolver o processo para a Vara do Trabalho de Inhumas (GO), onde os contadores far\u00e3o o c\u00e1lculo definitivo da indeniza\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou ao <strong>UOL <\/strong>Fabr\u00edcio Vargas dos Santos, um dos advogados do caso.<\/p>\n<p>Em sua contesta\u00e7\u00e3o, a Anicuns alegou que a determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio n\u00e3o se aplica \u00e0s atividades no corte manual de cana-de-a\u00e7\u00facar nem contempla atividades a c\u00e9u aberto, e afirmou que fornecia equipamentos de prote\u00e7\u00e3o. O Tribunal Regional do Trabalho chegou a excluir o pagamento das horas extras por entender que a regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o prev\u00ea o direito aos intervalos para &#8220;recupera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica&#8221;.<\/p>\n<p>Em recurso ao TST, no entanto, o relator do caso, ministro Alberto Luiz Bresciani, considerou que o trabalho realizado al\u00e9m dos n\u00edveis de toler\u00e2ncia ao calor gera o direito n\u00e3o apenas ao adicional de insalubridade, mas tamb\u00e9m aos intervalos para recupera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica previstos pelo Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>O ministro tamb\u00e9m lembrou que o trabalho na agricultura, pecu\u00e1ria, silvicultura, explora\u00e7\u00e3o florestal e aquicultura prev\u00ea a concess\u00e3o de pausas para descanso em atividades realizadas necessariamente em p\u00e9 e\u00a0que\u00a0exijam\u00a0sobrecarga\u00a0muscular. Essas pausas, segundo o relator, integram a jornada de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer trabalhador sem prote\u00e7\u00e3o pode desenvolver doen\u00e7as cr\u00f4nicas&#8221;, diz o m\u00e9dico. &#8220;Sem o fornecimento de protetor solar com certifica\u00e7\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 radia\u00e7\u00e3o pode causar c\u00e2ncer de pele. Acompanhei casos de plantadores de uva com melanoma (o tipo mais perigoso de c\u00e2ncer de pele) na testa, no nariz e ombros. O descanso \u00e9 imprescind\u00edvel para algumas profiss\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>O advogado do trabalhador rural espera que o despacho em favor de seu cliente mude as decis\u00f5es em varas e tribunais regionais. &#8220;O entendimento do TST vai gerar precedentes que vai beneficiar muitos trabalhadores rurais. Quem trabalha em servi\u00e7o pesado sob o sol tem agora o direito ao intervalo t\u00e9rmico.&#8221;<\/p>\n<div>Procurada, a empresa n\u00e3o retornou contato.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>(Fonte: UOL)<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) condenou a empresa Anicuns \u00c1lcool e Derivados a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o a um cortador de cana que trabalhou por longos per\u00edodos sob o sol de uma planta\u00e7\u00e3o em Goi\u00e1s. 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