{"id":35252,"date":"2018-10-29T14:29:53","date_gmt":"2018-10-29T17:29:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=35252"},"modified":"2018-10-29T14:29:53","modified_gmt":"2018-10-29T17:29:53","slug":"invasao-nociva-do-trabalho-na-vida-pessoal-afeta-saude-do-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/10\/29\/invasao-nociva-do-trabalho-na-vida-pessoal-afeta-saude-do-professor\/","title":{"rendered":"Invas\u00e3o nociva do trabalho na vida pessoal afeta sa\u00fade do professor"},"content":{"rendered":"<p>Na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP, pesquisa investiga a repercuss\u00e3o do trabalho dos professores sobre sua vida cotidiana e as consequ\u00eancias nos processos de sa\u00fade e doen\u00e7a. A an\u00e1lise revela que os professores percebem uma invas\u00e3o nociva do trabalho na pr\u00f3pria vida pessoal, na forma de um v\u00ednculo cont\u00ednuo com a profiss\u00e3o ou com algum abalo sofrido em sala de aula, como a perda de autoridade. Esses v\u00ednculos levam a um estado de sofrimento e indisponibilidade prolongada que prejudica a conviv\u00eancia familiar e social, al\u00e9m da pr\u00f3pria recupera\u00e7\u00e3o para o trabalho, podendo causar adoecimento.<\/p>\n<p>O estudo, descrito na tese de doutorado <em>Quando o trabalho invade a vida: um estudo sobre a rela\u00e7\u00e3o trabalho, vida pessoal cotidiana e sa\u00fade de professores do ensino regular e integral de S\u00e3o Paulo<\/em>, \u00e9 de autoria do cientista social Jefferson Peixoto da Silva, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Frida Marina Fischer, do Departamento de Sa\u00fade Ambiental da FSP. Segundo o pesquisador, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e as mudan\u00e7as no mundo do trabalho t\u00eam levado cada vez mais trabalhadores a realizarem parte das suas atividades em contextos que v\u00e3o al\u00e9m dos seus dom\u00ednios laborais tradicionais, chamando a aten\u00e7\u00e3o para os poss\u00edveis efeitos desta din\u00e2mica sobre a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Jefferson observou que diversos estudos apontam para um cen\u00e1rio de precariza\u00e7\u00e3o e recorrentes casos de adoecimento entre os professores, mas o modo como o trabalho repercute sobre sua vida pessoal cotidiana n\u00e3o tem recebido significativa aten\u00e7\u00e3o enquanto fator potencialmente patog\u00eanico. Isso acontece mesmo considerando que levar trabalho para casa seja algo comum entre eles e que isso se reflita de alguma forma na complexa rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e vida pessoal cotidiana.<\/p>\n<h3>Revis\u00e3o e entrevistas<\/h3>\n<p>Para realizar sua pesquisa, o cientista social fez uma ampla revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica existente sobre o tema, al\u00e9m de entrevistar 29 professores de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica atuantes em quatro escolas p\u00fablicas, al\u00e9m dos quatro diretores dessas referidas escolas. Duas delas se dedicavam ao ensino regular (uma municipal e outra estadual), enquanto as outras duas, ao ensino integral (ambas estaduais). A idade dos participantes variou entre 29 e 61 anos e o tempo de experi\u00eancia na doc\u00eancia entre um e 37 anos, sendo o p\u00fablico predominantemente do sexo feminino. Esse material foi analisado sob a perspectiva das teorias da Sa\u00fade do Trabalhador e psicodin\u00e2mica do trabalho, recorrendo tamb\u00e9m a pressupostos da cl\u00ednica da atividade, da ergonomia da atividade e da antropologia da sa\u00fade.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o de literatura revelou um conjunto de 155 estudos sobre trabalho e sa\u00fade dos professores publicados nos \u00faltimos 20 anos, com aumento dessas obras nos \u00faltimos dez anos. A an\u00e1lise configurou o seguinte perfil: transtornos e problemas de sa\u00fade t\u00edpicos; condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade; qualidade de vida; trabalho, carreira e fundamentos da a\u00e7\u00e3o docente. A codifica\u00e7\u00e3o das entrevistas, por sua vez, conduziu a cinco categorias tem\u00e1ticas: tipologias da vida cotidiana; prazer e sofrimento no trabalho; estrat\u00e9gias de concilia\u00e7\u00e3o entre vida, trabalho e sa\u00fade; percep\u00e7\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o e experi\u00eancias de sa\u00fade e doen\u00e7a relatadas; invas\u00e3o multiforme da vida pelo trabalho.<\/p>\n<p>Os depoimentos revelaram diversas fontes de sofrimento na vida e no trabalho dos professores. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m mostram numerosos casos e experi\u00eancias de presente\u00edsmo (frequ\u00eancia do profissional no trabalho), bem como o emprego de estrat\u00e9gias visando a conciliar tais dimens\u00f5es com a manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<h3>Vida invadida<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s essa an\u00e1lise do material coletado, o pesquisador detectou como resultado principal o fato de que a maioria dos entrevistados demonstrou que sente sua vida ser invadida pelo trabalho de modo nocivo e que essa invas\u00e3o n\u00e3o acontece de forma \u00fanica e linear. Basicamente, ela se manifesta por meio de um estado de vincula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com o trabalho (ou com algum abalo sofrido durante sua realiza\u00e7\u00e3o) \u2013 do qual o indiv\u00edduo n\u00e3o consegue se desligar, por mais que ele tente. Isso gera um estado de sofrimento e indisponibilidade prolongada para si e para o outro que prejudica a conviv\u00eancia familiar e social, al\u00e9m da pr\u00f3pria recupera\u00e7\u00e3o para o trabalho.<\/p>\n<p>Com base nestes resultados, o pesquisador concluiu que as agress\u00f5es \u00e0 sa\u00fade vivenciadas pelos professores no trabalho t\u00eam se projetado sobre a sua pr\u00f3pria vida pessoal e se combinado a fatores de agress\u00e3o advindos do contexto social. Neste, o desprest\u00edgio dos professores \u00e9 crescente e retorna \u00e0 escola na forma de perda de autoridade e at\u00e9 rejei\u00e7\u00e3o, produzindo frustra\u00e7\u00f5es repetitivas que contribuem para instituir um cen\u00e1rio de sofrimento social que se associa \u00e0 invas\u00e3o da vida pelo trabalho. Dado o sofrimento de amplitude social e de tipo patog\u00eanico que essa invas\u00e3o multiforme produz, tal fen\u00f4meno pode ser considerado como mais um dos elementos que podem ajudar a explicar os recorrentes quadros de adoecimento desses profissionais.<\/p>\n<p><em>(Fonte: USP)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP, pesquisa investiga a repercuss\u00e3o do trabalho dos professores sobre sua vida cotidiana e as consequ\u00eancias nos processos de sa\u00fade e doen\u00e7a. A an\u00e1lise revela que os professores percebem uma invas\u00e3o nociva do trabalho na pr\u00f3pria vida pessoal, na forma de um v\u00ednculo cont\u00ednuo com a profiss\u00e3o ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31836,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35252"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}