{"id":35171,"date":"2018-10-15T16:07:28","date_gmt":"2018-10-15T19:07:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=35171"},"modified":"2018-10-15T16:07:48","modified_gmt":"2018-10-15T19:07:48","slug":"cansaco-mental-por-que-precisamos-respeitar-os-sinais-de-estresse-da-nossa-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/10\/15\/cansaco-mental-por-que-precisamos-respeitar-os-sinais-de-estresse-da-nossa-mente\/","title":{"rendered":"Cansa\u00e7o mental: por que precisamos respeitar os sinais de estresse da nossa mente"},"content":{"rendered":"<p>Um dos grandes mist\u00e9rios da psicologia &#8211; e da vida adulta moderna &#8211; \u00e9 entender como um trabalho que se restringe a passar horas sentado na frente de uma tela pode ser t\u00e3o cansativo.<\/p>\n<p>E sim, grande parte das pessoas que passam o dia mexendo pequenos m\u00fasculos dos dedos e digitando em frente ao computador chegam em casa exaustas, simplesmente desejando ser engolidas pelo sof\u00e1.<\/p>\n<p>Mas o que causa a <strong>fadiga <\/strong><strong>mental<\/strong>? Apesar de n\u00e3o ter uma resposta exata para essa pergunta, o nosso corpo \u00e9 capaz de mandar alguns sinais &#8211; e \u00e9 importante que saibamos capt\u00e1-los.<\/p>\n<p>A fadiga mental \u00e9 um processo de desgaste. Esse processo ocorre em fun\u00e7\u00e3o do estresse e do excesso de informa\u00e7\u00f5es que o nosso c\u00e9rebro recebe, principalmente. Em tempos de redes sociais, notifica\u00e7\u00f5es e multi-telas, o ser humano vive soterrado de informa\u00e7\u00f5es que invadem os sentidos diariamente, e nem sempre s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que n\u00e3o sejam importantes, essas informa\u00e7\u00f5es desgastam a nossa aten\u00e7\u00e3o porque temos que lidar com v\u00e1rios est\u00edmulos di\u00e1rios. Ent\u00e3o, \u00e9 not\u00f3rio o aumento de casos de estresse e transtornos de ansiedade em fun\u00e7\u00e3o do modo de vida que o ser humano est\u00e1 tendo, sempre sobrecarregado&#8221;, explica a Luciana Tisser, psic\u00f3loga e especialista em neuroci\u00eancia, em entrevista ao HuffPost Brasil.<\/p>\n<p>Uma hip\u00f3tese \u00e9 a de que esse processo de desgaste est\u00e1 ligado, sobretudo, ao nosso estoque de energia mental. Ao longo do dia, nos baseamos em um limite de recursos que nos fazem ter o que chamamos de &#8220;for\u00e7a de vontade&#8221; e &#8220;autocontrole&#8221;. Ou seja, disponibilizamos determinada energia para realizar nossas tarefas e metas. Quando esgotamos esse recurso, nos sentimos cansados.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com <a href=\"https:\/\/www.vox.com\/science-and-health\/2018\/9\/5\/17818170\/work-fatigue-exhaustion-psychology\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisas<\/a>, os psic\u00f3logo n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o seguros de que esse esgotamento de energia mental est\u00e1 somente ligado ao nosso autocontrole.<\/p>\n<p>Por exemplo, o resultado de um estudo revelou que um c\u00e9rebro focado e trabalhando para resolver um problema de matem\u00e1tica gasta praticamente o mesmo n\u00edvel de energia que o c\u00e9rebro em repouso. \u00c9 um contingente muito menor do que o que gastamos para manter o nosso cora\u00e7\u00e3o e outros \u00f3rg\u00e3os em funcionamento.<\/p>\n<p>Se temos energia dispon\u00edvel para realizarmos as tarefas, porque nos sentimos t\u00e3o exaustos no fim do dia? A resposta pode estar na tens\u00e3o que \u00e9 criada quando perdemos interesse ou n\u00e3o estamos motivados o suficiente para realizar as atividades.<\/p>\n<p>Em agosto, pesquisadores ingleses publicaram o <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/abm\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/abm\/kay065\/5075052?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a> <i><\/i><em>Por que o trabalho causa fadiga? Uma investiga\u00e7\u00e3o em tempo real da fadiga e determinantes da fadiga em enfermeiros que trabalham em turnos de 12 horas <\/em>(em tradu\u00e7\u00e3o livre) em que analisaram a rotina de mais de 100 enfermeiras.<\/p>\n<p>O principal ponto do estudo foi: o cansa\u00e7o f\u00edsico nem sempre era visto como um problema para as profissionais, mas, as enfermeiras que estavam menos propensas a se sentirem cansada tamb\u00e9m eram aquelas que se sentiam mais sob controle e recompensadas pelas tarefas. Ou seja, o fator motiva\u00e7\u00e3o impactou nas percep\u00e7\u00e3o delas sobre o cansa\u00e7o.<\/p>\n<h3>O que sentimos quando estamos mentalmente exaustos?<\/h3>\n<p>&#8220;\u00c9 como se o nosso c\u00e9rebro tivesse um limite e esse limite n\u00e3o estivesse sendo respeitado&#8221;, explica Luciana Tisser.<\/p>\n<p>E aqui entra outro fator importante: a regula\u00e7\u00e3o do nosso sistema nervoso central \u00e9 feita atrav\u00e9s do nosso sono. Nossos horm\u00f4nios, inclusive o cortisol, que \u00e9 o horm\u00f4nio do estresse, s\u00e3o controlados enquanto n\u00f3s dormimos. Mas o ser humano est\u00e1 cada vez com menos horas de sono e mais tarefas, e parece que n\u00e3o respeitamos nem mesmo o rel\u00f3gio biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem o ritmo circadiano, que \u00e9 a pr\u00e9-orienta\u00e7\u00e3o do nosso corpo para cumprir os hor\u00e1rios, como o adormecer. Quando come\u00e7a a escurecer, o nosso corpo produz melatonina e vamos entrando em um processo de relaxamento para dormir. Mas o que a gente faz? Trabalhamos at\u00e9 tarde, no computador e no celular, e a luminosidade dessas telas \u00e9 extremamente nociva, porque vai de encontro com o que o corpo est\u00e1 pedindo&#8221;, argumenta a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>A especialista explica que \u00e9 extremamente importante respeitar a fadiga mental e os sinais de estresse que o corpo oferece.<\/p>\n<p>Esses sinais podem ser percebidos em 3 etapas: o n\u00edvel de alerta, o de manuten\u00e7\u00e3o\/resist\u00eancia e o de exaust\u00e3o. No n\u00edvel de alerta \u00e9 como se o corpo dissesse: &#8220;opa, alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 bem&#8221;. O estado de resist\u00eancia \u00e9 exatamente quando a gente ignora esses sinais e diz que precisamos continuar em alerta a qualquer custo. A exaust\u00e3o \u00e9 quando a gente simplesmente entrega os pontos porque realmente a gente n\u00e3o d\u00e1 mais conta.<\/p>\n<p>&#8220;O corpo mostrou os sinais, mas o indiv\u00edduo n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o. Inclusive, nesses processos a depress\u00e3o pode ser desencadeada. E \u00e9 uma depress\u00e3o leve e silenciosa, mas que \u00e9 t\u00e3o nociva quanto outras depress\u00f5es. \u00c9 um processo em que a gente s\u00f3 se cobra e acha que n\u00e3o est\u00e1 rendendo tanto, que n\u00e3o vamos conseguir e que a gente percebe que existe um custo alto em conseguir dar conta de nossa rotina di\u00e1ria. As pessoas costumam negligenciar isso e \u00e9 nesse sentido que os processos psicopatol\u00f3gicos v\u00e3o aparecendo, quase sempre em decorr\u00eancia desses primeiros sinais&#8221;, explica Tisser.<\/p>\n<p>Entender sobre o que acaba com a nossa energia mental importa, pois quando estamos mentalmente exaustos, tendemos a estar mais dispersos e descuidados. Ainda, quanto mais aprendermos sobre a fadiga, mais chances temos de construir uma rotina equilibrada e prazerosa &#8211; inclusive no trabalho.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Huffington Post)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes mist\u00e9rios da psicologia &#8211; e da vida adulta moderna &#8211; \u00e9 entender como um trabalho que se restringe a passar horas sentado na frente de uma tela pode ser t\u00e3o cansativo. 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