{"id":34932,"date":"2018-09-18T11:33:50","date_gmt":"2018-09-18T14:33:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=34932"},"modified":"2018-09-25T10:54:29","modified_gmt":"2018-09-25T13:54:29","slug":"estudo-mostra-o-impacto-da-enxaqueca-no-rendimento-do-funcionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/09\/18\/estudo-mostra-o-impacto-da-enxaqueca-no-rendimento-do-funcionario\/","title":{"rendered":"Estudo mostra o impacto da enxaqueca no rendimento do funcion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhadores que sofrem com enxaqueca perdem, em m\u00e9dia, uma semana de trabalho por m\u00eas, aponta a pesquisa\u00a0<em>My Migraine Voice<\/em>, realizada pela Novartis e a\u00a0European Migraine and Headache Alliance (EMHA). Os resultados mostraram que a enxaqueca tem grande impacto laboral, incluindo redu\u00e7\u00e3o da produtividade e aumento do absente\u00edsmo, caracterizado por\u00a0padr\u00e3o habitual de aus\u00eancias no trabalho, seja por falta ou atraso.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, as pessoas que sofrem com a enxaqueca chegam a perder cerca de uma semana por m\u00eas em decorr\u00eancia do problema.\u00a0Apesar disso, apenas 18% das empresas oferecem apoio ao funcion\u00e1rio. Esse foi o maior estudo global de pacientes com enxaqueca, envolvendo mais de 11.266 pessoas de 31 pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p>Os dados foram coletados entre setembro de 2017 e fevereiro de 2018 atrav\u00e9s de um question\u00e1rio on-line. As perguntas avaliaram o impacto social, econ\u00f4mico e emocional da enxaqueca, assim como a conviv\u00eancia das pessoas com a doen\u00e7a e de que maneira ela pode afetar o ambiente de trabalho.<\/p>\n<p><strong>O que causa a enxaqueca?<\/strong><\/p>\n<p>A enxaqueca \u00e9 uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica caracterizada por epis\u00f3dios recorrentes de dor de cabe\u00e7a grave acompanhada de sintomas como n\u00e1useas e v\u00f4mitos, sensibilidade \u00e0 luz, cheiro e som, formigamento e dorm\u00eancias no corpo e altera\u00e7\u00f5es na vis\u00e3o, como pontos luminosos, escuros, linhas em ziguezague que antecedem ou acompanham as crises de dor.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rio Peres, do Centro de Cefaleia S\u00e3o Paulo, as causas da enxaqueca s\u00e3o diversas, mas est\u00e3o geralmente vinculadas a altera\u00e7\u00f5es nos neurotransmissores, na gen\u00e9tica, nos hormonais ou no Pept\u00eddeo Relacionado com Gene da Calcitonina (CGRP, na sigla em ingl\u00eas), uma mol\u00e9cula presente em todo o mundo, mas que, em alguns indiv\u00edduos, pode ser uma das respons\u00e1veis por deflagrar as crises.<\/p>\n<p>A predisposi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e fatores externos, como excesso de cafe\u00edna, por exemplo, tamb\u00e9m propiciam o aparecimento da enxaqueca, que pode se manifestar em duas formas: a cr\u00f4nica, caracterizada por quinze ou mais dias com dor durante o m\u00eas; e a epis\u00f3dica, em que as dores se manifestam menos de quinze vezes por m\u00eas.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) considera a enxaqueca a sexta doen\u00e7a mais incapacitante do mundo; no Brasil, a vers\u00e3o cr\u00f4nica afeta cerca de 31 milh\u00f5es de brasileiros, a maioria entre os 25 e 45 anos, faixa et\u00e1ria considerada o auge dos anos produtivos. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informa que o \u00edndice de ocorr\u00eancia no sexo feminino atinge os 25%, mais que o dobro da manifesta\u00e7\u00e3o em homens. No entanto, depois dos 50 anos, a taxa costuma diminuir, especialmente nas mulheres.<\/p>\n<p><strong>Problemas no rendimento<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa revela que 60% dos trabalhadores afetados pela vers\u00e3o cr\u00f4nica da doen\u00e7a perdem, em m\u00e9dia, uma semana de trabalho por m\u00eas; cerca de 37% deles informaram que convivem com a enxaqueca h\u00e1 dezesseis anos ou mais. Os dados ainda revelaram que a enxaqueca reduz a produtividade em 53%, n\u00famero que sobe para 56% no caso de indiv\u00edduos cujo tratamento preventivo falhou mais de duas vezes. Entre os entrevistados, 90% disseram j\u00e1 ter utilizado pelo menos um tratamento preventivo e 80% precisaram alter\u00e1-lo uma ou mais vezes.<\/p>\n<p>Peres diz que o stress no ambiente de trabalho pode ser fator desencadeante das crises, por isso, \u00e9 preciso evit\u00e1-lo na medida do poss\u00edvel. \u201cMuitas vezes existe a sobrecarga externa, do trabalho, e a interna, das pr\u00f3prias cobran\u00e7as. O perfeccionismo \u00e9 um tra\u00e7o muito comum dos pacientes com enxaqueca. As pessoas precisam avaliar os limites pessoais e n\u00e3o passar deles\u201d, alerta. Caso n\u00e3o seja poss\u00edvel, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar v\u00e1lvulas de escape para o stress, como formas de relaxamento que trabalhem corpo e mente.<\/p>\n<p><strong>Sem apoio<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ser um problema conhecido da popula\u00e7\u00e3o, assim como das empresas \u2013 63% das pessoas afirmaram que os empregadores est\u00e3o cientes de que os funcion\u00e1rios t\u00eam a doen\u00e7a \u2013, o apoio recebido no trabalho n\u00e3o \u00e9 o bastante (18%). O n\u00famero \u00e9 relativamente pequeno se considerarmos que 47% dos participantes trabalham em per\u00edodo integral, portanto, diante dos epis\u00f3dios de enxaqueca, eles podem perder at\u00e9 um dia inteiro de trabalho.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia ainda gera outro problema: a estigmatiza\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio, que \u00e9 julgado \u2013 por colegas e chefes \u2013 por tirar licen\u00e7as m\u00e9dicas devido \u00e0 doen\u00e7a. De acordo com Peres, a falta de acolhimento tamb\u00e9m pode se tornar um fator agravante, quest\u00e3o que salienta a necessidade da conscientiza\u00e7\u00e3o e do apoio no local de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Tratamentos atuais<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Peres, atualmente, existem duas abordagens de tratamentos dispon\u00edveis no mercado: agudo e preventivo. No agudo, o objetivo \u00e9 combater a dor no momento em que ela aparece com o uso de analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rios (para combater as dores), ou de triptanos e ergotaminas (classes de medicamentos usada especificamente para tratar a enxaqueca).<\/p>\n<p>No entanto, o principal tratamento e tamb\u00e9m o mais efetivo \u00e9 o de car\u00e1ter preventivo, j\u00e1 que reduz o n\u00famero de crises. Alguns dos tratamentos mais comuns s\u00e3o o Botox \u2013 tamb\u00e9m usado em procedimentos est\u00e9ticos \u2013, al\u00e9m de orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, como realiza\u00e7\u00e3o de atividades f\u00edsicas, psicoterapias, acupuntura e ioga.<\/p>\n<p>Recentemente, o FDA aprovou o Aimovig, nome comercial do erenumabe, anticorpo monoclonal desenvolvido especificamente para localizar e bloquear os receptores de CGRP. De car\u00e1ter preventivo, o novo tratamento \u00e9 injet\u00e1vel e funciona de forma semelhante \u00e0 da insulina para o diabetes, podendo ser aplicada pelo pr\u00f3prio paciente (na barriga, no bra\u00e7o ou na perna).<\/p>\n<p>Desenvolvido pela farmac\u00eautica Novartis, o medicamento foi disponibilizado para os pacientes americanos no fim de maio e custa cerca de 6.900 d\u00f3lares (aproximadamente 28.000 reais) por ano. A medica\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi aprovada tamb\u00e9m na Europa. No Brasil, a aprova\u00e7\u00e3o deve acontecer no primeiro semestre de 2019, devendo ser comercializada com o nome de Pasurta.<\/p>\n<p><strong>Novas alternativas<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do ioga e da acupuntura, outra forma de medicina n\u00e3o medicamentosa \u00fatil para tratar a enxaqueca \u00e9 a osteopatia, terapia manual que promove al\u00edvio imediato das dores. Apesar de ter sido criada no fim do s\u00e9culo XIX, a t\u00e9cnica chegou ao Brasil apenas na d\u00e9cada de 80, sendo reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) em 2001.<\/p>\n<p>A osteopatia busca identificar a origem do problema, que pode ser neurol\u00f3gica, vascular, metab\u00f3lica, referida (problema de uma regi\u00e3o que d\u00f3i em outra parte, como \u00e9 o caso da sinusite), ou tensional (quando o m\u00fasculo tensiona algumas \u00e1reas da cabe\u00e7a, provocando dor), por exemplo, e trabalha a regi\u00e3o detectada como ponto de partida da dor para tentar regularizar o organismo.<\/p>\n<p>\u201cCom est\u00edmulos manuais, o profissional consegue melhorar e otimizar a regi\u00e3o para controlar a dor. Para o tratamento de cefaleias, que incluem a enxaqueca, a osteopatia consegue em 90% dos casos um al\u00edvio que varia de 70% a 100% da dor\u201d, explica Rog\u00e9rio Queiroz, diretor-geral da Escuela da Osteopatia de Madrid e membro da Associa\u00e7\u00e3o dos Osteopatas do Brasil. No entanto, a utiliza\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo para o tratamento da enxaqueca \u2013 mesmo em casos de urg\u00eancia \u2013 ainda \u00e9 pouco conhecida pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Por ser uma especialidade da fisioterapia, quem determina a frequ\u00eancia das sess\u00f5es \u00e9 o pr\u00f3prio fisioterapeuta osteopata, ou seja, para a realiza\u00e7\u00e3o do tratamento, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, embora o tratamento conjunto seja normalmente a melhor op\u00e7\u00e3o para o paciente. As sess\u00f5es podem come\u00e7ar semanais e, conforme o paciente demonstra uma melhora, elas podem se tornar quinzenais, mensais ou at\u00e9 semestrais.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, a osteopatia est\u00e1 dispon\u00edvel para os pacientes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). A medida faz parte da Pol\u00edtica Nacional de Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares (PNPIC). No Rio de Janeiro, a Escola de Osteopatia de Madrid, em parceria com o Hospital Gafree e Guinle, oferece \u00e0 popula\u00e7\u00e3o atendimentos gratuitos.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Veja)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores que sofrem com enxaqueca perdem, em m\u00e9dia, uma semana de trabalho por m\u00eas, aponta a pesquisa\u00a0My Migraine Voice, realizada pela Novartis e a\u00a0European Migraine and Headache Alliance (EMHA). Os resultados mostraram que a enxaqueca tem grande impacto laboral, incluindo redu\u00e7\u00e3o da produtividade e aumento do absente\u00edsmo, caracterizado por\u00a0padr\u00e3o habitual de aus\u00eancias no trabalho, seja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30908,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34932"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34932\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}