{"id":34869,"date":"2018-09-03T12:56:28","date_gmt":"2018-09-03T15:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=34869"},"modified":"2018-09-03T12:56:28","modified_gmt":"2018-09-03T15:56:28","slug":"policiais-militares-relatam-casos-de-depressao-e-suicidio-na-corporacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/09\/03\/policiais-militares-relatam-casos-de-depressao-e-suicidio-na-corporacao\/","title":{"rendered":"Policiais militares relatam casos de depress\u00e3o e suic\u00eddio na corpora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"article__text--dropcap\">Em uma mesa de almo\u00e7o com sete policiais, tr\u00eas possuem problemas psicol\u00f3gicos decorrentes da profiss\u00e3o. &#8220;Os problemas s\u00e3o dos mais diversos. Eu possuo s\u00edndrome do p\u00e2nico, um deles sofre de depress\u00e3o e, inclusive, trabalha sob efeito de muito medicamento\u201d, relata o policial rodovi\u00e1rio F\u00e1bio*, 47.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias da falta de um trabalho preventivo e acompanhamento psicol\u00f3gico dentro das corpora\u00e7\u00f5es indicam n\u00fameros preocupantes. Um estudo realizado pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Suic\u00eddio e Preven\u00e7\u00e3o com foco no suic\u00eddio policial no Brasil consultou 18.007 policiais militares em 2015. Destes, 650 tentaram suic\u00eddio e 3.225 policiais cogitaram o autoc\u00eddio, quando o carro \u00e9 utilizado como instrumento para o provocar a pr\u00f3pria morte.<\/p>\n<p>O n\u00famero estimado de policiais militares no Brasil \u00e9 de 410 mil. Os dados publicados ainda indicam que 43,8% daqueles que tentaram suic\u00eddio n\u00e3o contaram a ningu\u00e9m sobre esse desejo.<\/p>\n<p>O acesso a armas de fogo pode ser um fator facilitador, pois entre homens e mulheres, 87,6% cometeram suic\u00eddio com o uso de tais artif\u00edcios. Os n\u00fameros indicam um quadro de alerta, provando a import\u00e2ncia do acompanhamento psicol\u00f3gico dentro da carreira policial.<\/p>\n<p>Para o respons\u00e1vel t\u00e9cnico do Programa com as For\u00e7as Policiais e de Seguran\u00e7a no Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Paulo Roberto Batista de Oliveira, as a\u00e7\u00f5es preventivas tardam. \u201cO que o Comit\u00ea percebe em algumas institui\u00e7\u00f5es com as quais trabalhamos \u00e9 que isso [trabalho e acompanhamento psico-social] ocorre no \u00faltimo momento, no momento em que o policial tem que ser afastado para uma interna\u00e7\u00e3o&#8221;, explica. &#8220;N\u00e3o conv\u00e9m que isso ocorra porque ningu\u00e9m vai ficar afetado em um primeiro momento, essa situa\u00e7\u00e3o de desconforto vai crescendo at\u00e9 que se rompe, e normalmente isso pode se romper em um momento de opera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Paulo, que tamb\u00e9m possui a farda de coronel da Reserva da Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal, acredita que a solu\u00e7\u00e3o para as estat\u00edsticas preocupantes \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o. \u201cAs pol\u00edcias precisam estar preparadas para lidar com isso dentro do seu apoio psicossocial. Elas precisam ter um trabalho, uma estrutura, e precisam trabalhar n\u00e3o s\u00f3 com psic\u00f3logos, mas com psiquiatras tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Para o especialista, existe uma vis\u00e3o preconceituosa de que ao ser afastado da opera\u00e7\u00e3o, o policial deve seguir para o servi\u00e7o burocr\u00e1tico. Entre as alternativas est\u00e1 a transfer\u00eancia de \u00e1reas, como para o policiamento rodovi\u00e1rio ou prote\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cO policial vai realizar uma outra atividade operacional que n\u00e3o seja aquela pela qual ele est\u00e1 sofrendo situa\u00e7\u00f5es que o est\u00e3o abalando psicologicamente\u201d, completa.<\/p>\n<p>O sargento da Pol\u00edcia Militar Miguel Mendes, 61, conta que a press\u00e3o que um policial sofre vem logo cedo, porque nunca se sabe o que pode acontecer, o que ele ir\u00e1 fazer ou que horas voltar\u00e1 para a casa. \u201cCom o passar do tempo, ele aprende a lidar com situa\u00e7\u00f5es diversas que aparecem\u201d, aponta, explicando que, quando um PM precisa de ajuda psicol\u00f3gica, existe um \u00f3rg\u00e3o na Pol\u00edcia Militar com psic\u00f3logos que est\u00e3o sempre atuando para o bem-estar do agente. \u201cHoje at\u00e9 faz parte da vida do policial ser encaminhado para uma consulta quando ele se envolve em ocorr\u00eancia envolvendo tiros, por exemplo. Antes de 1995 ou 1996 n\u00e3o havia esse apoio, mas, mesmo assim, at\u00e9 hoje ningu\u00e9m quer ir no setor. O PM quer trabalhar normalmente\u201d, completa.<\/p>\n<p>Apesar dos indicadores pertencerem \u00e0 Pol\u00edcia Militar, os casos de problemas psicol\u00f3gicos desencadeados por consequ\u00eancia da profiss\u00e3o n\u00e3o se restringem a ela. F\u00e1bio, citado no in\u00edcio da reportagem, aponta para o mais grave: \u201cN\u00e3o temos esse apoio, inclusive almocei com a chefia na segunda-feira passada e discutimos sobre a necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o. Tem muita gente com problemas e ningu\u00e9m se preocupa\u201d. Para o policial, caso n\u00e3o haja uma avalia\u00e7\u00e3o e acompanhamento, a tend\u00eancia \u00e9 piorar. Ele menciona que alguns policiais fazem terapia por conta pr\u00f3pria, como \u00e9 seu caso. \u201cPor\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 um acompanhamento preventivo. Fui procurar [tratamento] depois que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava complicada.\u201d<\/p>\n<p><em>(Fonte: VICE Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma mesa de almo\u00e7o com sete policiais, tr\u00eas possuem problemas psicol\u00f3gicos decorrentes da profiss\u00e3o. &#8220;Os problemas s\u00e3o dos mais diversos. Eu possuo s\u00edndrome do p\u00e2nico, um deles sofre de depress\u00e3o e, inclusive, trabalha sob efeito de muito medicamento\u201d, relata o policial rodovi\u00e1rio F\u00e1bio*, 47. 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