{"id":34794,"date":"2018-08-27T12:08:41","date_gmt":"2018-08-27T15:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=34794"},"modified":"2018-08-27T12:09:55","modified_gmt":"2018-08-27T15:09:55","slug":"problemas-de-saude-afastam-cinco-professores-por-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/08\/27\/problemas-de-saude-afastam-cinco-professores-por-dia\/","title":{"rendered":"Bahia: problemas de sa\u00fade afastam cinco professores por dia"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">Fazer a chamada e ouvir dos alunos a palavra \u201cpresente\u201d faz parte da rotina de qualquer professor. No entanto, todos os dias, ao menos cinco da rede estadual de ensino entram numa lista que os impedem de confirmar a pr\u00f3pria presen\u00e7a em sala de aula.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Secretaria da Administra\u00e7\u00e3o do Estado (Saeb), de janeiro a agosto deste ano, 1.361 educadores foram afastados por problemas de sa\u00fade. Ou seja, s\u00e3o 3,4% de um total de 40 mil profissionais da ativa. Diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores Licenciados do Brasil \u2013 Sec\u00e7\u00e3o da Bahia (APLB-BA), Jo\u00e3o Santana diz que, em m\u00e9dia, os afastamentos crescem 2,5% ao m\u00eas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cNo Di\u00e1rio Oficial, todos os dias as listas de afastados s\u00e3o enormes por conta dos problemas de sa\u00fade. Os motivos v\u00e3o dos mais simples como a Les\u00e3o por Esfor\u00e7o repetitivo (LER) at\u00e9 casos como alcoolismo, drogas e depress\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Saeb, entre as principais causas de afastamento est\u00e3o as neoplasias (tumores), doen\u00e7as musculoesquel\u00e9ticas, nos olhos, no cora\u00e7\u00e3o e nos aparelhos respirat\u00f3rio, circulat\u00f3rio e digestivo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A professora Rita de C\u00e1ssia Lima, 48 anos, sabe o que \u00e9 o peso de trabalhar 60 horas por semana na rede p\u00fablica e se revezar entre a sala de aula, vice-diretoria e coordena\u00e7\u00e3o. O corpo j\u00e1 ligou o sinal de alerta e a obrigou a tirar uma licen\u00e7a de 30 dias para tratar uma LER, problemas de garganta e estafa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cJ\u00e1 n\u00e3o sinto mais minha capacidade produtiva em 100%. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. O m\u00e9dico recomendou o afastamento do trabalho neste per\u00edodo em um dos turnos\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Rita conta que, at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 havia se afastado durante a licen\u00e7a maternidade. \u201cNunca fui nem de gripe. Agora, vou ao m\u00e9dico tr\u00eas vezes na semana e isso me deixa muito desconfort\u00e1vel. Percebo que estou prejudicando n\u00e3o s\u00f3 a mim, mas a escola. Estou no meu limite, sobretudo, \u00e0 noite\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os problemas de sa\u00fade interferem, inclusive, nas rela\u00e7\u00f5es pessoais. \u201cMe falta paci\u00eancia. Vivo suportando dor, tomando rem\u00e9dios para vir trabalhar. Isso complica n\u00e3o s\u00f3 a vida da gente, mas em todos os \u00e2mbitos da escola\u201d, desabafa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Santana, tudo isso \u00e9 provocado pelo ambiente de trabalho do professor. \u201cFalta tudo: se trabalha com inseguran\u00e7a, sendo amea\u00e7ado por quadrilha. Juntando isso ao estresse e ao sal\u00e1rio que a gente ganha, o professor acaba tendo que trabalhar 60 horas para conseguir uma remunera\u00e7\u00e3o melhor\u201d, avalia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para ele, a demora da libera\u00e7\u00e3o das aposentadorias tamb\u00e9m afeta esse quadro. \u201cAt\u00e9 o ano passado, t\u00ednhamos 10 mil professores com idade e tempo para se aposentar. S\u00e3o profissionais que perdem o est\u00edmulo justamente porque continuam sendo espremidos desse jeito\u201d, acrescenta.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\">Estresse<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">No caso da professora aposentada Evandir Andrade, 62, os anos dedicados \u00e0 sala de aula deram origem a dores nas pernas que se transformaram em bursite e ela desenvolveu ainda tendinite e LER. O estresse di\u00e1rio provocou ainda altera\u00e7\u00f5es na press\u00e3o. Hoje, al\u00e9m de hipertensa, ela \u00e9 diab\u00e9tica. \u201cForam muitos anos dando aulas e esses problemas foram surgindo. Os m\u00e9dicos sempre avisavam que as duas coisas estavam relacionadas\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00e3o quase 40 anos desde quando ela come\u00e7ou a ensinar na zona rural de Paripiranga, no Nordeste da Bahia. \u201cTive v\u00e1rias colegas que adoeceram por conta do trabalho. Depois de Paripiranga, fui professora tamb\u00e9m em Salvador e n\u00e3o vi muita diferen\u00e7a na sala de aula. A realidade \u00e9 a mesma. Muito estresse e muito trabalho\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">M\u00e3e de quatro filhos nas redes estadual e municipal, a cuidadora de idosos Marilu Ferreira sabe bem como \u00e9 quando falta professor na sala de aula. \u201cSempre acontece de um dia ou outro n\u00e3o ter aula porque algum professor ficou doente. Se ele demora de voltar, o estudante fica esperando o substituto. Essa semana, minha filha de 11 anos ficou um dia sem ir para escola por falta de professor\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na escola onde Cristiane Santana trabalha,\u00a0essa aus\u00eancia j\u00e1 chegou a durar quatro meses. Nesse per\u00edodo, os alunos ficaram desamparados e sem resposta de quando voltariam \u00e0 rotina. A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o diz que cabe a cada unidade repor as aulas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cMeu afastamento foi r\u00e1pido. Sabia que se eu n\u00e3o voltasse, eles ficariam sem aula, porque n\u00e3o havia professor. Isso provoca um d\u00e9ficit na aprendizagem. Mais que isso, provoca uma evas\u00e3o escolar\u201d, avalia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela acredita, inclusive, que o n\u00famero de professores afastados seria ainda maior se n\u00e3o houvesse perda salarial. \u201cTem professor que evita pedir. Tem uma aqui na escola, mesmo, que n\u00e3o tira a licen\u00e7a por isso\u201d, conta.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Eu, primeiro, tive um acidente de trabalho. Estava estudando na faculdade para melhorar minha atua\u00e7\u00e3o enquanto professora, ao atravessa a rua, dentro da pr\u00f3pria \u00e1rea faculdade, um carro me atingiu. Fiquei dois anos afastada. Depois tive que me readaptar e voltei para sala de aula sem poder. Isso porque eu tive uma perda enorme no sal\u00e1rio. Antes da Lei dos Readaptados 12904\/2013, era isso que acontecia. Nessa \u00e9poca [1997], eu tive 17 fraturas de costela, lacera\u00e7\u00e3o, traumatismo craniano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Eu me afastei para me cuidar durante quase dois anos. Os m\u00e9dicos at\u00e9 queriam me aposentar por invalidez. Mas n\u00e3o fui aposentada. Voltei\u00a0mesmo sentindo muitas dores. Quando voltei, falava baixo na sala de aula. N\u00e3o tinha for\u00e7a, voz. Entrei em depress\u00e3o, chorava tanto. Isso durou anos. Chorava porque n\u00e3o conseguia ser uma boa professora. A\u00a0que eu queria ser para meus alunos. Eu me controlava muito para seguir. Fiquei com depress\u00e3o nas salas de aula. Para piorar, minha rotina era t\u00e3o exaustiva. Sa\u00eda do Teixeira de Freitas [no bairro de Nazar\u00e9, centro de Salvador] e ia para o Edvaldo Boaventura, no Stiep. Ficava 60 horas no trabalho, se n\u00e3o eu n\u00e3o teria dinheiro. O afastamento n\u00e3o me ajudou em nada, porque eu tive que voltar com sequelas para trabalhar. S\u00f3 em 2008, 11 anos depois, eu conseguir me aposentar.\u00a0<strong> (Luzia Gomes, ex-professora da rede estadual que pediu afastamento, voltou por conta do sal\u00e1rio e ficou depressiva)<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\">Substitui\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">Quando um professor \u00e9 afastado o Estado tem que abrir concurso para contrata\u00e7\u00e3o de um novo profissional. Mas o que acontece muitas vezes, segundo a diretoria da APLB, \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais Reda.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado, se houver disponibilidade de carga hor\u00e1ria de outro concursado, a substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata. Caso contr\u00e1rio, a SEC diz que h\u00e1 uma contrata\u00e7\u00e3o emergencial e, paralelamente, \u00e9 providenciada a convoca\u00e7\u00e3o de candidato concursado, quando existe aprovado. Os convocados pelo Reda t\u00eam dez dias \u00fateis para ocupar a vaga, segundo a secretaria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para conseguir o afastamento, o professor precisa ir ao m\u00e9dico ou ao psic\u00f3logo e ter a situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica confirmada. Depois, o especialista da Junta M\u00e9dica da Bahia concede ou n\u00e3o o afastamento. O professor pode ser afastado do cargo por, no m\u00e1ximo, dois anos. Depois disso, \u00e9 preciso se aposentar por invalidez.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Professor de Medicina Social na Ufba, Eduardo Borges dos Reis acredita que a pr\u00f3pria atividade do professor pode ser danosa \u00e0 sa\u00fade. \u201cA rela\u00e7\u00e3o de aluno e professor \u00e9, por ess\u00eancia, conflituosa. Aparentemente, n\u00e3o haveria riscos chamativos, mas h\u00e1 o risco psicossocial\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">J\u00e1 os problemas f\u00edsicos s\u00e3o fundamentalmente ligados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013 embora tenham liga\u00e7\u00e3o com as rela\u00e7\u00f5es dentro de sala.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\">Doen\u00e7as comuns<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">Nos ambientes de estresses e cobran\u00e7a, ele acrescenta, as doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o muito comuns. Assim como as doen\u00e7as ligadas ao aparelho digestivo. \u201cJ\u00e1 doen\u00e7as musculoesquel\u00e9ticas tem rela\u00e7\u00e3o com os movimentos repetitivos, como confec\u00e7\u00e3o de trabalho, corre\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o. A tendinite do ombro tamb\u00e9m \u00e9 muito comum, por conta desses movimentos repetitivos e uma carga hor\u00e1ria muito grande \u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A psiquiatra Shirley Moraes tem observado um aumento na frequ\u00eancia de professores no consult\u00f3rio no \u00faltimo ano. Na maioria das vezes, eles chegam com queixas de dores no corpo, depois de ter passado por diversos m\u00e9dicos e feito muitos exames sem resultado claro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cS\u00e3o pessoas que t\u00eam um ac\u00famulo grande de trabalho, est\u00e3o cansadas, n\u00e3o sentem mais vontade de trabalhar e tem a sensa\u00e7\u00e3o incompet\u00eancia. Algumas n\u00e3o sentem vontade nem de sair de casa e est\u00e3o com a autoestima bastante comprometida. S\u00e3o muitos os sintomas\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A m\u00e9dia \u00e9 de tr\u00eas professores por m\u00eas no consult\u00f3rio dela. Na pr\u00e1tica, s\u00e3o trabalhadores que, quando est\u00e3o de f\u00e9rias ou de folga, passam bem, mas quando precisam sair para trabalhar sentem dores f\u00edsicas, principalmente, na cabe\u00e7a e na lombar, ins\u00f4nia, v\u00f4mitos e n\u00e1useas. Muitos acabam sendo diagnosticados com a S\u00edndrome de Burnout.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cEssa s\u00edndrome acomete pessoas que t\u00eam muitas responsabilidades, que lidam com o p\u00fablico e n\u00e3o se sentem valorizadas. Ela provoca cansa\u00e7o excessivo e, entre outros problemas, compromete a produtividade e a vida dos pacientes. Isso \u00e9 mais comum do que se pensa. Professores, profissionais de sa\u00fade e policiais s\u00e3o os mais afetados\u201d, explica.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\">Ansiedade afeta 68% dos professores<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">Uma pesquisa nacional feita pela Associa\u00e7\u00e3o Nova Escola, aponta que 66% dos professores j\u00e1 precisaram se afastar do trabalho por quest\u00f5es de sa\u00fade em todo o Brasil. Os problemas mais frequentes s\u00e3o ansiedade, (68%), estresse e dores de cabe\u00e7a (63%), ins\u00f4nia (39%), dores nos membros (38%) e alergias (38%).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O levantamento tamb\u00e9m mostrou que 87% dos professores acreditam que o problema \u00e9 ocasionado ou intensificado pelo trabalho. A pesquisa online foi realizada entre os meses de junho e julho de 2018, com mais de cinco mil educadores no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na rede municipal de Salvador, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 diferente. Segundo a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (SMED), s\u00f3 este ano foram 4.656 licen\u00e7as m\u00e9dicas \u00a0de professores, que podem ter se afastado das atividades por motivos de sa\u00fade mais de uma vez. Ao todo, s\u00e3o 7.659 professores que trabalham na rede.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\">Solu\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">De acordo com a coordenadora pedag\u00f3gica do Instituto Chapada de Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa, Elisabete Monteiro, para mudar essa realidade, \u00e9 preciso rever a quantidade de alunos por sala e melhorar o apoio pedag\u00f3gico aos professores.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA forma\u00e7\u00e3o continuada deste professor deve pensar em situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas mais contempor\u00e2neas que possam reduzir esta tens\u00e3o na sala de aula. O fazer pedag\u00f3gico qualificado ajuda nesta transforma\u00e7\u00e3o do ambiente escolar enquanto um lugar onde d\u00e1 prazer de fazer parte e permanecer\u201d, avalia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A coordenadora pedag\u00f3gica e coach em desenvolvimento e educa\u00e7\u00e3o, Celeste Oliveira, concorda. Ela atua na rede p\u00fablica e \u00e9 ainda diretora de uma escola com 1,2 mil alunos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cTemos cerca de 50 professores e, em m\u00e9dia, recebemos de 10 a 12 atestados m\u00e9dicos por m\u00eas. S\u00f3 em agosto foram dois afastamentos de 30 dias por esses sintomas. O estresse desmotiva e faz com que o professor deixe de ser um mediador de conflitos e passe a somar essas quest\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m da capacidade t\u00e9cnica \u00e9 preciso equil\u00edbrio emocional. \u201cNa minha experi\u00eancia, quando apontamos os erros percebemos um certo desconforto do professor, ele se sente cobrado e frustrado, mas precisa entender que o aprendizado do aluno n\u00e3o depende apenas dele, mas de outros fatores que est\u00e3o al\u00e9m do seu controle, como a hist\u00f3ria e a vida dos estudantes. Ent\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o precisa desenvolver a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m nesse sentido\u201d, destaca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em junho deste ano, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado (SEC) lan\u00e7ou o Programa de Apoio e Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade do Professor e do Estudante (Acolher). As a\u00e7\u00f5es acontecem nas unidades escolares, no servi\u00e7o de sa\u00fade do SAC\/Educa\u00e7\u00e3o e no \u00f3rg\u00e3o central da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o. Os atendimentos podem ser agendados pelo telefone (71) 3117-1434 ou pessoalmente no SAC Educa\u00e7\u00e3o, das 8h \u00e0s 16h.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\">Quase dez mil baianos s\u00e3o afastados pelo INSS<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) afastou no \u00faltimo ano 9.766 mil baianos do trabalho por acidentes e problemas de sa\u00fade. Os dados do Minist\u00e9rio do Trabalho (MTE) apontam que as fraturas ao n\u00edvel do punho e da m\u00e3o foram respons\u00e1veis pela maior parte dos benef\u00edcios concedidos, somando 817 afastamentos, 8,37% do volume total.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cSe voc\u00ea juntar os dez primeiros motivos que provocaram estes afastamentos, com certeza vai encontrar um n\u00famero bem grande de acidentes de trabalho de membros superiores. Esse \u00e9 o principal motivo de afastamento, justamente porque ainda existem m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e falta de seguran\u00e7a para estes trabalhadores\u201d, analisa o diretor da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e perito m\u00e9dico do INSS, Jo\u00e3o Silvestre Silva Junior.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os n\u00fameros se referem aos afastamentos com mais de 15 dias. Fratura na perna, incluindo o tornozelo (779), dorsalgia (778), mononeuropatias dos membros superiores (644) e as les\u00f5es do ombro (598) tamb\u00e9m respondem por uma parcela significativa das principais causas que tiraram os trabalhadores das suas atividades.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda segundo Silvestre, a maior parte dos acidentes acontece com funcion\u00e1rios da ind\u00fastria. O setor da constru\u00e7\u00e3o civil tamb\u00e9m registra uma boa parcela de casos. \u201cNa fratura, o osso quebra. J\u00e1 a les\u00e3o consiste, geralmente, em uma altera\u00e7\u00e3o que pode ser no m\u00fasculo, no tend\u00e3o. As repercuss\u00f5es f\u00edsicas cuja causa \u00e9 o trabalho, em geral, acontecem nos membros superiores do trabalhador\u201d, ressalta.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>As 20 principais causas de afastamento no trabalho<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">1. Fratura ao n\u00edvel do punho e da m\u00e3o: 817<\/p>\n<p class=\"bodytext\">2. Fratura da perna, incluindo tornozelo: 779<\/p>\n<p class=\"bodytext\">3. Dorsalgia: 778<\/p>\n<p class=\"bodytext\">4. Mononeuropatias dos membros superiores: 644<\/p>\n<p class=\"bodytext\">5. Les\u00f5es do ombro: 598<\/p>\n<p class=\"bodytext\">6. Fratura do p\u00e9 (exceto do tornozelo): 559<\/p>\n<p class=\"bodytext\">7. Fratura do antebra\u00e7o: 500<\/p>\n<p class=\"bodytext\">8. Fratura do ombro e do bra\u00e7o: 352<\/p>\n<p class=\"bodytext\">9. Sinovite e tenossinovite: 247<\/p>\n<p class=\"bodytext\">10. Outros transtornos de discos intervertebrais: 245<\/p>\n<p class=\"bodytext\">11. Amputa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica ao n\u00edvel do punho e da m\u00e3o: 207<\/p>\n<p class=\"bodytext\">12. Luxa\u00e7\u00e3o, entorse e distens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es e dos ligamentos ao n\u00edvel do tornozelo e do p\u00e9: 205<\/p>\n<p class=\"bodytext\">13. Rea\u00e7\u00f5es ao &#8220;stress&#8221; grave e transtornos de adapta\u00e7\u00e3o: 177<\/p>\n<p class=\"bodytext\">14. Ferimento do punho e da m\u00e3o: 161<\/p>\n<p class=\"bodytext\">15. Fratura do f\u00eamur: 156<\/p>\n<p class=\"bodytext\">16. Luxa\u00e7\u00e3o, entorse e distens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es e dos ligamentos do joelho: 148<\/p>\n<p class=\"bodytext\">17. Transtornos internos dos joelhos: 143<\/p>\n<p class=\"bodytext\">18. Outros transtornos articulares n\u00e3o classificados em outra parte: 131<\/p>\n<p class=\"bodytext\">19. Outros transtornos ansiosos: 109<\/p>\n<p class=\"bodytext\">20. Luxa\u00e7\u00e3o, entorse e distens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es e dos ligamentos da cintura escapular: 105<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong><em>Fonte: Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE)\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>(Fonte: Correio 24 Horas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer a chamada e ouvir dos alunos a palavra \u201cpresente\u201d faz parte da rotina de qualquer professor. No entanto, todos os dias, ao menos cinco da rede estadual de ensino entram numa lista que os impedem de confirmar a pr\u00f3pria presen\u00e7a em sala de aula. 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