{"id":34647,"date":"2018-08-03T11:50:49","date_gmt":"2018-08-03T14:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=34647"},"modified":"2018-08-03T11:52:28","modified_gmt":"2018-08-03T14:52:28","slug":"casos-de-agressao-a-professores-crescem-189-no-estado-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/08\/03\/casos-de-agressao-a-professores-crescem-189-no-estado-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Casos de agress\u00e3o a professores crescem 189% no estado de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de agress\u00f5es a professores de escolas da rede estadual paulista disparou neste ano. Em m\u00e9dia, tr\u00eas docentes s\u00e3o atacados a cada dois dias no estado.<\/p>\n<p>Segundo dados da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o, sob a gest\u00e3o M\u00e1rcio Fran\u00e7a (PSB), obtidos via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, as agress\u00f5es passaram de 74, de janeiro a maio de 2017, para 214, no mesmo per\u00edodo de 2018, o que representa uma alta de 189%.<\/p>\n<p>Em anos anteriores, o n\u00famero n\u00e3o chegou a cem casos.<\/p>\n<p>As agress\u00f5es verbais s\u00e3o mais comuns, mas h\u00e1 ataques f\u00edsicos tamb\u00e9m. Um aluno de uma escola estadual da Vila Nova Cachoeirinha, da zona norte de S\u00e3o Paulo, jogou uma cadeira na cabe\u00e7a do professor de artes, ap\u00f3s ser repreendido em sala de aula.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda estou passando por tratamento psicol\u00f3gico. Tomo antidepressivos at\u00e9 hoje&#8221;, afirma ele, que foi afastado da sala de aula e realiza servi\u00e7os burocr\u00e1ticos na rede de ensino.<\/p>\n<p>Para preserv\u00e1-los, nenhum dos docentes ser\u00e1 identificado nesta reportagem.<\/p>\n<p>No ano passado, um professor de matem\u00e1tica conta que foi atacado por um aluno do nono ano, em Bragan\u00e7a Paulista (a 85 km de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>&#8220;Um aluno faltoso entrou na sala sem permiss\u00e3o, foi repreendido por uma funcion\u00e1ria no corredor, e a amea\u00e7ou&#8221;, diz o professor. &#8220;Eu a alertei. Ele descobriu, me cercou, me deu socos na cabe\u00e7a e no rosto, al\u00e9m de chutes na perna. N\u00e3o reagi, foi vexat\u00f3rio, me senti humilhado.&#8221;<\/p>\n<p>Ele afirma, por\u00e9m, que o que mais o chocou foi que a dire\u00e7\u00e3o da escola n\u00e3o tomou nenhuma provid\u00eancia. A agress\u00e3o o fez abandonar a sala de aula ap\u00f3s 20 anos. Hoje, ele trabalha com constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os professores dizem que a falta de estrutura das escolas e das fam\u00edlias dos alunos pode ter provocado o aumento da viol\u00eancia nos \u00faltimos anos. Uma das consequ\u00eancias da falta de apoio do governo do estado, segundo eles, \u00e9 o uso de drogas dentro ou no entorno das escolas.<\/p>\n<p>Os casos de agress\u00f5es verbais fazem parte do dia a dia, segundo uma professora de sociologia. &#8220;\u00c9 t\u00e3o comum que nem consideramos mais agress\u00e3o. Triste, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>No ano passado, em outro exemplo, o carro de uma professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica foi pichado por alunos de uma escola de Campinas.<\/p>\n<p>&#8220;Vem d\u00e1 [sic] aula para mim sua gata gostosa, vem no 1\u00ba B e 2\u00ba C&#8221;, escreveu um suspeito no carro da educadora. &#8220;Nunca descobriram quem fez isso, mas sei que n\u00e3o foram alunos meus. Eu sofria muito ass\u00e9dio de alunos de outras turmas, que ficavam me provocando no corredor&#8221;, relata a v\u00edtima.<\/p>\n<p>A professora relata a conversa que teve com o diretor da escola, que teria lhe dito: &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 fazendo tempestade em um copo d&#8217;\u00e1gua. S\u00e3o adolescentes, n\u00e3o \u00e9 nada&#8221;. Mas quem ficou com o preju\u00edzo de R$ 600 para polir o carro foi a docente, segundo ela.<\/p>\n<p>A falta de investimento na educa\u00e7\u00e3o, superlota\u00e7\u00e3o das salas de aula, desvaloriza\u00e7\u00e3o dos professores, ao longo dos dois \u00faltimos anos, al\u00e9m de falta de estrutura nas escolas,\u00a0teriam sido alguns dos motivos para elevar a viol\u00eancia dentro da sala de aula, segundo F\u00e1bio Santos de Moraes, presidente em exerc\u00edcio da Apeoesp (sindicato dos professores do estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>&#8220;Falta quase tudo na escola: merenda, funcion\u00e1rios. N\u00e3o temos mais professores monitores, por exemplo, que mediavam conflitos.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, o n\u00famero da reportagem representa 0,1% do total de docentes do estado e n\u00e3o se trata de dados estat\u00edsticos, j\u00e1 que sa\u00edram de registro interno da pasta. Diz que investiu este ano R$ 63 milh\u00f5es em reformas das escolas.<\/p>\n<p>A pasta diz que S\u00e3o Paulo \u00e9 pioneiro em enfrentar quest\u00f5es de relacionamento entre professor e aluno e que n\u00e3o responde por professores agredidos, porque a reportagem n\u00e3o informou as escolas.<\/p>\n<p>Reportagem da <em>Folha<\/em> publicada no ano passado j\u00e1 havia revelado esse drama. A cada dia, em m\u00e9dia, quase dois professores eram agredidos em seus locais de trabalho no estado de S\u00e3o Paulo, isso segundo dados de registros policiais obtidos na ocasi\u00e3o pela Folha por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero levou em conta as 178 queixas de educadores em delegacias no primeiro semestre de 2017, apenas em datas do calend\u00e1rio escolar (dias \u00fateis do per\u00edodo de fevereiro a junho).<\/p>\n<p>Elas se referiam a ocorr\u00eancias de &#8220;vias de fato&#8221; (37%), como um empurr\u00e3o sem maiores consequ\u00eancias, e ao crime de les\u00e3o corporal (63%). Aconteceram em creches, escolas e universidades, tanto p\u00fablicas como particulares.<\/p>\n<p>Havia educadores atingidos com lixeiras, carteiras escolares, socos, chutes e pontap\u00e9s. Em ao menos um de cada quatro casos, um aluno foi apontado entre os agressores &#8211;a maioria dos registros n\u00e3o identificou os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Folha de S. Paulo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de agress\u00f5es a professores de escolas da rede estadual paulista disparou neste ano. Em m\u00e9dia, tr\u00eas docentes s\u00e3o atacados a cada dois dias no estado. 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