{"id":34257,"date":"2018-07-30T16:01:32","date_gmt":"2018-07-30T19:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=34257"},"modified":"2018-07-30T16:01:32","modified_gmt":"2018-07-30T19:01:32","slug":"o-estigma-enfrentado-nas-periferias-pelas-pessoas-com-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/07\/30\/o-estigma-enfrentado-nas-periferias-pelas-pessoas-com-depressao\/","title":{"rendered":"O estigma enfrentado nas periferias pelas pessoas com depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quando Andressa Duvique, de 21 anos, moradora de Guaianases, zona leste da capital paulista, confessou a uma conhecida da sua igreja que estava com\u00a0depress\u00e3o, ouviu da mulher que a doen\u00e7a era uma quest\u00e3o de f\u00e9. &#8220;Ela perguntou pra mim &#8216;Ah, mas voc\u00ea est\u00e1 orando?&#8217;, como se isso fosse um problema espiritual, mas isso \u00e9 um problema emocional. Por isso falam que \u00e9 frescura&#8221;, conta a jovem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o afeta 11,5 milh\u00f5es de brasileiros (ou quase 6% da popula\u00e7\u00e3o), segundo dados de 2015 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Andressa encontrou ajuda para lidar com a doen\u00e7a em sess\u00f5es de terapia gratuitas, oferecidas por uma psic\u00f3loga. &#8220;Depois que descobri que n\u00e3o tinha passado no vestibular, por bem pouco, as coisas pioraram e eu vi que precisava de ajuda. No princ\u00edpio, foi por causa de vestibular, mas depois fazendo terapia eu descobri que era uma quest\u00e3o emocional minha, que eu precisava cuidar&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Existem poucos estudos nacionais relacionando depress\u00e3o e classe social. De acordo com uma pesquisa do Ibope, realizada sob encomenda da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), de dez anos atr\u00e1s, as classes C e D s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis \u00e0 depress\u00e3o \u2013 a pesquisa identificou sintomas depressivos em 25% das pessoas desse estrato social, contra 15% das classes A e B.<\/p>\n<div id=\"_dynad_c_I5550010343_15329767963511334911618\" style=\"border: 0px none; z-index: 1; margin: 0px; visibility: visible; display: block; transition: all 1s ease 0s; background-color: white; overflow: hidden; width: 0%; height: 0px;\"><iframe id=\"IF5550010343_15329767963511334911618\" style=\"border: 0; visibility: visible; -webkit-transition: all 1s; width: 100%; -o-transition: all 1s; transition: all 1s; height: 0px; -moz-transition: all 1s;\" src=\"https:\/\/s.dynad.net\/stack\/7YjL7bz9tsCa1KUvTHm3_Mju87HIKSD2eKZBylFyjyPDVKbQ_tcj7XAQPsWhT1lh.html\" name=\"I5550010343_15329767963511334911618\" width=\"100%\" height=\"0\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"No\" align=\"top\"><\/iframe><\/div>\n<p>Essa conclus\u00e3o \u00e9 amparada por dados americanos que apontam que pessoas vivendo na pobreza t\u00eam o dobro de chances de estarem deprimidas. Esses dados ainda fazem sentido hoje? Teng Chei Tung, psiquiatra membro do Conselho Cient\u00edfico da Abrata, acredita que &#8220;as pessoas pobres sofrem mais com a depress\u00e3o, pelo menos por causa da falta de acesso a tratamentos adequados&#8221;.<\/p>\n<p>Para Teng, dados mais recentes a respeito seriam &#8220;important\u00edssimos para buscar pol\u00edticas p\u00fablicas mais efetivas (no combate \u00e0 depress\u00e3o)&#8221;.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">&#8216;Voc\u00ea est\u00e1 aplaudindo, eu estou me matando&#8217;<\/h3>\n<p>Em 2017, o rapper baiano Diogo Moncorvo, o Baco Exu do Blues, tinha tudo para estar vivendo o melhor momento de sua vida. O m\u00fasico acumulava milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es em seus clipes no YouTube. Seu \u00e1lbum, Es\u00fa, foi elogiado pela cr\u00edtica e lan\u00e7ou os holofotes para o rap criado fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mas uma das faixas do \u00e1lbum j\u00e1 mostrava que Baco estava sofrendo. &#8220;O \u00e1lcool est\u00e1 me matando\/Minha raiva est\u00e1 me matando\/Sua expectativa em mim est\u00e1 me matando\/Homem n\u00e3o chora\/Foda-se, eu t\u00f4 chorando!\/ (&#8230;) \/Isso \u00e9 um pedido de socorro\/Voc\u00ea est\u00e1 aplaudindo\/Eu t\u00f4 me matando&#8221;.<\/p>\n<p>Baco estava com depress\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que o negro, rico ou perif\u00e9rico, \u00e9 condicionado \u00e0 depress\u00e3o devido \u00e0 hist\u00f3ria de vida dele sabe? Porque ele sempre \u00e9 deixado de lado, sofre preconceito. Isso tudo abala o seu bem-estar, sua autoconfian\u00e7a, suas vontades. Se voc\u00ea deixar isso te afetar, voc\u00ea entra numa psicose maluca e n\u00e3o consegue sair dela&#8221;, afirma o rapper Baco, que mora em Salvador e cujo p\u00fablico, na Bahia, \u00e9 composto principalmente por jovens de periferia.<\/p>\n<p>Em sua tese de mestrado, defendida na Universidade Estadual de Feira de Santana (BA), a pesquisadora americana Jenny Rose Smolen prop\u00f5e uma revis\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a e transtornos mentais no Brasil.<\/p>\n<p>Analisando 14 pesquisas sobre transtornos mentais, ela chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o brancos t\u00eam mais tend\u00eancia a sofrer com doen\u00e7as como depress\u00e3o. Segundo Smolen, esse problema n\u00e3o est\u00e1 ligado a fatores gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Uma pista para explicar a quest\u00e3o pode ser encontrada em outro estudo, da Universidade do Texas, que, analisando pessoas negras dos EUA, concluiu que sofrer discrimina\u00e7\u00e3o di\u00e1ria impacta na sa\u00fade mental das pessoas.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m o impacto bioqu\u00edmico, diz a especialista em psicologia social e escritora Gabriela Moura.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea se v\u00ea diante de um perigo, o seu n\u00edvel de cortisol aumenta. S\u00f3 que o nosso corpo foi feito para que isso aconte\u00e7a num per\u00edodo de cinco, dez minutos, que \u00e9 o tempo de voc\u00ea entrar em estado de alerta e fugir do perigo.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o de preconceito, de viol\u00eancia social, a gente se v\u00ea nessa situa\u00e7\u00e3o o tempo todo, ent\u00e3o, o indiv\u00edduo passa 24 horas em estado de alerta, n\u00e3o sabendo se ele vai ser bem recebido, n\u00e3o sabendo se ele vai sofrer viol\u00eancia policial, viol\u00eancia urbana, e isso a m\u00e9dio ou longo prazo causa uma extrema fadiga no corpo e na mente.&#8221;<\/p>\n<p>Para completar, h\u00e1 indicativos de que negros tenham acesso mais restrito a tratamentos m\u00e9dicos e a planos de sa\u00fade privados, o que for\u00e7a a maioria a recorrer ao sistema p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), divulgada em 2015 e abrangendo os setores p\u00fablico e privado, 74,8% dos brancos tinham consultado um m\u00e9dico nos \u00faltimos 12 meses, contra 69,5% dos pretos e 67,8% dos pardos. S\u00f3 21,6% dos pretos e 18,7% dos pardos tinham plano de sa\u00fade, contra 37,9% dos brancos.<\/p>\n<p>Resta \u00e0 imensa maioria o atendimento gratuito do SUS.<\/p>\n<p>&#8220;A periferia est\u00e1 exposta a uma vulnerabilidade social, n\u00e9? Devido a todo um hist\u00f3rico de escravid\u00e3o, de uma dificuldade maior (em rela\u00e7\u00e3o) \u00e0s possibilidades de estudo, de trabalho formal, de viol\u00eancia policial, isso est\u00e1 presente&#8221;, diz \u00e0 reportagem um psic\u00f3logo de uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS), localizada na periferia de S\u00e3o Paulo, que pediu anonimato. &#8220;At\u00e9 nos equipamentos de sa\u00fade, \u00e0s vezes, existe uma dificuldade de encontrar um acolhimento, um reconhecimento na quest\u00e3o do racismo.&#8221;<\/p>\n<p>Gabriela Moura conclui: &#8220;Para a gente conseguir alcan\u00e7ar essas camadas a gente tem que repensar como esse atendimento est\u00e1 sendo feito, a ponto de essas pessoas n\u00e3o evitarem e n\u00e3o negligenciarem a sua pr\u00f3pria sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">Limita\u00e7\u00f5es no atendimento<\/h3>\n<p>A psiquiatra Laura Helena Andrade, coordenadora do N\u00facleo de Epidemiologia Psiqui\u00e1trica, do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP, foi uma das respons\u00e1veis pela S\u00e3o Paulo Megacity Mental Health Survey, uma ampla pesquisa sobre sa\u00fade mental realizada na Grande S\u00e3o Paulo e divulgada em 2012.<\/p>\n<p>Andrade explica que uma pesquisa dessas (realizada entre 2005 e 2007), com mais de 5 mil entrevistados em sess\u00f5es ao vivo, com at\u00e9 quatro horas de entrevista, \u00e9 complexa e leva muito tempo para ser realizada, tabulada e ter seus resultados divulgados. Esse seria um dos motivos da falta de dados mais recentes sobre o tema.<\/p>\n<p>Andrade v\u00ea com ressalvas as conclus\u00f5es da pesquisa do Ibope de que a pobreza seria determinante para uma maior tend\u00eancia \u00e0 depress\u00e3o e aponta que casos de transtornos mentais s\u00e3o encontrados em todas as classes sociais.<\/p>\n<p>Mesmo assim, dados levantados pela S\u00e3o Paulo Megacity apontaram alguns efeitos da pobreza na sa\u00fade mental do paulistano, como uma maior incid\u00eancia de transtornos de ansiedade em pessoas com baixa escolaridade e de transtornos psiqui\u00e1tricos relacionados ao abuso de drogas (incluindo \u00e1lcool) em pessoas que moram em vizinhan\u00e7as com maior n\u00edvel de priva\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia tamb\u00e9m aparece como um gatilho para transtornos mentais nos dados da pesquisa.<\/p>\n<p>De acordo com a OMS, entre 2005 e 2015, o n\u00famero de pacientes com depress\u00e3o aumentou 18,4%.<\/p>\n<p>Apesar da exist\u00eancia de tratamentos, poucas pessoas \u2013 menos de 10% dos casos \u2013 recebem ajuda m\u00e9dica.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">Demora para ser atendido pelo SUS<\/h3>\n<p>Lucia Figueiredo tem 59 anos e \u00e9 moradora do Jardim Brasil, zona norte de S\u00e3o Paulo. Ela diz que sua primeira experi\u00eancia com a depress\u00e3o foi h\u00e1 26 anos, quando sofreu um aborto espont\u00e2neo, mas o problema acabou se intensificando quando teve hipotireoidismo e uma s\u00e9rie de mortes ocorreram em sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tocava mais piano, n\u00e3o participava mais das coisas que sempre me faziam bem. E tr\u00eas meses depois que perdi meu irm\u00e3o e cunhado, perdi minha m\u00e3e. (A\u00ed se) intensificaram os sintomas. Ent\u00e3o, tive que buscar ajuda m\u00e9dica&#8221;, conta. No entanto, levou nove meses para conseguir tratamento na rede p\u00fablica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;O problema do SUS \u00e9 (que) a partir do momento que a pessoa entra no sistema para uma consulta, at\u00e9 conseguir chegar a um psiquiatra, demora bastante&#8221;, diz Lucia. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 o profissional, nem o atendimento psicol\u00f3gico, mas a dist\u00e2ncia de quando se detecta o problema at\u00e9 chegar na possibilidade de ser atendido.&#8221;<\/p>\n<p>Kelly Pereira, de 22 anos, sofre de depress\u00e3o desde a adolesc\u00eancia, e sua experi\u00eancia com o SUS n\u00e3o foi positiva. Al\u00e9m da dificuldade de diagn\u00f3stico, ela penou com a distribui\u00e7\u00e3o irregular de antidepressivos.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o houver uma boa adapta\u00e7\u00e3o com o rem\u00e9dio, n\u00e3o tem o que fazer, geralmente s\u00f3 tem uma \u00fanica op\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a moradora da periferia de Santo Andr\u00e9, Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em nota, a Prefeitura de Santo Andr\u00e9 declarou que a &#8220;Rela\u00e7\u00e3o Municipal de Medicamentos (REMUME) n\u00e3o disp\u00f5e de apenas uma op\u00e7\u00e3o para tratamento &#8211; na verdade est\u00e3o listadas 6 op\u00e7\u00f5es (Sertralina 50 mg, Fluoxetina 20 mg, Amitriptilina 25 mg, Imipramina 25 mg, Clomipramina 25 mg e Nortriptilina 25 MG), sempre pensando em alternativas que atendam as prescri\u00e7\u00f5es pelo princ\u00edpio ativo do medicamento&#8221;.<\/p>\n<p>A REMUME segue a lista da Rela\u00e7\u00e3o Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), que define os medicamentos dispon\u00edveis no Sistema \u00danico de Sa\u00fade e \u00e9 elaborada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas essas op\u00e7\u00f5es s\u00e3o suficientes? Para o psiquiatra Alexandre Valverde, p\u00f3s-graduado pela Universidade de Paris-1 Panth\u00e9on-Sorbonne, que trabalhou por anos no CAPS Itapeva, em S\u00e3o Paulo, e tamb\u00e9m com crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no Projeto Quixote, a resposta \u00e9 &#8220;n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Infelizmente (no SUS) n\u00e3o dispomos de toda a gama de medica\u00e7\u00f5es do mercado. Pode-se fazer muita coisa j\u00e1 com essas (seis) op\u00e7\u00f5es de antidepressivos, mas muitas vezes ao custo de efeitos colaterais e uma resposta insuficiente. A quest\u00e3o \u00e9 que em bairros perif\u00e9ricos, faltam at\u00e9 esses medicamentos da listagem do SUS.&#8221;<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo da UBS consultado pela reportagem concorda com Valverde e lembra que j\u00e1 viu faltarem em unidades do CAPS, na cidade de S\u00e3o Paulo, antipsic\u00f3ticos, que s\u00e3o medicamentos usados em casos de esquizofrenia, e sem os quais o paciente pode ter surtos de alucina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a Prefeitura de Santo Andr\u00e9, os seis tipos de antidepressivos listados acima n\u00e3o est\u00e3o em falta nos CAPS e nos Centros de Especialidades da cidade.<\/p>\n<p>Alexandre Valverde levanta, ainda, a quest\u00e3o da efic\u00e1cia dos gen\u00e9ricos que s\u00e3o disponibilizados no SUS. &#8220;Alguns deles t\u00eam um efeito muito abaixo do esperado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 medica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia. T\u00ednhamos de prescrever, por vezes, doses tr\u00eas a quatro vezes maiores que as habituais para conseguirmos a resposta terap\u00eautica.&#8221;<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">&#8216;Frescura&#8217;<\/h3>\n<p>O tabu em cima das doen\u00e7as psicol\u00f3gicas acontece em todas as classes sociais, mas na periferia percebe-se uma falta de conhecimento do assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um clich\u00ea na mente das pessoas que quem tem doen\u00e7a psicol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 s\u00e3o, n\u00e3o tem equil\u00edbrio. Por isso demorei tanto para assumir que estava doente&#8221; diz o rapper baiano Baco.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 um sofrimento muito individualizado e muitas vezes estigmatizado pela falta de informa\u00e7\u00e3o e de circula\u00e7\u00e3o sobre aquilo&#8221;, agrega o psic\u00f3logo da UBS.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o da depress\u00e3o como &#8220;frescura&#8221;, como algo ao qual o pobre n\u00e3o tem direito, foi muito citada pelos entrevistados ouvidos pela reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;Na periferia, as pessoas est\u00e3o na correria o tempo todo, buscando sobreviver, tendo que trabalhar muitas horas por dia, passar muitas horas no transporte p\u00fablico. Acaba que, \u00e0s vezes, ela precisa escolher onde ela vai depositar a energia e o tempo dela, se \u00e9 buscando tratamento para uma doen\u00e7a que \u00e9 pouco falada, pouco explorada ou se \u00e9 buscando uma sobreviv\u00eancia ganhando um sal\u00e1rio irris\u00f3rio, mas que pelo menos garanta uma subsist\u00eancia&#8221;, diz Gabriela Moura.<\/p>\n<p>Para Kelly, cujo pai tamb\u00e9m sofreu de depress\u00e3o, uma pessoa pobre n\u00e3o poderia se dar ao luxo da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Vi meu pai se matar todos os dias para sustentar nossa fam\u00edlia, de segunda a segunda, saindo \u00e0s quatro da manh\u00e3 e chegando \u00e0 noite. Sem folga, sem f\u00e9rias, sem nada. Meus vizinhos passando fome, muitos com v\u00e1rios filhos sem ter condi\u00e7\u00f5es de criar, morando em barracos de madeira praticamente dentro do c\u00f3rrego, eu olhava pra eles e pensava: eles n\u00e3o t\u00eam depress\u00e3o, eles n\u00e3o podem ficar doentes, sen\u00e3o morrem de fome. N\u00e3o podem se dar ao luxo de n\u00e3o levantar da cama.&#8221;<\/p>\n<p><em>(Fonte: BBC Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Andressa Duvique, de 21 anos, moradora de Guaianases, zona leste da capital paulista, confessou a uma conhecida da sua igreja que estava com\u00a0depress\u00e3o, ouviu da mulher que a doen\u00e7a era uma quest\u00e3o de f\u00e9. &#8220;Ela perguntou pra mim &#8216;Ah, mas voc\u00ea est\u00e1 orando?&#8217;, como se isso fosse um problema espiritual, mas isso \u00e9 um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31131,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}