{"id":3376,"date":"2015-11-09T10:13:42","date_gmt":"2015-11-09T12:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/11\/09\/psicologas-explicam-o-que-ha-por-tras-da-depressao-em-jogadores-de-futebol\/"},"modified":"2015-11-09T10:13:42","modified_gmt":"2015-11-09T12:13:42","slug":"psicologas-explicam-o-que-ha-por-tras-da-depressao-em-jogadores-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2015\/11\/09\/psicologas-explicam-o-que-ha-por-tras-da-depressao-em-jogadores-de-futebol\/","title":{"rendered":"Psic\u00f3logas explicam o que h\u00e1 por tr\u00e1s da depress\u00e3o em jogadores de futebol"},"content":{"rendered":"<p><em>Data: 6 de novembro<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ainda era mar\u00e7o, mas consta que fazia frio em Montevid\u00e9u na manh\u00e3 em que o corpo de Abd\u00f3n Porte foi encontrado no meio do campo do Nacional. Era 1918, e o ent\u00e3o \u00eddolo do time havia se suicidado, com um tiro no peito, bem no c\u00edrculo central do gramado. Tudo porque n\u00e3o suportou sua queda de rendimento em campo e a consequente ida \u00e0 reserva. O suic\u00eddio de Porte talvez n\u00e3o tenha sido o primeiro da hist\u00f3ria do futebol. Mas mostra que, desde os prim\u00f3rdios do esporte, as emo\u00e7\u00f5es e press\u00f5es que o envolvem j\u00e1 mexiam com o psicol\u00f3gico dos jogadores. Caso jogasse hoje, \u00e9 poss\u00edvel que Porte fizesse parte dos 38% deles que apresentam sintomas de depress\u00e3o ou ansiedade. Esse n\u00famero veio \u00e0 tona em uma pesquisa revelada recentemente pelo FIFPro, o sindicato internacional dos atletas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O dado chamou a aten\u00e7\u00e3o por indicar que o problema \u00e9 muito mais comum entre jogadores do que se poderia supor. E tamb\u00e9m por sugerir que ele vem aumentando: na pesquisa anterior feita pela FIFPro, a parcela de jogadores que disseram estar deprimidos ou ansiosos era de 26%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Psic\u00f3loga diz que exposi\u00e7\u00e3o atrapalha<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Desde os anos 90 a sa\u00fade mental dos atletas vem ganhando mais aten\u00e7\u00e3o. Diversos clubes e a sele\u00e7\u00e3o brasileira t\u00eam, ou j\u00e1 tiveram, psic\u00f3logos para atender o elenco, seja de maneira fixa, seja prestando aux\u00edlio quando h\u00e1 necessidade. Refer\u00eancia em psicologia do esporte no Brasil, a tamb\u00e9m professora e pesquisadora Katia Rubio diz n\u00e3o se surpreender com os resultados da pesquisa do FIFPro. &#8220;N\u00e3o fico surpresa, ainda mais com a total falta de privacidade dos jogadores hoje&#8221;, diz a psic\u00f3loga. Para ela, essa separa\u00e7\u00e3o cada vez menor entre a figura p\u00fablica do jogador e sua vida privada \u00e9 mais um fator a pression\u00e1-lo. &#8220;Para se reorganizar emocionalmente, voc\u00ea precisa de espa\u00e7o, de um tempo para voc\u00ea&#8221;, explica Katia, referindo-se a grande exposi\u00e7\u00e3o dos atletas. &#8220;Isso (a exposi\u00e7\u00e3o) cria uma vers\u00e3o ficcional da vida do jogador&#8221;, completa ela.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa quest\u00e3o, K\u00e1tia cita outros fatores que podem contribuir para que o jogador fique deprimido. &#8220;M\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, atraso de sal\u00e1rio, calend\u00e1rio mal feito, falta de est\u00edmulo para trabalhar&#8221;, diz a psic\u00f3loga. Para ela, o trabalho psicol\u00f3gico que muitos clubes passaram a oferecer \u00e9 t\u00e3o importante quanto o treinamento f\u00edsico dos atletas. &#8220;At\u00e9 porque o lado psicol\u00f3gico afeta o f\u00edsico. O jogador pode estar deprimido e ser taxado de desmotivado, de amarel\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente prestando servi\u00e7os para o Sport, Suzy Fleury \u00e9 outra renomada especialista da \u00e1rea. Ela conta que j\u00e1 se deparou com jogadores sofrendo de depress\u00e3o profunda, e que esses casos n\u00e3o devem ser confundidos com simplesmente um momento de tristeza. Suzy cita dificuldades em se adaptar a um pa\u00eds ou clube, e les\u00f5es, como outros fatores que podem deprimir um atleta. &#8220;Al\u00e9m disso, n\u00e3o podemos esquecer que ele (o jogador) pode estar passando por problemas em casa. Tive um atleta que estava com o pai na UTI e ele levava isso para dentro de campo&#8221;, conta a especialista.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"line-height: 1.6em;\">Contus\u00e3o levou Pedrinho \u00e0 depress\u00e3o profunda<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>E, se h\u00e1 um ex-jogador no futebol brasileiro que sabe como as contus\u00f5es podem mexer com a cabe\u00e7a, ele \u00e9 Pedrinho. Ele conta que, na \u00e9poca de Palmeiras, fez terapia e tomou rem\u00e9dios pesados para depress\u00e3o. &#8220;N\u00e3o tem a ver s\u00f3 com tristeza. \u00e9 uma coisa que entra na sua cabe\u00e7a de um jeito&#8230;&#8221;, diz o ex-meia sobre a depress\u00e3o. Ele agradece a Vanderlei Luxemburgo por ter notado que ele precisava de ajuda, e diz acreditar que muitos jogadores nem sequer sabem o que \u00e9 depress\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8220;Eu mesmo achava isso (depress\u00e3o) frescura, n\u00e3o compreendia o que era&#8221;, diz Pedrinho.&#8221;O que mais me deixava triste era o pessoal dizendo que eu n\u00e3o era s\u00e9rio, que era \u00b4chinelinho`, e n\u00e3o fazia ideia do que eu estava passando&#8221;, revela o ex-jogador.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>(Fonte: UOL)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para m\u00e9dica, o trabalho psicol\u00f3gico que muitos clubes passaram a oferecer \u00e9 t\u00e3o importante quanto o treinamento f\u00edsico dos atletas <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3376"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}