{"id":33274,"date":"2018-04-02T10:34:09","date_gmt":"2018-04-02T13:34:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/?p=33274"},"modified":"2018-04-02T10:34:09","modified_gmt":"2018-04-02T13:34:09","slug":"daniela-bortman-se-tornou-medica-apos-acidente-e-hoje-combate-o-preconceito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anamt.org.br\/portal\/2018\/04\/02\/daniela-bortman-se-tornou-medica-apos-acidente-e-hoje-combate-o-preconceito\/","title":{"rendered":"Daniela Bortman: se tornou m\u00e9dica ap\u00f3s acidente e hoje combate o preconceito"},"content":{"rendered":"<p>Quando era crian\u00e7a, ela ia junto com o pai e os irm\u00e3os para o hospital. Lembra bem. Era plant\u00e3o e por mais que o ambiente n\u00e3o fosse exatamente infantil, ela achava o m\u00e1ximo fazer essa visita ao pai m\u00e9dico. Conta com muito carinho que ficava imaginando pessoas deitadas na maca, ela atendendo, cuidando dos outros, fazendo a vida dos pacientes melhor. Seus irm\u00e3os quase desmaiavam, brinca. Mas ela n\u00e3o. &#8220;Eu amava desde pequena, sempre gostei bastante, sempre sonhei em ser m\u00e9dica. Sabia que era o que queria pra mim&#8221;. E foi isso que\u00a0<strong>Daniela Bortman<\/strong>, 35 anos, fez.<\/p>\n<p>Chegou a achar que talvez n\u00e3o fosse poss\u00edvel. Entrou na faculdade de medicina no interior de S\u00e3o Paulo, mas em 2006, aos 23 anos, sofreu um acidente de carro e ficou tetrapl\u00e9gica. O sonho \u2013 e tantas outras coisas \u2013 ficaram em suspenso. Mas s\u00f3 por algum tempo. Porque era guiada por uma li\u00e7\u00e3o de vida forte. &#8220;Meu pai me ensinou que ningu\u00e9m pode te dizer o que voc\u00ea pode ou n\u00e3o fazer&#8221;. No ano seguinte ao acidente, ela come\u00e7ou a ser impulsionada por ele a voltar para a faculdade. Foram meses dif\u00edceis, \u00e9 verdade. Tr\u00eas de interna\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo e mais outros tantos de reabilita\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. Mas, para ele, a filha estava pronta. Para ele, ela sempre esteve pronta.<\/p>\n<p>&#8220;Eu falava que ele estava louco. Eu tinha 23 anos na \u00e9poca. \u00c9 dif\u00edcil voc\u00ea assumir um corpo que voc\u00ea n\u00e3o conhece e que n\u00e3o responde aos comandos. Ent\u00e3o eu n\u00e3o enxergava muita luz no fim do t\u00fanel. Mas ele me perguntava se eu queria [voltar a estudar] e dizia que n\u00e3o tinha motivo para n\u00e3o fazer. E na minha cabe\u00e7a tinham todos os motivos, mas na verdade n\u00e3o tinha nenhum&#8221;.<\/p>\n<p>Apoiada pela fam\u00edlia e pelas colegas de classe e de apartamento \u2013 suas amigas mantiveram tudo de Daniela em seu quarto, do jeito que estava, esperando \u2013 ela voltou. E foi a grande virada em sua vida. Ap\u00f3s meses de reclus\u00e3o, sess\u00f5es di\u00e1rias de fisioterapia e visitas que recebia, aos poucos ela pode voltar ao mundo. &#8220;Foi muito complexa essa fase de adapta\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m sabia como me tratar, eu n\u00e3o sabia como lidar comigo. A ficha demora para cair, desenvolvi uma depress\u00e3o grave. Mas na reabilita\u00e7\u00e3o eu vi que existia vida na cadeira de rodas. D\u00e1 para se dar um jeito para todas as coisas e retomar minha vida foi muito importante&#8221;.<\/p>\n<p>Voltou a ter compromissos, rotina. E Daniela pode olhar de novo para seu grande objetivo. &#8220;Retomar meu sonho de carreira foi fundamental. Come\u00e7ar a interagir de novo, ser inclu\u00edda na faculdade, no bairro em que eu morava, isso tudo faz as coisas voltarem a ter sentido. O isolamento \u00e9 matador&#8221;.<\/p>\n<p>E o isolamento n\u00e3o voltou para Daniela. Poucos meses depois de concluir a faculdade, foi contratada como m\u00e9dica do trabalho em uma empresa, o que foi muito importante para sua vida e carreira. O fato de seu chefe ter enxergado sua qualifica\u00e7\u00e3o profissional \u2013 mesmo sem experi\u00eancia na \u00e1rea \u2013 e n\u00e3o sua limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica foi um grande combust\u00edvel para a ent\u00e3o mais nova doutora na pra\u00e7a. Isso veio para confirmar o que ela j\u00e1 tinha aprendido nesses anos ap\u00f3s o seu acidente: era poss\u00edvel. &#8220;Eu tinha muito preconceito comigo mesma. Achava que n\u00e3o era poss\u00edvel n\u00e3o por falta de apoio ou for\u00e7a de vontade, mas eu achava que nada era poss\u00edvel naquela situa\u00e7\u00e3o e foi por segrega\u00e7\u00e3o, falta de informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Buscou informa\u00e7\u00e3o. Foi atr\u00e1s. Se especializou em medicina do trabalho e \u00e9 esse o posto que ocupa hoje na Monsanto e se sente realizada. &#8220;Sou muito apaixonada pelo que eu fa\u00e7o, \u00e9 um sonho poder atuar todo dia&#8221;. Um grande sonho. E n\u00e3o fica presa no consult\u00f3rio. Gosta de ver como funcionam as atividades e o trabalho dos funcion\u00e1rios, porque s\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel saber quais riscos para a sa\u00fade tal atividade pode trazer. Do consult\u00f3rio n\u00e3o d\u00e1 pra ver e ela quer fazer seu trabalho bem feito. Ent\u00e3o vai.<\/p>\n<p>No caminho, quebra paradigmas \u2013 que ela espera um dia n\u00e3o precisar mais quebrar. &#8220;Gostaria que minha situa\u00e7\u00e3o fosse natural para um monte de gente, queria que minha hist\u00f3ria n\u00e3o fosse uma em um milh\u00e3o. Queria que fosse corriqueira e que esse trabalho de inclus\u00e3o fosse obsoleto&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez um dia seja. Enquanto isso, ela faz sua parte sem nunca deixar aquela antiga li\u00e7\u00e3o de lado: &#8220;Ningu\u00e9m tem que dizer o que voc\u00ea pode ou n\u00e3o fazer. Voc\u00ea vai fazer o que voc\u00ea quiser&#8221;.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Huffington Post)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando era crian\u00e7a, ela ia junto com o pai e os irm\u00e3os para o hospital. Lembra bem. Era plant\u00e3o e por mais que o ambiente n\u00e3o fosse exatamente infantil, ela achava o m\u00e1ximo fazer essa visita ao pai m\u00e9dico. 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